A arruda é a planta mais associada ao mau-olhado em Portugal e no Brasil. Um vaso à porta de casa, um raminho atrás da orelha, um banho depois de um dia «pesado»: tudo isto faz parte da tradição popular.
O banho de arruda é, na tradição, um banho forte, de limpeza. É também o banho que mais cuidados exige. A arruda pode queimar a pele ao sol e é perigosa na gravidez. Leia as precauções antes de o fazer.
De onde vem a tradição
A arruda (Ruta graveolens) é conhecida desde a Antiguidade. A sua ligação ao mau-olhado é partilhada por várias culturas mediterrânicas: em Itália existe até um amuleto de prata em forma de ramo de arruda, a cimaruta.
Nas religiões afro-brasileiras, a arruda é das plantas mais usadas nos banhos de descarrego, os banhos que servem para «tirar» as energias negativas. Um estudo em terreiros de Santa Catarina (Brasil) registou-a precisamente nesse uso.
Em Portugal, a arruda aparece nas benzeduras e nas limpezas populares, quase sempre ao lado do alecrim e do sal.
Quando se faz, na tradição
- Quando a pessoa sente que «lhe botaram mau-olhado».
- Depois de um período de conflitos, inveja ou azar seguido.
- Antes de um banho de proteção ou de sorte, para «limpar o terreno».
A tradição não recomenda banhos de arruda frequentes. Uma vez, de tempos a tempos, é o costume.
A receita (versão prudente)
Muitas receitas pedem «um molho de arruda». Não é necessário nem prudente. Esta versão, redigida pelo Grimório.pt, usa pouca arruda e junta alecrim:
- 1 raminho pequeno de arruda (cerca de 10 cm);
- 2 raminhos de alecrim;
- 2 litros de água.
Como se faz
- Use luvas para cortar e manusear a arruda.
- Ferva a água, desligue o lume e junte as ervas.
- Tape e deixe repousar 10 minutos. Coe bem.
- Deixe arrefecer até ficar morno.
- Depois do banho normal, deite a água do pescoço para baixo. Nunca na cabeça nem na cara.
- Seque-se sem esfregar.
- Não saia ao sol nesse dia e no seguinte, sobretudo com a pele descoberta.
Uma oração para o banho
Texto redigido pelo Grimório.pt a partir das fórmulas populares:
Assim como a arruda é verde e forte,
que se afaste de mim todo o mau-olhado e toda a inveja.
Que o mal volte para o lugar de onde veio, sem fazer dano a ninguém.
Assim seja.
Precauções sérias
- Queimaduras ao sol: a arruda contém furanocumarinas. Se o suco ficar na pele e esta apanhar sol, podem surgir bolhas, queimaduras e manchas que duram meses (fitofotodermatite).
- Gravidez: a arruda é abortiva e tóxica. Grávidas e mulheres que tentam engravidar não devem fazer este banho.
- Amamentação e crianças: não usar.
- Nunca beber a água nem fazer chá de arruda.
- Pele sensível ou eczema: evite. Faça sempre um teste numa pequena zona.
- Animais: mantenha a planta e a água longe de cães e gatos.
Em caso de ingestão, ligue para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV): 800 250 250.
Se a pessoa se sente mal, cansada ou triste há muito tempo, fale com o seu médico. O banho de arruda não trata doenças.
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Fontes
- «Phytophotodermatitis», DermNet — dermnetnz.org
- «Ruta graveolens», INCHEM (Programa Internacional de Segurança Química) — inchem.org
- Pagnocca, Zank e Hanazaki, «The plants have axé», Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, 2020 — link.springer.com
- Centro de Informação Antivenenos, INEM — inem.pt