A noite de 31 de dezembro é a mais barulhenta do ano: fogo de artifício, espumante, passas, tachos a bater. Mas a data em si tem uma história curiosa — nem sempre o ano começou a 1 de janeiro.
Nesta página explicamos porque festejamos nesta noite, resumimos os costumes portugueses e propomos uma forma simples de fechar o ano com intenção. A origem de cada costume da meia-noite está explicada em pormenor noutra página:
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Porque o ano começa a 1 de janeiro
A escolha vem de Roma:
- A partir de 153 a.C., os cônsules romanos passaram a tomar posse no dia 1 de janeiro, e o ano oficial começou a contar-se daí.
- O mês e o dia eram dedicados a Jano, deus das portas e dos começos, representado com duas caras: uma a olhar para trás, outra para a frente.
- O calendário juliano, de Júlio César (45 a.C.), manteve o 1 de janeiro.
Na Idade Média, porém, a Europa cristã começou o ano em datas diferentes: o Natal, o 25 de março (Anunciação) ou a Páscoa. O 1 de janeiro só se tornou a regra geral entre os séculos XVI e XVIII.
E em Portugal?
Até 1422, os documentos portugueses contavam os anos pela Era de César, que estava 38 anos à frente da era cristã. Foi D. João I, por carta régia de 22 de agosto de 1422, que mandou usar o ano do nascimento de Cristo.
Em 1582, Portugal adotou o calendário gregoriano, do papa Gregório XIII, que corrigiu o atraso acumulado do calendário juliano. É o que usamos hoje.
Quem foi São Silvestre
O dia 31 de dezembro é, no calendário católico, o dia de São Silvestre, papa de Roma no tempo do imperador Constantino, que morreu a 31 de dezembro de 335. Por isso as corridas da última noite do ano se chamam «São Silvestre».
A meia-noite em Portugal
A passagem de ano não acontece à mesma hora em todo o país:
- Continente e Madeira: meia-noite em hora de inverno (UTC).
- Açores: uma hora depois.
Quem tem família nos Açores pode, literalmente, festejar duas vezes.
Os costumes portugueses
À meia-noite, muitas famílias portuguesas:
- comem 12 passas (ou uvas), uma por badalada, com um desejo para cada mês — costume vindo de Espanha, onde as 12 uvas se popularizaram no início do século XX;
- sobem a uma cadeira com dinheiro na mão, «para subir na vida»;
- batem tachos e panelas à janela, para «espantar o ano velho»;
- brindam com espumante e trocam beijos e abraços.
São costumes populares e simbólicos. Ninguém garante que uma passa traga sorte — mas quase todos os praticam pelo prazer de os partilhar.
Fechar o ano com intenção
Proposta do Grimório.pt, para quem quer ir além da festa:
- Nos últimos dias de dezembro, escreva numa folha três coisas boas do ano e três que quer deixar para trás.
- Agradeça as primeiras — com uma oração, se for crente.
- Rasgue a parte do que quer deixar para trás e deite-a fora. Não é preciso queimar nada.
- No dia 1 de janeiro, escreva três intenções concretas para o ano novo e guarde-as no seu grimório.
➜ Como fazer um grimório pessoal
Segurança
- Fogo de artifício só o legal e certificado, longe de pessoas e de casas, e nunca nas mãos de crianças.
- Velas nas mesas de festa, longe de guardanapos e decorações; apague-as antes de sair.
- Os animais sofrem muito com o barulho: deixe-os num local fechado e tranquilo.
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➜ Calendário mágico: o ano completo
Fontes
- Wikipédia, «New Year's Day» — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Era de César» — pt.wikipedia.org
- Wikipédia, «Twelve Grapes» — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Pope Sylvester I» — en.wikipedia.org