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🧙 Figuras do Oculto

Paracelso: o médico rebelde que deu nome aos gnomos

Quem foi Paracelso (1493–1541): médico suíço, alquimia, iatroquímica, «a dose faz o veneno» e os elementais — gnomos, ondinas, sílfides e salamandras.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. A vida (facto)
  3. A obra e as ideias
  4. Os elementais: gnomos, ondinas, sílfides e salamandras
  5. A lenda
  6. Influência
  7. Curiosidades
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Paracelso foi um médico suíço do Renascimento que desafiou a medicina do seu tempo. Queimou em público um livro de Avicena, ensinou em alemão em vez de latim e defendeu remédios preparados com minerais e metais.

É também uma figura central do ocultismo. Foi nos seus escritos que surgiram os nomes gnomo, ondina e sílfide, e os seguidores rosa-cruzes viam nele quase um profeta.

Nesta página separamos o que é facto documentado do que é lenda — e há muita lenda à volta dele.

Ficha

Campo Informação
Nome Philippus Aureolus Theophrastus Bombast von Hohenheim
Nascimento 10 de novembro de 1493, Einsiedeln (Suíça)
Morte 24 de setembro de 1541, Salzburgo (Áustria)
Origem Confederação Suíça (Einsiedeln, cantão de Schwyz)
Ocupação Médico, cirurgião, alquimista, filósofo
Obras principais Paragranum (1530), Opus Paramirum (c. 1531), Die große Wundarznei (1536)
Conhecido por Iatroquímica, tria prima, elementais, «a dose faz o veneno»

A vida (facto)

Estudou em Basileia, Viena e Ferrara, onde terá obtido o grau de médico por volta de 1515–1516. Depois viajou durante anos pela Europa.

Em 1527 foi nomeado médico municipal de Basileia e professor na universidade. Deu aulas em alemão, o que escandalizou os colegas.

A 23 de junho de 1527 queimou publicamente um exemplar do Cânone da Medicina de Avicena, o grande manual da época. Em janeiro de 1528, depois de muitos conflitos com médicos e autoridades, teve de deixar a cidade.

Voltou à vida errante. Morreu em Salzburgo em 1541, aos 47 anos, e foi sepultado na igreja de São Sebastião.

O nome «Paracelso»

O significado não é certo. Pode ser uma latinização de «Hohenheim» (celsus = alto) ou uma provocação: «para além de Celso», o médico romano. Em vida publicou como Theophrastus ab Hohenheim ou Theophrastus Paracelsus.

A obra e as ideias

Iatroquímica: a química ao serviço da medicina

Paracelso defendia que o médico devia preparar remédios em laboratório, com sais, minerais e metais. Esta «química médica» chama-se iatroquímica e é vista como antecessora da farmacologia.

É-lhe atribuída a primeira utilização do nome moderno do zinco (zincum), por volta de 1526. Promoveu também um preparado chamado laudanum, mas não deixou a receita completa.

Nota: os remédios de Paracelso incluíam substâncias tóxicas. São história da medicina, não conselhos. Para qualquer problema de saúde, consulte um médico.

«A dose faz o veneno»

Na sua Terceira Defesa escreveu, em substância, que só a dose determina que uma coisa não seja veneno. A frase ficou resumida no latim sola dosis facit venenum e ainda hoje é ensinada em toxicologia.

Os três princípios (tria prima)

À teoria antiga dos quatro elementos, Paracelso juntou três princípios: enxofre (o que arde), mercúrio (o que é volátil) e sal (o que é sólido e permanece). O modelo aparece no Opus Paramirum, de cerca de 1530.

➜ A alquimia

➜ Símbolos alquímicos

Os elementais: gnomos, ondinas, sílfides e salamandras

O texto mais importante para o ocultismo é o Liber de nymphis, sylphis, pygmaeis et salamandris, publicado postumamente em 1566. Nele, Paracelso descreve seres que vivem em cada um dos quatro elementos:

Elemento Ser
Terra Gnomos (ou pigmeus)
Água Ondinas (ninfas)
Ar Sílfides
Fogo Salamandras

Para ele, estes seres estavam entre as criaturas e os espíritos: tinham corpo, mas não tinham alma imortal. Segundo o livro, uma ondina que casasse com um humano podia ganhar alma.

As palavras gnomus, undina e sylph parecem aparecer pela primeira vez nos seus escritos.

➜ Os 4 elementos na magia

➜ As fadas no folclore

A lenda

Depois da morte, Paracelso tornou-se personagem de lenda. Estas histórias não estão documentadas como factos:

  • A espada com o «Azoth»: diz-se que guardava no punho da espada um remédio universal ou um espírito familiar. É tradição posterior, sem prova.
  • O homúnculo: um texto atribuído a Paracelso, De natura rerum, descreve como criar um pequeno ser humano artificial. A autoria desse texto é discutida pelos historiadores.
  • A pedra filosofal: alquimistas posteriores atribuíram-lhe a posse do segredo da transmutação, o que nenhum documento confirma.

Influência

  • Paracelsismo: no século XVII formou-se um movimento com o seu nome, sobretudo na Alemanha.
  • Rosa-Cruz: os rosa-cruzes alemães veneravam-no como profeta.
  • Literatura: os elementais chegaram ao grande público com a sátira francesa Le Comte de Gabalis (1670), que inspirou The Rape of the Lock de Alexander Pope (1712) e a novela Undine de Fouqué (1811).
  • Ocultismo moderno: a classificação dos quatro elementais continua a ser usada na magia cerimonial e em muitos livros esotéricos atuais.

➜ Rosa-Cruz

Curiosidades

  • Terá viajado por Itália, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Suécia e Polónia; as histórias de viagens à Índia ou à China são consideradas muito improváveis.
  • A Große Wundarznei (1536) é por vezes apontada como uma precursora da antissepsia.

Continue a ler

➜ Figuras do Oculto

➜ Cornélio Agrippa

➜ A quintessência

➜ Hermetismo

Fontes

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