O lápis-lazúli é o azul profundo com pontos dourados que decorou a máscara de Tutankhamon e o manto da Virgem nas pinturas do Renascimento.
É também uma pedra com ligação direta à nossa língua: a palavra portuguesa «azul» vem, através do árabe, do persa lāžward, o nome desta pedra.
Nesta página separamos o que é facto histórico e mineralógico do que é crença da tradição esotérica moderna.
Ficha
| Característica | Lápis-lazúli |
|---|---|
| Nome | Lápis-lazúli |
| Composição | Rocha, não um mineral único: lazurite (azul), com calcite (branca), sodalite e pirite (dourada) |
| Dureza (Mohs) | Cerca de 5 a 5,5 |
| Cor | Azul-escuro a azul-violeta, com manchas brancas e pontos dourados |
| Onde se encontra | Sobretudo Badaquistão (Afeganistão); também Chile e Rússia |
| Outros nomes | Lazulite (nome antigo), «safira» nos textos antigos |
O que é a pedra
Tecnicamente, o lápis-lazúli é uma rocha metamórfica. A cor azul vem da lazurite, que forma normalmente 25 a 40 % da pedra.
As manchas brancas são calcite. Os pontinhos dourados são pirite, o «ouro dos tolos». Quanto mais uniforme e intenso o azul, e menos calcite, mais valiosa é a pedra.
➜ Pirite
As minas de Sar-i Sang
As minas de Sar-i Sang, no Badaquistão (nordeste do Afeganistão), são exploradas há mais de 6000 anos. Continuam a ser a principal fonte da pedra.
Dali, a pedra seguia por rotas comerciais até ao Indo, à Mesopotâmia e ao Egito, a milhares de quilómetros.
Egito e Mesopotâmia
Na Mesopotâmia, os túmulos reais de Ur (III milénio a.C.) guardavam punhais, taças, contas e incrustações de lápis-lazúli. A pedra é mencionada na Epopeia de Gilgamesh.
No Egito, o lápis-lazúli era usado em amuletos e joias desde o período de Naqada (cerca de 3300–3100 a.C.). A máscara funerária de Tutankhamon tem incrustações desta pedra.
Os autores antigos chamavam-lhe muitas vezes «safira». Plínio, o Velho, descreveu-a como opaca e salpicada de pontos de ouro. Por isso, quando um texto antigo fala de «safira», nem sempre se trata da safira moderna.
O azul ultramarino: mais caro do que o ouro
Moído e purificado, o lápis-lazúli dá o pigmento azul ultramarino. O nome vem do latim ultramarinus, «de além-mar», porque chegava à Europa pelas mãos de mercadores italianos.
Já nos séculos VI e VII, templos budistas e zoroastrianos no Afeganistão tinham pinturas com lápis-lazúli. Na Europa, o método de extração do pigmento está documentado a partir do início do século XIII.
No Renascimento, o ultramarino chegou a valer tanto como o ouro. Os pintores reservavam-no para as figuras centrais, sobretudo o manto da Virgem Maria. O pintor Cennino Cennini chamou-lhe um pigmento «glorioso, belo e absolutamente perfeito».
Em 1824, uma sociedade industrial francesa ofereceu 6000 francos a quem produzisse ultramarino artificial. Jean-Baptiste Guimet conseguiu-o em 1826. Desde então, o ultramarino sintético tornou-se barato e comum.
Na tradição esotérica moderna
Na tradição esotérica moderna, o lápis-lazúli é associado a:
- sabedoria, verdade e comunicação;
- intuição e ao chamado «terceiro olho»;
- nobreza e realeza, eco do seu uso pelos faraós.
Estas associações são interpretações modernas, influenciadas pela história da pedra. Não têm base científica nem substituem acompanhamento médico ou psicológico.
Cuidados
- É relativamente macio: evite choques e guarde-o separado de pedras mais duras.
- Não o mergulhe muito tempo em água, nem use sal, ácidos ou produtos de limpeza. A calcite reage aos ácidos e o polimento perde brilho.
- Limpe com um pano macio ligeiramente húmido e seque logo.
Como detetar imitações
- Jaspe ou howlite tingidos são vendidos como lápis-lazúli. A cor pode sair num algodão com acetona, em zona discreta.
- Lápis sintético ou reconstituído: pó prensado com resina, de azul demasiado uniforme.
- A sodalite, azul e mais barata, é por vezes confundida com ele. Tem mais veios brancos e raramente pirite.
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Fontes
- «Lapis lazuli», Wikipedia — en.wikipedia.org/wiki/Lapis_lazuli
- «Lápis-lazúli», Wikipédia — pt.wikipedia.org/wiki/Lápis-lazúli
- «Ultramarine», Wikipedia — en.wikipedia.org/wiki/Ultramarine
- Plínio, o Velho, História Natural, livro XXXVII