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Hematite

A hematite é óxido de ferro: negra e metálica, mas com risco vermelho. Etimologia, ocre pré-histórico, Plínio, Moncorvo, «hematite magnética» e crenças.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O mineral
  3. Da pré-história a Plínio
  4. Portugal: o ferro de Moncorvo
  5. Ferro, Marte e a tradição esotérica
  6. Na crença esotérica moderna
  7. Cuidados
  8. Continue a ler
  9. Fontes

A hematite é uma pedra negra, pesada e com brilho metálico. Surpreende quem a risca numa porcelana: deixa um traço vermelho-sangue.

Foi esse vermelho que lhe deu o nome. E é também o mineral de ferro que, moído, coloriu as primeiras pinturas e sepulturas da humanidade.

Portugal tem uma das maiores jazidas de hematite da Europa, em Torre de Moncorvo.

Ficha

Característica Hematite
Nome Hematite (também «hematita»)
Composição Óxido de ferro(III), Fe₂O₃
Dureza (Mohs) 5,5 a 6,5
Cor Cinzento-aço a negro, brilho metálico; vermelho quando em pó ou terrosa
Risco (traço) Vermelho a vermelho-escuro
Onde se encontra Em todo o mundo; em Portugal, Torre de Moncorvo (Bragança)
Outros nomes «Pedra de sangue» (pelo sentido do nome grego); ocre vermelho (forma terrosa)

O mineral

A hematite é um dos principais minérios de ferro do planeta. Pode surgir em cristais brilhantes como espelho, em massas arredondadas ou em forma terrosa e vermelha.

O nome vem do grego haima, «sangue», por causa da cor do pó. É por isso que a tradição popular e esotérica lhe chama «pedra de sangue».

Atenção a uma confusão

Em inglês, bloodstone («pedra de sangue») é outra pedra: o heliotrópio, uma calcedónia verde com pintas vermelhas. Quando ler traduções, confirme de que pedra se fala.

A «hematite magnética» não é hematite

As pulseiras de contas cinzentas que se atraem umas às outras são vendidas como «hematite magnética». Na verdade são, em regra, um material sintético (por vezes chamado hematine). A hematite natural é muito pouco magnética.

Da pré-história a Plínio

O ocre vermelho é argila colorida por hematite. É um dos pigmentos mais antigos usados pelos seres humanos: há vestígios de uso com cerca de 164 000 anos nas grutas de Pinnacle Point, na África do Sul.

Há também ocre em sepulturas pré-históricas e em pinturas rupestres. Não sabemos com certeza o que significava para quem o usava; a associação ao sangue e à vida é uma interpretação provável, mas não comprovada.

No Próximo Oriente e no Mediterrâneo antigos (por exemplo em Chipre, no século XIV a.C.), a hematite polida serviu para fazer selos cilíndricos, pequenos cilindros gravados que se rolavam sobre o barro.

No século I, Plínio, o Velho descreveu a haematites na sua História Natural (livro 36). Explica que se encontra em minas e que, queimada, fica da cor do mínio. Enumera também usos medicinais da época, para os olhos e hemorragias, entre outros.

Esses usos pertencem à medicina antiga. Hoje não têm valor médico e a hematite não deve ser ingerida.

Portugal: o ferro de Moncorvo

As minas de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, estão entre os maiores depósitos de ferro da Europa. O minério é sobretudo hematite.

O ferro ali era recolhido desde a Idade do Ferro. A exploração industrial atingiu o auge nos anos 1950, quando as minas eram o maior empregador da região.

Ferro, Marte e a tradição esotérica

Na alquimia e na astrologia tradicionais, cada metal tinha um planeta. O ferro pertencia a Marte, o planeta vermelho do deus da guerra.

Por ser minério de ferro e dar pó vermelho, a hematite ficou ligada a Marte nas listas esotéricas modernas. Por coincidência curiosa, existe mesmo hematite em Marte: as sondas da NASA detetaram-na, incluindo pequenas esferas a que os cientistas chamaram blueberries.

➜ Símbolos dos planetas

➜ Marte na astrologia

Na crença esotérica moderna

Na tradição esotérica moderna, a hematite é associada a:

  • «enraizamento» e estabilidade, pelo peso e pela ligação à terra;
  • proteção, por ser escura e espelhada;
  • coragem e força, através de Marte e do ferro;
  • o sangue e a vitalidade, pelo nome.

São crenças e correspondências simbólicas. Não há prova científica de efeitos físicos ou terapêuticos. Em particular, a hematite não trata anemia nem problemas de circulação: para isso, consulte um médico.

➜ Cristais para proteção

Cuidados

  • Frágil apesar de pesada: pode lascar com quedas.
  • Água: evite deixá-la de molho; seque bem, para não criar manchas de ferrugem.
  • Sal: não a guarde em sal grosso, que favorece a oxidação e risca o polimento.
  • Pó: não ingerir, nem pôr em água para beber.

➜ Como limpar cristais

Continue a ler

➜ Olho-de-tigre

➜ Obsidiana

➜ Turmalina negra

➜ Todos os cristais

Fontes

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