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💎 Cristais

Lápis-lazúli

O lápis-lazúli vem do Badaquistão há mais de 6000 anos. Composição, Egito, Mesopotâmia, o pigmento azul ultramarino, crenças e como detetar imitações.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que é a pedra
  3. As minas de Sar-i Sang
  4. Egito e Mesopotâmia
  5. O azul ultramarino: mais caro do que o ouro
  6. Na tradição esotérica moderna
  7. Cuidados
  8. Como detetar imitações
  9. Continue a ler
  10. Fontes

O lápis-lazúli é o azul profundo com pontos dourados que decorou a máscara de Tutankhamon e o manto da Virgem nas pinturas do Renascimento.

É também uma pedra com ligação direta à nossa língua: a palavra portuguesa «azul» vem, através do árabe, do persa lāžward, o nome desta pedra.

Nesta página separamos o que é facto histórico e mineralógico do que é crença da tradição esotérica moderna.

Ficha

Característica Lápis-lazúli
Nome Lápis-lazúli
Composição Rocha, não um mineral único: lazurite (azul), com calcite (branca), sodalite e pirite (dourada)
Dureza (Mohs) Cerca de 5 a 5,5
Cor Azul-escuro a azul-violeta, com manchas brancas e pontos dourados
Onde se encontra Sobretudo Badaquistão (Afeganistão); também Chile e Rússia
Outros nomes Lazulite (nome antigo), «safira» nos textos antigos

O que é a pedra

Tecnicamente, o lápis-lazúli é uma rocha metamórfica. A cor azul vem da lazurite, que forma normalmente 25 a 40 % da pedra.

As manchas brancas são calcite. Os pontinhos dourados são pirite, o «ouro dos tolos». Quanto mais uniforme e intenso o azul, e menos calcite, mais valiosa é a pedra.

➜ Pirite

As minas de Sar-i Sang

As minas de Sar-i Sang, no Badaquistão (nordeste do Afeganistão), são exploradas há mais de 6000 anos. Continuam a ser a principal fonte da pedra.

Dali, a pedra seguia por rotas comerciais até ao Indo, à Mesopotâmia e ao Egito, a milhares de quilómetros.

Egito e Mesopotâmia

Na Mesopotâmia, os túmulos reais de Ur (III milénio a.C.) guardavam punhais, taças, contas e incrustações de lápis-lazúli. A pedra é mencionada na Epopeia de Gilgamesh.

No Egito, o lápis-lazúli era usado em amuletos e joias desde o período de Naqada (cerca de 3300–3100 a.C.). A máscara funerária de Tutankhamon tem incrustações desta pedra.

Os autores antigos chamavam-lhe muitas vezes «safira». Plínio, o Velho, descreveu-a como opaca e salpicada de pontos de ouro. Por isso, quando um texto antigo fala de «safira», nem sempre se trata da safira moderna.

➜ Magia egípcia

➜ Escaravelho

O azul ultramarino: mais caro do que o ouro

Moído e purificado, o lápis-lazúli dá o pigmento azul ultramarino. O nome vem do latim ultramarinus, «de além-mar», porque chegava à Europa pelas mãos de mercadores italianos.

Já nos séculos VI e VII, templos budistas e zoroastrianos no Afeganistão tinham pinturas com lápis-lazúli. Na Europa, o método de extração do pigmento está documentado a partir do início do século XIII.

No Renascimento, o ultramarino chegou a valer tanto como o ouro. Os pintores reservavam-no para as figuras centrais, sobretudo o manto da Virgem Maria. O pintor Cennino Cennini chamou-lhe um pigmento «glorioso, belo e absolutamente perfeito».

Em 1824, uma sociedade industrial francesa ofereceu 6000 francos a quem produzisse ultramarino artificial. Jean-Baptiste Guimet conseguiu-o em 1826. Desde então, o ultramarino sintético tornou-se barato e comum.

Na tradição esotérica moderna

Na tradição esotérica moderna, o lápis-lazúli é associado a:

  • sabedoria, verdade e comunicação;
  • intuição e ao chamado «terceiro olho»;
  • nobreza e realeza, eco do seu uso pelos faraós.

Estas associações são interpretações modernas, influenciadas pela história da pedra. Não têm base científica nem substituem acompanhamento médico ou psicológico.

➜ Como abrir o terceiro olho

Cuidados

  • É relativamente macio: evite choques e guarde-o separado de pedras mais duras.
  • Não o mergulhe muito tempo em água, nem use sal, ácidos ou produtos de limpeza. A calcite reage aos ácidos e o polimento perde brilho.
  • Limpe com um pano macio ligeiramente húmido e seque logo.

➜ Como limpar cristais

Como detetar imitações

  • Jaspe ou howlite tingidos são vendidos como lápis-lazúli. A cor pode sair num algodão com acetona, em zona discreta.
  • Lápis sintético ou reconstituído: pó prensado com resina, de azul demasiado uniforme.
  • A sodalite, azul e mais barata, é por vezes confundida com ele. Tem mais veios brancos e raramente pirite.

Continue a ler

➜ Vela azul

➜ Pedra-da-lua

➜ Como usar cristais na magia

➜ Todos os cristais

Fontes

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