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Druidas: os sacerdotes dos povos celtas

Quem eram os druidas celtas segundo César, Plínio e Tácito, o ritual do visco, o neodruidismo moderno e o que se sabe sobre os druidas na Península Ibérica.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O que diz Júlio César
  2. O ritual do visco
  3. Sacrifícios humanos
  4. O fim dos druidas
  5. E em Portugal?
  6. Os druidas modernos
  7. Símbolos associados
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Os druidas eram a classe sacerdotal e sábia dos povos celtas da Gália (atual França e arredores) e das Ilhas Britânicas. Eram sacerdotes, juízes, professores e conselheiros.

O grande problema é que os druidas não deixaram nada escrito. Tudo o que sabemos vem de autores gregos e romanos, muitas vezes inimigos dos celtas, e da arqueologia.

Por isso, grande parte da imagem popular dos druidas é invenção dos séculos XVIII e XIX. Nesta página separamos o que dizem as fontes antigas do que foi acrescentado depois.

O que diz Júlio César

O testemunho mais completo é de Júlio César, na Guerra das Gálias (livro VI), escrita por volta de 50 a.C. Segundo ele:

  • os druidas tratavam do culto, dos sacrifícios e das questões religiosas;
  • julgavam disputas e crimes;
  • estavam isentos da guerra e de impostos;
  • a formação podia durar até vinte anos, decorando muitos versos;
  • não escreviam os seus ensinamentos, embora usassem o alfabeto grego para outros assuntos;
  • ensinavam que a alma não morre e passa para outro corpo;
  • a doutrina teria nascido na Britânia.

César conquistou a Gália e tinha interesse político em descrever os gauleses. O seu relato é valioso, mas não é neutro.

O ritual do visco

A imagem mais famosa vem de Plínio, o Velho, na História Natural (século I d.C.). Conta que os druidas colhiam o visco que crescia num carvalho, no sexto dia da Lua. Um sacerdote vestido de branco cortava-o com uma foice de ouro, e sacrificavam-se dois touros brancos.

É uma única descrição, de um autor romano. Não sabemos se era um costume geral ou um caso isolado.

Sacrifícios humanos

Autores romanos acusaram os druidas de sacrifícios humanos. A arqueologia encontrou alguns indícios de mortes rituais no mundo celta, mas o tema continua a ser debatido. Os romanos também usaram estas acusações para justificar a conquista.

O fim dos druidas

Roma perseguiu os druidas. O imperador Cláudio (41–54 d.C.) proibiu a sua religião na Gália. Em 60 ou 61 d.C., segundo o historiador Tácito, o exército romano atacou a ilha de Mona (Anglesey, no País de Gales), um centro druídico.

Na Irlanda, fora do Império Romano, os druidas sobreviveram mais tempo e aparecem nos textos medievais irlandeses, escritos já por monges cristãos.

E em Portugal?

As fontes antigas não mencionam druidas na Península Ibérica. Havia povos de língua e cultura celta no território que hoje é Portugal, sobretudo no Norte e no interior, mas não sabemos se tinham druidas.

As religiões da Lusitânia e da Galécia conhecem-se por inscrições e santuários. O exemplo mais famoso é o deus Endovélico, venerado num santuário em São Miguel da Mota (Alandroal), com dezenas de inscrições da época romana.

Os druidas modernos

No século XVIII, o romantismo britânico reinventou os druidas:

  • Autores como William Stukeley ligaram-nos a Stonehenge. Hoje sabemos que Stonehenge foi construído milhares de anos antes dos druidas.
  • Em 1792, o galês Iolo Morganwg realizou em Londres a primeira cerimónia do Gorsedd, apresentada como antiga mas, na verdade, criada por ele.
  • Nasceram ordens e sociedades druídicas, algumas fraternais, outras religiosas.

O neodruidismo atual é um movimento espiritual moderno, próximo do paganismo contemporâneo. Muitos druidas atuais reconhecem que não é uma continuação direta dos druidas antigos.

➜ Paganismo

➜ Wicca

Símbolos associados

O triskele e o carvalho são muitas vezes ligados aos druidas. O triskele é de facto um motivo da arte celta, mas também aparece noutras culturas, e não há provas de que tivesse um significado druídico específico.

➜ O triskele

➜ Solstício de verão

Continue a ler

➜ Paganismo

➜ Xamanismo

➜ História do ocultismo

➜ Enciclopédia do Oculto

Fontes

  • Júlio César, De Bello Gallico, livro VI, 13–18.
  • Plínio, o Velho, Naturalis Historia, XVI, 249–251.
  • Ronald Hutton, Blood and Mistletoe: The History of the Druids in Britain, Yale University Press, 2009.
  • «Druid», Encyclopaedia Britannica — britannica.com

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