O marido chega tarde, esconde o telemóvel, está frio. Algumas mulheres ouvem de uma amiga, ou de um anúncio, que «há outra mulher a fazer-lhe trabalhos» e que só uma amarração o pode «segurar».
Esta página explica o que diz essa crença, porque é que o diagnóstico de «trabalho feito pela rival» deve ser recebido com muita cautela e o que pode fazer para se proteger, a si e à sua vida.
A crença
Na tradição popular portuguesa e brasileira, «amarrar» o marido seria fazer um ritual para que ele não se afaste de casa nem deseje outra mulher. A magia de amor para manter um marido é antiquíssima: o historiador Christopher Faraone mostrou que, na Grécia antiga, as mulheres recorriam sobretudo a uma magia destinada a conservar o afeto do marido.
Não há qualquer prova de que um ritual mude os sentimentos de alguém. E tentar retirar a escolha ao outro levanta um problema ético sério.
O Grimório.pt não ensina rituais para prender ou controlar ninguém.
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«A outra fez-lhe um trabalho»: desconfie
É das frases mais usadas para vender amarrações. Tem três problemas:
- Ninguém pode saber isso à distância. Nem por fotografia, nem por data de nascimento.
- Tira a responsabilidade ao marido. Se ele trai, a decisão é dele, não de um feitiço.
- Cria dependência. Se há um «trabalho» contra si, vai precisar de pagar para o «desfazer», e depois para o «reforçar».
Para a tradição, a inveja e o mau-olhado existem como crença. Mas usar essa crença para vender medo é outra coisa.
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Porque é que um marido se afasta
As razões mais comuns são humanas: rotina, conflitos por resolver, cansaço, problemas de dinheiro, uma crise pessoal, por vezes depressão, e, sim, às vezes outra relação.
O psicólogo John Gottman mostrou que o desgaste costuma vir de hábitos repetidos: crítica, desprezo, defensividade e silêncio. Saber isto não resolve tudo, mas ajuda a perceber o que se passa dentro de casa, e não só fora dela.
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O que pode fazer, na prática
- Perguntar diretamente, num momento calmo: «Sinto-te longe. Há alguma coisa que eu deva saber?»
- Propor terapia de casal, se ainda há vontade dos dois.
- Cuidar de si: não deixe de comer, de dormir, de ver amigas.
- Proteger a sua segurança financeira: saiba que contas existem, que bens são comuns e quais são os seus direitos. Um advogado pode esclarecer, mesmo sem avançar com nada. Se não tem meios, pode pedir apoio judiciário à Segurança Social.
Quando o problema é outro
Se o marido a humilha, controla o dinheiro, a isola da família ou a ameaça, isso não é frieza: é violência doméstica, crime público em Portugal.
- APAV: 116 006 (gratuito).
- Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica: 800 202 148 ou SMS 3060.
- Em perigo imediato: 112.
Expectativas honestas
Nenhum trabalho espiritual garante resultados. Não há prazos nem amarrações «definitivas». Um marido que fica só por causa de um ritual, se tal fosse possível, não seria um marido que escolhe ficar.
Antes de contratar qualquer praticante
- Preço total por escrito e fatura.
- Nada de garantias, prazos ou percentagens.
- Recuse pedidos sucessivos de dinheiro.
- Desconfie de quem «vê» uma rival ou um trabalho feito sem a conhecer.
- Tem direito ao Livro de Reclamações.
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Perguntas frequentes
É pecado amarrar o marido?
Para a Igreja Católica, as práticas que procuram poder sobre outra pessoa são condenadas. Rezar pelo casamento, não.
E se ele já saiu de casa?
Veja a página sobre o ex-marido, que trata da separação.
Posso proteger o casamento espiritualmente sem prender ninguém?
Sim. Muitas pessoas rezam pela paz, pelo entendimento e pela saúde da família, sem pedir nada contra a vontade do outro.
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Fontes
- Wikipedia, «Love magic» (distinção de Christopher Faraone entre magia de eros e de philia) — en.wikipedia.org
- The Gottman Institute, «The Four Horsemen» — gottman.com
- CIG, Portal da Violência Doméstica — cig.gov.pt
- Catecismo da Igreja Católica, §2115–2117 — vatican.va