Um grimório pessoal é o seu caderno de estudo e de prática: orações, notas sobre ervas e velas, símbolos, fases da Lua, leituras e reflexões. Na Wicca chama-se muitas vezes Livro das Sombras.
Não há uma forma «certa» de o fazer. Mas há maneiras de o tornar útil, organizado e fiável ao longo dos anos. É isso que este guia propõe.
Uma tradição com história
Os grimórios antigos eram, muitas vezes, cadernos manuscritos copiados de outros livros, com acrescentos de quem os usava. O historiador Owen Davies mostra como curandeiros e «homens sábios» da Europa moderna guardavam os seus próprios livros de fórmulas.
Um grimório pessoal continua essa tradição: é um livro vivo, que cresce consigo.
1. Escolha o suporte
| Suporte | Vantagem |
|---|---|
| Caderno de capa dura | Resistente e pessoal; bom para quem gosta de escrever à mão |
| Dossier de argolas | Permite acrescentar e reorganizar folhas |
| Formato digital | Fácil de pesquisar e de guardar cópias |
Escolha um tamanho confortável e letra grande o suficiente para ler sem esforço daqui a uns anos.
2. Organize por secções
Uma estrutura simples, que pode adaptar:
- Índice — nas primeiras páginas, atualizado sempre que acrescenta algo.
- Orações — por finalidade: proteção, gratidão, pelos mortos, pela família.
- Ervas — nome comum, nome científico, tradição e precauções.
- Velas e cores — simbolismo e regras de segurança.
- Símbolos — desenho, origem e significado.
- Calendário — fases da Lua, datas tradicionais, santos populares.
- Diário — o que fez, quando, como se sentiu.
- Leituras — livros, páginas e notas de estudo.
Numere as páginas. Deixe algumas em branco no fim de cada secção.
3. Registe sempre a origem
Este é o conselho mais importante. Para cada texto, anote de onde vem:
- oração católica tradicional;
- texto popular, sem autor conhecido;
- tirado de um livro (título, autor, página);
- escrito por si.
Assim, daqui a dez anos, saberá distinguir tradição, livro e experiência pessoal. É isso que separa um grimório sério de uma coleção de receitas soltas.
4. Ervas: com cuidado
Ao registar uma erva, escreva também as precauções. Muitas plantas usadas na tradição são tóxicas ou interagem com medicamentos. Não as ingira, nem as use na pele, sem conselho de um profissional de saúde — sobretudo na gravidez, com crianças ou animais em casa.
5. Velas e incenso: com segurança
Se o seu grimório inclui velas ou defumações, escreva as regras na primeira página da secção:
- nunca deixar uma chama acesa sem vigilância;
- castiçal estável, sobre superfície que não arda;
- longe de cortinas, papéis e do próprio grimório;
- janela aberta e atenção a crianças, animais e pessoas com asma.
➜ Como usar velas com segurança
6. Guarde a privacidade
O grimório é pessoal. Pode incluir notas íntimas.
- Em papel: guarde-o num sítio próprio.
- Em digital: use uma palavra-passe e faça cópias de segurança.
7. Respeite os direitos de autor
Pode resumir o que leu e citar pequenos excertos com a referência. Não copie livros protegidos inteiros. Orações tradicionais e textos antigos em domínio público podem ser transcritos.
O que não deve ter
- Promessas de resultados («infalível», «garantido»);
- Práticas para controlar ou prejudicar outra pessoa;
- Receitas perigosas com fogo, substâncias tóxicas ou animais.
Um bom grimório é um livro de estudo e de reflexão, não de promessas.
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Fontes
- Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.
- Owen Davies, Popular Magic: Cunning-folk in English History, Hambledon Continuum, 2007.
- «Book of Shadows», Wikipedia — en.wikipedia.org