O solstício de inverno é o momento em que o Sol está mais baixo no céu do hemisfério norte. É o dia com menos horas de luz e a noite mais longa do ano.
Para os povos antigos, era um ponto de viragem: a partir dali, a luz começa a regressar. Não admira que tantas festas de inverno — incluindo o Natal — se tenham juntado à volta desta data.
O que diz a astronomia
«Solstício» significa «Sol parado»: durante alguns dias, o Sol nasce e põe-se quase no mesmo ponto do horizonte, o mais a sul de todo o ano. Depois, começa a voltar para norte e os dias crescem.
Quando acontece
O solstício é um instante preciso. Em Portugal calha a 21 ou 22 de dezembro, conforme o ano. A variação deve-se à diferença entre o ano civil de 365 dias e a órbita da Terra, acertada pelos anos bissextos.
A hora em Portugal
Em dezembro, Portugal continental e a Madeira estão na hora de inverno, igual ao Tempo Universal (UTC). Nos Açores é uma hora a menos. Assim, a hora do solstício dada em tempo universal é a mesma no continente.
O dia mais curto
Em Lisboa, o dia do solstício tem cerca de 9 horas e meia de Sol. No Porto, um pouco menos.
Uma curiosidade: o pôr do sol mais cedo do ano acontece no início de dezembro, e o nascer do sol mais tarde só no início de janeiro. O solstício é o dia mais curto no total, mas não tem o pôr do sol mais cedo.
Yule: nome antigo, festa moderna
Nos sites esotéricos, o solstício de inverno chama-se Yule. O nome existe de facto na história:
- Os povos germânicos e escandinavos tinham uma festa de inverno chamada jól ou geola. O monge Beda (século VIII) refere o nome nos meses anglo-saxões.
- Nos países nórdicos, ainda hoje o Natal se chama jul.
Mas a festa de Yule como aparece nos livros de bruxaria moderna — um dos oito «sabates» da roda do ano — é uma construção da Wicca, no século XX. Não é tradição portuguesa.
➜ Wicca
➜ Druidas
O solstício e o Natal
O Natal a 25 de dezembro aparece documentado em Roma no chamado Cronógrafo de 354. No mesmo calendário, esse dia é também o «nascimento do Invicto», a festa do deus Sol Invicto.
Muitos historiadores pensam que a data do Natal foi escolhida, pelo menos em parte, por estar perto do solstício, quando a luz «renasce». Outros defendem razões teológicas próprias. É uma discussão em aberto.
As festas de inverno em Portugal
Portugal tem tradições de inverno próprias, que muitos etnógrafos ligam a antigos ritos do solstício — ligação que é uma hipótese, não um facto demonstrado:
- Festas dos Rapazes em aldeias de Trás-os-Montes, entre o Natal e os Reis, com máscaras e fatos coloridos.
- O madeiro, uma grande fogueira acesa no adro da igreja na noite de Natal, em muitas aldeias da Beira e de outras regiões do interior.
- As Janeiras, cantadas de porta em porta até ao Dia de Reis.
Marcar o solstício de forma simples
Na espiritualidade moderna, o solstício de inverno é vivido como um tempo de recolhimento e esperança:
- desligar as luzes por uns minutos e acender uma única vela, a lembrar que a luz volta;
- escrever o que se quer deixar para trás com o ano velho;
- ver o nascer do sol do dia seguinte.
Se acender uma vela, use um castiçal estável, longe de cortinas e decorações de Natal, e nunca a deixe sem vigilância.
➜ Como usar velas com segurança
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Fontes
- Wikipédia, «Solstice» — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Chronograph of 354» — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Yule» — en.wikipedia.org
- Wikipédia, «Janeiras» — pt.wikipedia.org