A cornalina é uma pedra laranja a vermelho-acastanhada, translúcida, que brilha como uma brasa quando posta contra a luz. É uma das pedras mais antigas da joalharia humana.
Ao contrário de muitos «cristais» modernos, a cornalina tem uma história documentada de milhares de anos: contas no vale do Indo, amuletos no Egito, selos gravados em Roma. Esta página separa essa história das crenças que hoje se lhe atribuem.
Ficha
| Característica | Cornalina |
|---|---|
| Nome | Cornalina (também «coralina») |
| Mineral | Calcedónia (quartzo microcristalino) |
| Composição | Dióxido de silício (SiO₂) |
| Dureza (Mohs) | 6,5 a 7 |
| Cor | Laranja-pálido a vermelho-acastanhado |
| Causa da cor | Impurezas de óxido de ferro |
| Onde se encontra | Índia, Brasil, Sri Lanka, Peru, Indonésia, Irão, Rússia, Alemanha |
| Pedra aparentada | Sárdio (sard), mais escuro e acastanhado |
O mineral
A cornalina não é um cristal grande com faces, como o quartzo transparente. É calcedónia: quartzo formado por cristais tão pequenos que só se veem ao microscópio. Por isso tem aspeto ceroso e liso, e não pontas.
A cor vem do ferro. A fronteira entre cornalina e sárdio não é rígida: em geral, chama-se sárdio à pedra mais escura e acastanhada, e cornalina à mais laranja e viva. Muitas vezes os nomes misturam-se.
O nome tem uma origem curiosa. Vem do latim medieval corneolus, ligado a cornum, o fruto do corniso (Cornus mas), uma baga vermelha e translúcida parecida com a pedra. Mais tarde, por associação com o latim caro, carnis («carne»), a grafia mudou em várias línguas.
Uma pedra com 7000 anos de história
Vale do Indo e Mehrgarh
Em Mehrgarh (atual Paquistão), entre o 5.º e o 4.º milénio a.C., já se furava cornalina com arco de pua. Mais tarde, a civilização do Vale do Indo (3.º milénio a.C.) fabricou contas de cornalina gravadas com desenhos brancos, que chegaram até à Mesopotâmia.
Egito: o nó de Ísis
No Egito antigo, a cornalina era uma das pedras vermelhas usadas em amuletos. O tyet ou «nó de Ísis» era feito muitas vezes de jaspe vermelho, cornalina ou vidro vermelho. O capítulo 156 do chamado Livro dos Mortos está associado a este amuleto e pede a proteção de Ísis para o corpo do defunto.
Creta minoica e Roma: os selos
Na Creta minoica (cerca de 1800 a.C.) já se usava em artes decorativas. Em Roma, a cornalina era uma das pedras preferidas para selos gravados em anéis de sinete. Há uma razão prática: a cera quente não se agarra à pedra, o que dava impressões limpas nos documentos.
Este é um facto histórico e é o melhor exemplo de como uma propriedade física deu fama a uma pedra.
➜ Diferença entre amuleto e talismã
O anel de cornalina no Islão
No mundo islâmico, os anéis de cornalina (aqiq, em árabe) têm grande prestígio, sobretudo na tradição xiita, mas também entre sunitas. Diz-se que o Profeta Maomé usava um anel com cornalina engastada em prata.
É preciso cuidado com esta afirmação. Uma coleção de hadith considerada fiável (a de Muslim) refere que o anel tinha uma «pedra abissínia», e os estudiosos discutem se seria ónix, cornalina ou outra pedra. Vários juristas islâmicos afirmam que os ditos atribuídos ao Profeta sobre anéis de cornalina não estão autenticados. Portanto: a tradição é real e viva; a atribuição a Maomé é tradição religiosa discutida, não facto documentado.
Na tradição esotérica moderna
Na literatura esotérica moderna, a cornalina é ligada à coragem, à vitalidade e à criatividade. Estas ideias vêm sobretudo do simbolismo da cor: o laranja e o vermelho do fogo e do sangue.
São crenças e convenções simbólicas, sem base mineralógica. A cristaloterapia não tem comprovação científica, e nenhuma pedra substitui um médico ou um psicólogo.
Imitações e tratamentos
A cor da cornalina é muitas vezes reforçada por aquecimento, uma prática com séculos: o calor intensifica o vermelho dado pelo ferro. Desde o século XIX, em Idar-Oberstein (Alemanha), também se tinge ágata de vermelho com sais de ferro, e o resultado vende-se às vezes como cornalina.
Sinais de alerta, de forma aproximada:
- Bandas muito marcadas e cor forte e uniforme: pode ser ágata tingida.
- Cor que se concentra em fissuras: sinal de corante.
- Preço muito baixo para peças grandes e muito vivas.
Só um gemólogo dá certezas.
Cuidados
- Água: pode lavar-se com água morna e sabão neutro. Seque bem.
- Sol: a exposição prolongada pode desbotar pedras tingidas.
- Pancadas: é dura, mas lascas nas arestas são comuns em contas antigas.
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➜ Hematite
➜ Ónix
Fontes
- «Carnelian», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Tyet», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Agate» (tratamentos e Idar-Oberstein), Wikipedia — en.wikipedia.org
- «What kind of stone was on the Prophet's ring?», Qibla / IslamQA — islamqa.org
- «Aqeeq», Wikipedia — en.wikipedia.org