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🛁 Banhos

Banho de proteção: tradição e receita

O banho de proteção na tradição popular: diferença para o descarrego, ervas usadas (alecrim, louro, arruda), receita suave e cuidados com a pele.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Descarrego e proteção: qual a diferença?
  2. As ervas da proteção
  3. A receita
  4. Quando se faz, na tradição
  5. Cuidados
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Na tradição dos banhos rituais há dois gestos diferentes. O banho de descarrego tira o que pesa. O banho de proteção vem depois: é o banho que, segundo a crença, «fecha» a pessoa e a guarda do mal que vem de fora.

Nesta página explicamos a ideia por trás do banho de proteção, damos uma receita suave e lembramos os cuidados com as ervas mais fortes.

Descarrego e proteção: qual a diferença?

Banho Intenção na tradição
Descarrego Limpar: tirar o cansaço, a inveja, o «peso»
Proteção Guardar: criar uma espécie de «manto» protetor

Na tradição popular, faz-se primeiro a limpeza e só depois a proteção. Há quem faça os dois no mesmo dia, com algumas horas de intervalo; outros deixam passar um ou dois dias.

Nas religiões afro-brasileiras, fala-se em «fechar o corpo». Em Portugal, a mesma ideia aparece nas orações populares de proteção, no alecrim benzido do Domingo de Ramos e no sal à porta de casa.

As ervas da proteção

Erva Porque se usa, na tradição
Alecrim (Salvia rosmarinus) Benzido no Domingo de Ramos e guardado em casa
Louro (Laurus nobilis) Árvore sagrada de Apolo; coroa dos vencedores
Arruda (Ruta graveolens) A planta do mau-olhado; usar pouco e com cuidado
Sal grosso Presente na água benta da tradição católica

Muitas receitas antigas juntam alho e pimenta. Não os recomendamos: irritam a pele e as mucosas, e a tradição tem alternativas mais suaves.

Nas receitas brasileiras aparece também a guiné (Petiveria alliacea). É uma planta difícil de encontrar e de identificar em Portugal, por isso não a incluímos.

➜ Ervas de proteção

A receita

Receita suave redigida pelo Grimório.pt a partir das práticas populares:

  • 2 raminhos de alecrim;
  • 3 folhas de louro secas;
  • 1 raminho pequeno de arruda (opcional; ver cuidados);
  • 1 colher de chá de sal grosso (opcional);
  • 2 litros de água.

Como se faz

  1. Ferva a água, desligue o lume e junte as ervas (use luvas para a arruda).
  2. Tape e deixe repousar 10 a 15 minutos.
  3. Coe, dissolva o sal e deixe arrefecer até ficar morno.
  4. Depois do banho normal, deite a água do pescoço para baixo, devagar.
  5. Não enxague. Seque-se sem esfregar.

Uma oração para o banho

Muitas pessoas rezam a oração do Anjo da Guarda. Esta é a versão popular curta, que se aprende em criança:

Anjo da Guarda, minha companhia,
guardai a minha alma de noite e de dia.

➜ Oração ao Anjo da Guarda

➜ Salmos de proteção

Quando se faz, na tradição

  • Depois de um banho de descarrego;
  • Antes de um momento de exposição: um exame, uma entrevista, uma viagem;
  • Depois de um conflito ou de uma fase de inveja à volta.

Não é preciso fazê-lo todas as semanas. Com arruda ou sal, a tradição pede moderação.

Cuidados

  • Arruda: pode causar queimaduras ao sol e é abortiva. Se a usar, evite o sol nesse dia. Grávidas: façam a receita sem arruda.
  • Sal: não use em pele ferida, irritada ou com eczema.
  • Faça um teste na pele. Evite a cara e os olhos.
  • Não faça este banho a crianças. Nunca o beba.

A proteção de que fala a tradição é espiritual e simbólica. Se se sente ameaçado por alguém, procure ajuda real: família, amigos, as autoridades ou a APAV.

Continue a ler

➜ Proteção pessoal na tradição de São Cipriano

➜ Proteção espiritual: guia

➜ Oração para proteção

➜ Banhos espirituais: todos

Fontes

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