À primeira vista, a labradorita é uma pedra cinzenta e discreta. Mas basta rodá-la à luz para aparecerem clarões azuis, verdes, dourados ou até cor de laranja.
Esse jogo de cores tem nome próprio, labradorescência, e uma explicação física muito bonita. A tradição esotérica moderna fez dele um símbolo de intuição e de «magia».
O que é a labradorita
| Característica | Labradorita |
|---|---|
| Mineral | Feldspato plagioclase |
| Composição | Aluminossilicato de cálcio e sódio |
| Dureza (Mohs) | 6 a 6,5 |
| Cor de fundo | Cinzenta a escura |
| Efeito ótico | Labradorescência (reflexos coloridos) |
| Origens | Canadá, Finlândia, Madagáscar, Noruega, entre outras |
Os feldspatos são os minerais mais abundantes da crosta terrestre. A labradorita é um feldspato rico em cálcio, típico de rochas escuras como o gabro e o anortosito.
Porque brilha: a labradorescência
Quando a rocha arrefece muito devagar, o feldspato separa-se em camadas finíssimas de composição ligeiramente diferente, com a espessura de uma fração da luz visível.
A luz reflete-se nessas camadas e as ondas interferem entre si, como numa bolha de sabão ou na asa de uma borboleta. Por isso a cor só aparece num certo ângulo e muda quando se roda a pedra.
O nome e a história
O nome vem da península do Labrador, no Canadá. A localidade-tipo é a ilha de Paul, perto de Nain, onde o mineral foi descrito pela primeira vez.
Na Finlândia, em Ylämaa, descobriu-se em 1940 uma variedade de cores especialmente vivas, a espectrolite. Deu origem a uma pequena indústria local de lapidação depois da Segunda Guerra Mundial.
Circulam na internet «lendas inuítes» sobre a origem da labradorita, mas não encontrámos fonte fiável que as documente, por isso não as reproduzimos.
Na tradição esotérica moderna
Na tradição esotérica moderna, a labradorita é associada a:
- intuição e perceção;
- proteção da «aura»;
- momentos de mudança e transformação;
- a ideia de «magia escondida», por causa das cores que só aparecem de certos ângulos.
São crenças inspiradas no próprio aspeto da pedra. A cristaloterapia não tem comprovação científica.
➜ A aura
Cuidados práticos
- Clivagem: a labradorita parte-se com facilidade ao longo de planos internos. Evite pancadas e ultrassons.
- Água: pode lavar-se rapidamente com água morna e sabão neutro. Não a deixe de molho: as fissuras podem reter água.
- Sal e produtos químicos: evite; riscam ou baçam o polimento.
- Sol: não desbota, mas o calor forte e as mudanças bruscas de temperatura podem fissurá-la.
Como distinguir
- O teste do ângulo: na labradorita verdadeira, a cor aparece e desaparece quando se roda a pedra. Se a cor é igual de todos os ângulos, desconfie.
- Vidro e plástico iridescentes: têm brilho à superfície, sem profundidade, e muitas vezes bolhas.
- Pedras com película: alguns cristais são revestidos com uma camada metálica que dá reflexos azuis («aqua aura» e semelhantes). Esses brilhos são artificiais.
- Pedra da lua: também é feldspato, mas o brilho é branco-azulado e leitoso, não em manchas coloridas.
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Fontes
- «Labradorite», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Crystal healing», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Moonstone», GIA (sobre os feldspatos com efeitos óticos) — gia.edu