O Ás de Copas abre o naipe das taças. No baralho Rider-Waite, uma mão sai de uma nuvem e segura uma taça de onde a água transborda para um lago.
Na tradição de leitura, é a carta do coração cheio: afeto, alegria, abertura emocional. É o ponto de partida de tudo o que o naipe de copas vai contar sobre sentimentos e relações.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | Ás (1) |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | As de Coupe / Ace of Cups |
| Golden Dawn | «Raiz dos Poderes da Água» |
| Palavras-chave (direita) | alegria, afeto, abundância, começo emocional |
| Palavras-chave (invertida) | instabilidade, mudança, sentimentos pouco sinceros |
O desenho
A mão que sai da nuvem é comum aos quatro ases do Rider-Waite: na leitura esotérica, indica algo que é dado, não conquistado.
A taça tem uma letra gravada. Há quem leia um «W» (de Waite, water) e quem leia um «M» invertido; a investigadora Mary K. Greer inclina-se para «M», de Mystery. Waite não o explica.
Por cima, uma pomba desce com uma hóstia marcada com uma cruz. São dois símbolos cristãos claros: o Espírito Santo e a Eucaristia. Waite ligou esta carta ao Santo Graal, tema de um livro que publicou em 1909.
Do cálice caem correntes de água e gotas em forma de chama para um lago com nenúfares. Waite fala em quatro correntes; no desenho contam-se cinco, e há leitores modernos que as associam aos cinco sentidos.
➜ O cálice: Graal, missa e taça no tarot
Na história
As copas vêm dos naipes latinos (italianos e espanhóis), usados em jogos de cartas desde o século XV. Em Portugal o nome ficou: o naipe de corações do baralho comum continua a chamar-se copas, herança do antigo baralho de padrão português.
No Tarot de Marselha, o Ás de Copas é apenas uma grande taça ornamentada, sem pomba nem hóstia. A carga cristã e «graálica» é uma escolha de Waite e de Pamela Colman Smith.
O significado na tradição
Direita
Waite resume a carta assim:
Casa do coração verdadeiro, alegria, contentamento, morada, alimento, abundância, fertilidade; Mesa Sagrada, e a felicidade que daí vem. — A. E. Waite, 1910
Na leitura moderna mais comum, o Ás de Copas é visto como o início de algo afetivo: um amor, uma amizade, uma reconciliação, ou simplesmente um período de maior abertura aos outros.
Invertida
Casa do coração falso, mutação, instabilidade, revolução. — A. E. Waite, 1910
Leitores modernos costumam falar de emoções bloqueadas, de dar sem receber ou de um sentimento que não é tão sincero como parece.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar afeto novo ou renovado. Não diz quem, nem quando: descreve um estado de abertura.
Trabalho. Costuma ser lido como um período em que o trabalho dá satisfação pessoal, ou em que as boas relações com colegas pesam mais do que o resultado.
Conselho. A carta é muitas vezes interpretada como um convite a receber com gratidão o que chega, sem o tentar controlar.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Ás de Copas anuncia uma gravidez» | É uma leitura moderna popular, não está em Waite |
| «A pomba e a hóstia sempre fizeram parte da carta» | Não: são do Rider-Waite (1909); Marselha mostra só a taça |
| «A letra da taça é um M de Maria» | É uma hipótese; Waite não a explica |
Continue a ler
➜ Carta seguinte: Dois de Copas
➜ A. E. Waite e Pamela Colman Smith
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Ace of Cups» — sacred-texts.com
- Mary K. Greer, «Ace of Cups Symbolism» — marykgreer.com
- Wikipedia, «Ace of Cups» — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Naipe» — pt.wikipedia.org
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com