O fogo é o único elemento que o ser humano aprendeu a fazer. Dá luz, calor e comida cozinhada, mas também destrói. Talvez por isso seja, em quase todas as culturas, o símbolo da transformação.
Nesta página vemos o fogo na filosofia antiga, na religião, no folclore português e nas correspondências esotéricas modernas, e terminamos com as regras de segurança, que são obrigatórias.
O fogo na filosofia antiga
Para Empédocles (século V a.C.), o fogo era uma das quatro raízes do mundo. Aristóteles descreveu-o como quente e seco e ensinou que o seu «lugar natural» era em cima: por isso as chamas sobem.
Antes deles, Heraclito tinha feito do fogo o princípio de todas as coisas, sempre em mudança. Na medicina antiga, o fogo correspondia à bílis amarela e ao temperamento colérico.
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O fogo na religião
Na Bíblia, Deus fala a Moisés a partir de uma sarça ardente (Êxodo 3) e o Espírito Santo desce sobre os apóstolos em línguas de fogo (Atos 2). Na liturgia católica, a vela e o círio pascal representam a luz de Cristo.
Muitas religiões antigas mantinham um fogo sagrado que nunca se apagava, como o das vestais em Roma.
O fogo no folclore português
O lume
Em português, o fogo doméstico tem nome próprio: o lume, palavra que vem do latim lumen, «luz». Durante séculos, a vida da casa fez-se à volta da lareira: cozinhar, aquecer, contar histórias.
No século VI, São Martinho de Dume, bispo de Braga, condenou no sermão De correctione rusticorum quem acendia velinhas junto de pedras, árvores, fontes e encruzilhadas, e quem deitava grão e vinho sobre o tronco da lareira. É um testemunho raro de práticas pagãs no Noroeste peninsular.
As fogueiras de São João
Na noite de 23 para 24 de junho, perto do solstício de verão, acendem-se fogueiras em muitas terras portuguesas. A tradição manda saltá-las e queimar ervas como o rosmaninho e o alecrim.
Hoje, saltar fogueiras é desaconselhado: todos os anos há queimaduras. Se participar, fique a uma distância segura.
A vela benta e as trovoadas
Na tradição popular, acendia-se uma vela benta (muitas vezes da Senhora das Candeias, a 2 de fevereiro) durante as trovoadas, e rezava-se a Santa Bárbara. Também se queimava um raminho de oliveira benzido no Domingo de Ramos. Eram gestos de proteção e de fé, não de magia.
O fogo nas correspondências esotéricas modernas
As tabelas usadas hoje vêm sobretudo da Golden Dawn (século XIX) e da Wicca. São convenções simbólicas:
| Correspondência | Fogo |
|---|---|
| Direção | Sul |
| Instrumento | bastão ou varinha (na Golden Dawn) |
| Naipe do tarot | paus |
| Signos | Carneiro (Áries), Leão, Sagitário |
| Símbolo alquímico | 🜂 triângulo com a ponta para cima |
| Temas | coragem, vontade, paixão, transformação |
Na Wicca gardneriana, o fogo corresponde ao athame, e não ao bastão. As tradições não concordam entre si.
Práticas simples e seguras
- Meditar diante de uma vela: observar a chama durante alguns minutos, em silêncio.
- Escrever um pensamento que quer deixar para trás e rasgá-lo em pedaços. Se quiser queimá-lo, faça-o num recipiente de metal, no exterior ou junto a uma janela aberta, com água por perto.
- Acender uma vela em memória de alguém ou em agradecimento.
Regras de segurança com o fogo
- Nunca deixe uma vela acesa sem vigilância, nem ao deitar.
- Use castiçal estável, sobre superfície que não arda.
- Longe de cortinas, papéis, tecidos e plantas secas.
- Mantenha crianças e animais afastados.
- Areje o espaço; cuidado com fumo se houver asma ou problemas respiratórios.
- No exterior, respeite as proibições de fogo em época de incêndios.
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Fontes
- «Classical element», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Martinho de Dume (Braga), De correctione rusticorum, § 16, texto latino — thelatinlibrary.com
- «Lume», Dicionário Priberam da Língua Portuguesa — priberam.org
- Bíblia: Êxodo 3; Atos dos Apóstolos 2