Os druidas eram a classe sacerdotal e sábia dos povos celtas da Gália (atual França e arredores) e das Ilhas Britânicas. Eram sacerdotes, juízes, professores e conselheiros.
O grande problema é que os druidas não deixaram nada escrito. Tudo o que sabemos vem de autores gregos e romanos, muitas vezes inimigos dos celtas, e da arqueologia.
Por isso, grande parte da imagem popular dos druidas é invenção dos séculos XVIII e XIX. Nesta página separamos o que dizem as fontes antigas do que foi acrescentado depois.
O que diz Júlio César
O testemunho mais completo é de Júlio César, na Guerra das Gálias (livro VI), escrita por volta de 50 a.C. Segundo ele:
- os druidas tratavam do culto, dos sacrifícios e das questões religiosas;
- julgavam disputas e crimes;
- estavam isentos da guerra e de impostos;
- a formação podia durar até vinte anos, decorando muitos versos;
- não escreviam os seus ensinamentos, embora usassem o alfabeto grego para outros assuntos;
- ensinavam que a alma não morre e passa para outro corpo;
- a doutrina teria nascido na Britânia.
César conquistou a Gália e tinha interesse político em descrever os gauleses. O seu relato é valioso, mas não é neutro.
O ritual do visco
A imagem mais famosa vem de Plínio, o Velho, na História Natural (século I d.C.). Conta que os druidas colhiam o visco que crescia num carvalho, no sexto dia da Lua. Um sacerdote vestido de branco cortava-o com uma foice de ouro, e sacrificavam-se dois touros brancos.
É uma única descrição, de um autor romano. Não sabemos se era um costume geral ou um caso isolado.
Sacrifícios humanos
Autores romanos acusaram os druidas de sacrifícios humanos. A arqueologia encontrou alguns indícios de mortes rituais no mundo celta, mas o tema continua a ser debatido. Os romanos também usaram estas acusações para justificar a conquista.
O fim dos druidas
Roma perseguiu os druidas. O imperador Cláudio (41–54 d.C.) proibiu a sua religião na Gália. Em 60 ou 61 d.C., segundo o historiador Tácito, o exército romano atacou a ilha de Mona (Anglesey, no País de Gales), um centro druídico.
Na Irlanda, fora do Império Romano, os druidas sobreviveram mais tempo e aparecem nos textos medievais irlandeses, escritos já por monges cristãos.
E em Portugal?
As fontes antigas não mencionam druidas na Península Ibérica. Havia povos de língua e cultura celta no território que hoje é Portugal, sobretudo no Norte e no interior, mas não sabemos se tinham druidas.
As religiões da Lusitânia e da Galécia conhecem-se por inscrições e santuários. O exemplo mais famoso é o deus Endovélico, venerado num santuário em São Miguel da Mota (Alandroal), com dezenas de inscrições da época romana.
Os druidas modernos
No século XVIII, o romantismo britânico reinventou os druidas:
- Autores como William Stukeley ligaram-nos a Stonehenge. Hoje sabemos que Stonehenge foi construído milhares de anos antes dos druidas.
- Em 1792, o galês Iolo Morganwg realizou em Londres a primeira cerimónia do Gorsedd, apresentada como antiga mas, na verdade, criada por ele.
- Nasceram ordens e sociedades druídicas, algumas fraternais, outras religiosas.
O neodruidismo atual é um movimento espiritual moderno, próximo do paganismo contemporâneo. Muitos druidas atuais reconhecem que não é uma continuação direta dos druidas antigos.
➜ Wicca
Símbolos associados
O triskele e o carvalho são muitas vezes ligados aos druidas. O triskele é de facto um motivo da arte celta, mas também aparece noutras culturas, e não há provas de que tivesse um significado druídico específico.
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Fontes
- Júlio César, De Bello Gallico, livro VI, 13–18.
- Plínio, o Velho, Naturalis Historia, XVI, 249–251.
- Ronald Hutton, Blood and Mistletoe: The History of the Druids in Britain, Yale University Press, 2009.
- «Druid», Encyclopaedia Britannica — britannica.com