Descobrir, ou suspeitar, que existe outra pessoa na relação é das dores mais fortes que há. Nesses momentos, muita gente procura «afastar a rival» ou «afastar o rival» com um ritual.
Esta página explica o que a tradição popular faz nestes casos, porque o Grimório.pt não ensina rituais de separação e o que pode fazer para proteger a relação e a si própria.
A crença e a tradição
A magia amorosa é tão antiga como a escrita. Há feitiços de amor em papiros gregos do Egito, e os processos da Inquisição portuguesa, no reino e no Brasil colonial, estão cheios de acusações de magia amorosa, como as chamadas «cartas de tocar».
Os rituais para afastar uma terceira pessoa são, na prática, rituais de separação: tentam criar discórdia entre duas pessoas contra a vontade delas. Podemos explicar a sua história, mas não os ensinamos.
Porque não ensinamos separações
- Nenhum ritual garante resultados, e quem está a sofrer merece uma resposta honesta.
- A relação é de duas pessoas. Se o companheiro ou a companheira escolheu outra pessoa, nenhuma magia devolve a confiança.
- Viver à espera de um ritual pode prender a pessoa, durante meses, a uma relação que já não a respeita.
Proteger a relação: o que depende de si
Conversar
Parece óbvio, mas é o passo mais adiado. Fale do que viu ou sente, sem acusar à partida. Pergunte o que se passa e escute a resposta.
Pedir ajuda
A terapia de casal existe precisamente para estes momentos. Um psicólogo também pode ajudar só a si, a decidir o que quer fazer.
Cuidar de si
Durma, coma, fale com amigos. Decisões tomadas em pleno ciúme raramente são boas.
Oração e proteção, na tradição
A tradição oferece sobretudo pedidos de paz e de clareza, não ataques. Muitas pessoas rezam a Santo António, o santo casamenteiro português, ou fazem um banho de flores como gesto de cuidado próprio.
Este texto curto foi redigido pelo Grimório.pt a partir das fórmulas populares:
Que a verdade se mostre nesta relação.
Que o amor que é verdadeiro se fortaleça,
e que eu tenha clareza e coragem para aceitar o que for de ser.
Assim seja.
Quando o ciúme passa dos limites
Vigiar o telemóvel do outro, perseguir a «rival» ou ameaçá-la não é amor e pode ser crime (a perseguição está prevista no artigo 154.º-A do Código Penal).
Se é você que está a ser ameaçada ou controlada, ligue 112 em perigo imediato ou a APAV no 116 006.
Continue a ler
➜ Afastar uma pessoa indesejada: limites e proteção
➜ Porque é que o amor não vem?
Fontes
- Hans Dieter Betz (ed.), The Greek Magical Papyri in Translation, University of Chicago Press, 1986
- Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia: feiticeiras, adivinhos e curandeiros em Portugal no século XVI, Companhia das Letras, 2004
- «Feitiços de amor», História Hoje — historiahoje.com
- APAV — Linha de Apoio à Vítima 116 006 — apav.pt