Os signos dizem como se manifesta um planeta. As casas dizem onde, ou seja, em que área da vida. É assim, pelo menos, que a tradição astrológica as explica.
Ao contrário dos signos, que dependem da data, as casas dependem da hora e do lugar exatos do nascimento. Por isso, sem hora de nascimento não há casas.
Esta página explica a base astronómica das casas (facto), o significado de cada uma (interpretação) e os diferentes sistemas de cálculo.
De onde vêm as casas (a parte astronómica)
A Terra roda sobre si própria uma vez por dia. Vistos de um lugar, o Sol, a Lua, os planetas e todo o zodíaco nascem a leste, sobem até ao ponto mais alto e põem-se a oeste.
As casas dividem esse movimento diário em 12 setores, a partir de quatro pontos que se calculam com rigor:
| Ponto | O que é |
|---|---|
| Ascendente (início da casa 1) | Grau do zodíaco a nascer no horizonte leste |
| Fundo do Céu (casa 4) | Ponto oposto ao Meio do Céu, «por baixo» da Terra |
| Descendente (casa 7) | Grau do zodíaco a pôr-se no horizonte oeste |
| Meio do Céu (casa 10) | Grau do zodíaco no ponto mais alto, sobre o meridiano |
Como o céu roda, um planeta passa por todas as 12 casas num só dia. Duas pessoas nascidas no mesmo dia, com poucas horas de diferença, têm os planetas nos mesmos signos mas em casas diferentes.
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O que representa cada casa (interpretação)
As casas vêm da astrologia helenística, onde se chamavam «lugares» (topoi). Na Idade Média, os estudantes decoravam o sentido das 12 com um verso latino: Vita, lucrum, fratres, genitor, nati, valetudo, uxor, mors, iter, regnum, benefacta, carcer — vida, ganho, irmãos, pai, filhos, saúde, esposa, morte, viagem, reino, benefícios, prisão.
A lista abaixo junta o sentido tradicional com o modo como a astrologia moderna o lê.
| Casa | Área da vida, segundo a tradição |
|---|---|
| Casa 1 | A pessoa: corpo, aparência, maneira de se apresentar |
| Casa 2 | Bens, dinheiro, recursos próprios, valores |
| Casa 3 | Irmãos, vizinhos, comunicação, estudos básicos, pequenas deslocações |
| Casa 4 | Casa, família, raízes, um dos pais, o fim da vida |
| Casa 5 | Filhos, prazer, amores, criatividade, jogo |
| Casa 6 | Trabalho diário, rotinas, serviço, saúde |
| Casa 7 | Casamento, sociedades, contratos, adversários declarados |
| Casa 8 | Morte, heranças, dinheiro partilhado, crises e transformação |
| Casa 9 | Viagens longas, estudos superiores, religião, filosofia |
| Casa 10 | Carreira, reputação, posição social |
| Casa 11 | Amigos, grupos, protetores, esperanças |
| Casa 12 | O que está oculto: isolamento, inimigos escondidos, retiro, espiritualidade |
Na astrologia moderna associa-se cada casa a um signo (a casa 1 a Áries, a 2 a Touro, e assim por diante). É uma convenção moderna; a tradição antiga não a usava.
Casas angulares, sucedentes e cadentes
A tradição agrupa as casas em três tipos:
- Angulares (1, 4, 7, 10) — junto dos quatro ângulos; consideradas as mais fortes, ligadas à ação.
- Sucedentes (2, 5, 8, 11) — as que «sucedem» aos ângulos; ligadas à estabilidade.
- Cadentes (3, 6, 9, 12) — as que «caem» dos ângulos; consideradas mais fracas, ligadas à adaptação e aprendizagem.
E as casas vazias?
Com 10 astros e 12 casas, há sempre casas sem planetas. Na tradição, isso não quer dizer que essa área da vida não exista: lê-se então o signo no início da casa e o planeta que rege esse signo.
Os sistemas de casas
Aqui começa o grande desacordo entre astrólogos. Os quatro ângulos são fáceis de calcular. Dividir o espaço entre eles em 12 partes pode fazer-se de muitas maneiras — e cada uma dá casas diferentes.
| Sistema | Como funciona |
|---|---|
| Signos inteiros | Cada signo inteiro é uma casa, a partir do signo do ascendente. É o mais antigo (astrologia helenística) |
| Casas iguais | 12 casas de 30° cada, a partir do grau do ascendente |
| Porfírio | Divide em três partes iguais cada quadrante entre ângulos |
| Regiomontano | Criado no séc. XV; divide o equador celeste |
| Campano | Medieval; divide o círculo que passa pelo leste e pelo zénite |
| Plácido | Divide o tempo que cada grau leva a subir; o mais usado hoje |
| Koch | Criado no séc. XX pelo alemão Walter Koch |
Plácido, o mais popular
O sistema de Plácido tem o nome de Plácido de Titis (1603–1668), monge olivetano e professor de matemática em Pávia, que o divulgou no séc. XVII. Não o inventou: a ideia é mais antiga. Tornou-se o padrão por ter circulado em tabelas e, hoje, por ser o sistema por omissão em muitos programas.
Tem um problema conhecido: acima dos círculos polares não funciona, porque há graus do zodíaco que nunca tocam o horizonte. Em Portugal (latitudes de 32° a 42°) esse problema não se põe, mas as casas de Plácido podem ficar muito desiguais em tamanho.
Qual escolher?
Não há resposta consensual. Nenhum sistema foi demonstrado como «mais certo» do que outro — o que não surpreende, já que a própria interpretação astrológica não tem confirmação científica. Muitos astrólogos modernos voltaram aos signos inteiros, por serem os mais antigos e os mais simples.
Se fizer o seu mapa em programas diferentes e os planetas mudarem de casa, é provavelmente por isto: verifique que sistema está a ser usado.
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➜ Mapa astral: como se faz e como se lê
Fontes
- Wikipedia, House (astrology) — en.wikipedia.org
- Wikipedia, Placidus de Titis — en.wikipedia.org
- Wikipedia, Ascendant — en.wikipedia.org