A obsidiana é a pedra negra e espelhada que a tradição esotérica moderna associa à proteção e ao autoconhecimento. É uma das «pedras» mais antigas da história humana.
Tecnicamente, não é um mineral: é vidro natural, formado quando a lava arrefece tão depressa que não tem tempo de cristalizar. Portugal tem obsidiana nos Açores.
O que é a obsidiana
| Característica | Obsidiana |
|---|---|
| Tipo | Vidro vulcânico (mineraloide, não é cristal) |
| Composição | 70 % ou mais de sílica (SiO₂), com outros óxidos |
| Dureza (Mohs) | 5 a 6 |
| Fratura | Concoide, com arestas muito afiadas |
| Cor | Negra; também castanha, cinzenta ou com reflexos |
| Em Portugal | Açores, por exemplo no Pico Alto (ilha Terceira) |
Como não tem estrutura cristalina, a obsidiana parte-se em conchas curvas com gumes afiadíssimos. Por isso foi usada durante milénios para facas, pontas de lança e lâminas.
As variedades
- Obsidiana floco-de-neve: manchas brancas de cristobalite, um mineral que começou a cristalizar dentro do vidro.
- Obsidiana arco-íris: existe de facto, sobretudo no México. As faixas coloridas vêm de nanocristais que refletem a luz, como numa bolha de sabão.
- Obsidiana dourada ou prateada: brilho causado por pequenas bolhas ou cristais alinhados.
História e simbolismo
Plínio, o Velho, contava que o nome vinha de um explorador chamado Obsídio, que a teria encontrado na Etiópia.
Na Mesoamérica, a obsidiana era essencial. Os sacerdotes astecas usavam espelhos de obsidiana para adivinhação, ligados ao deus Tezcatlipoca, cujo nome se traduz por «espelho fumegante».
Um desses espelhos mexicanos chegou à Europa e pertenceu a John Dee (1527–1608/9), o matemático e ocultista da corte de Isabel I de Inglaterra. É hoje uma das peças mais célebres da história da magia.
Na tradição esotérica moderna
Na tradição esotérica moderna, a obsidiana negra é associada a:
- proteção e «escudo» contra energias negativas;
- confrontar emoções difíceis e autoconhecimento, como um espelho;
- os espelhos negros usados em contemplação.
São crenças, e a cristaloterapia não tem comprovação científica. Se atravessa um momento emocional difícil, a obsidiana pode ser um símbolo, mas não substitui a conversa com um psicólogo.
Cuidados práticos
- Cuidado com os dedos: peças em bruto e lascadas cortam como uma lâmina. Mantenha-as longe de crianças.
- Frágil: parte-se com quedas e com choques entre pedras. Embrulhe-a num pano.
- Água: aguenta água morna e sabão neutro. Seque bem.
- Sal: evite esfregá-la em sal grosso, que risca o polimento.
Como distinguir a verdadeira da falsa
A obsidiana é vidro, por isso o vidro fabricado imita-a com facilidade.
- Obsidiana negra natural: vista contra a luz, nas arestas finas fica acastanhada ou cinzenta, raramente perfeitamente transparente.
- «Obsidiana» azul, verde, vermelha ou roxa, muito transparente: é, em regra, vidro fabricado. Um exemplo conhecido é a helenite, vidro feito com cinza do monte Santa Helena e vendido como «obsidianite».
- Arco-íris artificial: faixas coloridas demasiado vivas e regulares, ou cor só à superfície, indicam vidro tratado.
- Nomes comerciais: «obsidiana-andara» ou «obsidiana cristalina» não são nomes mineralógicos. Pergunte sempre a origem.
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Fontes
- «Obsidian», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Obsidiana», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Helenite», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Crystal healing», Wikipedia — en.wikipedia.org