A hematite é uma pedra negra, pesada e com brilho metálico. Surpreende quem a risca numa porcelana: deixa um traço vermelho-sangue.
Foi esse vermelho que lhe deu o nome. E é também o mineral de ferro que, moído, coloriu as primeiras pinturas e sepulturas da humanidade.
Portugal tem uma das maiores jazidas de hematite da Europa, em Torre de Moncorvo.
Ficha
| Característica | Hematite |
|---|---|
| Nome | Hematite (também «hematita») |
| Composição | Óxido de ferro(III), Fe₂O₃ |
| Dureza (Mohs) | 5,5 a 6,5 |
| Cor | Cinzento-aço a negro, brilho metálico; vermelho quando em pó ou terrosa |
| Risco (traço) | Vermelho a vermelho-escuro |
| Onde se encontra | Em todo o mundo; em Portugal, Torre de Moncorvo (Bragança) |
| Outros nomes | «Pedra de sangue» (pelo sentido do nome grego); ocre vermelho (forma terrosa) |
O mineral
A hematite é um dos principais minérios de ferro do planeta. Pode surgir em cristais brilhantes como espelho, em massas arredondadas ou em forma terrosa e vermelha.
O nome vem do grego haima, «sangue», por causa da cor do pó. É por isso que a tradição popular e esotérica lhe chama «pedra de sangue».
Atenção a uma confusão
Em inglês, bloodstone («pedra de sangue») é outra pedra: o heliotrópio, uma calcedónia verde com pintas vermelhas. Quando ler traduções, confirme de que pedra se fala.
A «hematite magnética» não é hematite
As pulseiras de contas cinzentas que se atraem umas às outras são vendidas como «hematite magnética». Na verdade são, em regra, um material sintético (por vezes chamado hematine). A hematite natural é muito pouco magnética.
Da pré-história a Plínio
O ocre vermelho é argila colorida por hematite. É um dos pigmentos mais antigos usados pelos seres humanos: há vestígios de uso com cerca de 164 000 anos nas grutas de Pinnacle Point, na África do Sul.
Há também ocre em sepulturas pré-históricas e em pinturas rupestres. Não sabemos com certeza o que significava para quem o usava; a associação ao sangue e à vida é uma interpretação provável, mas não comprovada.
No Próximo Oriente e no Mediterrâneo antigos (por exemplo em Chipre, no século XIV a.C.), a hematite polida serviu para fazer selos cilíndricos, pequenos cilindros gravados que se rolavam sobre o barro.
No século I, Plínio, o Velho descreveu a haematites na sua História Natural (livro 36). Explica que se encontra em minas e que, queimada, fica da cor do mínio. Enumera também usos medicinais da época, para os olhos e hemorragias, entre outros.
Esses usos pertencem à medicina antiga. Hoje não têm valor médico e a hematite não deve ser ingerida.
Portugal: o ferro de Moncorvo
As minas de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, estão entre os maiores depósitos de ferro da Europa. O minério é sobretudo hematite.
O ferro ali era recolhido desde a Idade do Ferro. A exploração industrial atingiu o auge nos anos 1950, quando as minas eram o maior empregador da região.
Ferro, Marte e a tradição esotérica
Na alquimia e na astrologia tradicionais, cada metal tinha um planeta. O ferro pertencia a Marte, o planeta vermelho do deus da guerra.
Por ser minério de ferro e dar pó vermelho, a hematite ficou ligada a Marte nas listas esotéricas modernas. Por coincidência curiosa, existe mesmo hematite em Marte: as sondas da NASA detetaram-na, incluindo pequenas esferas a que os cientistas chamaram blueberries.
Na crença esotérica moderna
Na tradição esotérica moderna, a hematite é associada a:
- «enraizamento» e estabilidade, pelo peso e pela ligação à terra;
- proteção, por ser escura e espelhada;
- coragem e força, através de Marte e do ferro;
- o sangue e a vitalidade, pelo nome.
São crenças e correspondências simbólicas. Não há prova científica de efeitos físicos ou terapêuticos. Em particular, a hematite não trata anemia nem problemas de circulação: para isso, consulte um médico.
Cuidados
- Frágil apesar de pesada: pode lascar com quedas.
- Água: evite deixá-la de molho; seque bem, para não criar manchas de ferrugem.
- Sal: não a guarde em sal grosso, que favorece a oxidação e risca o polimento.
- Pó: não ingerir, nem pôr em água para beber.
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Fontes
- «Hematite», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Hematita», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- Plínio, o Velho, Naturalis Historia, livro 36, 144–148 — penelope.uchicago.edu
- «Torre de Moncorvo mines», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Cylinder seal», Wikipedia — en.wikipedia.org