A pedra-da-lua tem um brilho que parece mexer-se por dentro da pedra, como luar refletido na água. Foi esse brilho que lhe deu o nome e grande parte das crenças que a rodeiam.
Esse efeito tem uma explicação física precisa, e um nome próprio: adularescência.
Nesta página vemos primeiro o mineral, depois a história e, por fim, o que diz a tradição esotérica moderna, bem separada dos factos.
Ficha
| Característica | Pedra-da-lua |
|---|---|
| Nome | Pedra-da-lua |
| Composição | Feldspato: silicato de alumínio, sódio e potássio, (Na,K)AlSi₃O₈ |
| Dureza (Mohs) | 6 a 6,5 |
| Cor | Incolor, branca, cinzenta, pêssego, castanha ou esverdeada, com reflexo azulado ou branco |
| Onde se encontra | Sobretudo Sri Lanka; também Índia, Myanmar e Madagáscar |
| Outros nomes | Adulária (variedade); «pedra-da-lua arco-íris» é, na verdade, labradorite |
O mineral
A pedra-da-lua pertence aos feldspatos, o grupo de minerais mais comum da crosta terrestre: formam mais de metade das rochas da Terra. O raro não é o mineral, é a pedra de boa qualidade.
Uma variedade chama-se adulária. O nome vem de uma antiga zona mineira perto do monte Adula, na Suíça, na região do São Gotardo.
O que é a adularescência
Quando a pedra se forma, dois feldspatos, a ortóclase e a albite, separam-se em camadas finíssimas e alternadas, com cerca de meio mícron de espessura.
A luz que entra na pedra dispersa-se entre essas camadas e cria o brilho flutuante. Quanto mais finas as camadas, mais azulado é o reflexo. Camadas mais grossas dão um brilho branco.
Algumas pedras mostram também um efeito de «olho de gato», uma linha de luz que se desloca quando se roda a pedra.
«Pedra-da-lua arco-íris»
A pedra branca com reflexos azuis, roxos e coloridos vendida como «pedra-da-lua arco-íris» é, mineralogicamente, uma labradorite clara. É bonita, mas não é o mesmo mineral.
História
Os romanos acreditavam que a pedra-da-lua era feita de raios de luar solidificados e associavam-na às divindades da Lua. É uma crença antiga, não um facto: a pedra forma-se nas rochas, como qualquer feldspato.
Na viragem do século XIX para o XX, a pedra-da-lua ficou na moda com a Arte Nova. Joalheiros como René Lalique usaram-na muitas vezes.
Nos Estados Unidos, o estado da Flórida adotou-a em 1970 como pedra oficial, em homenagem às missões à Lua, apesar de ela não existir naturalmente na Flórida.
É também uma das pedras de junho na lista moderna de pedras do mês de nascimento, uma convenção comercial do século XX.
Na tradição esotérica moderna
O próprio nome ligou a pedra ao simbolismo lunar. Na tradição esotérica moderna, é associada a:
- intuição, sonhos e ciclos;
- o feminino e a figura da deusa lunar;
- práticas feitas em lua cheia ou lua nova.
Estas associações são interpretações simbólicas. As fases da Lua são um facto astronómico; o efeito da Lua sobre uma pedra ou sobre uma pessoa é uma crença, sem demonstração científica.
Cuidados
- A pedra-da-lua tem clivagem: pode rachar com uma pancada seca. Cuidado com anéis e pulseiras.
- Limpe com água morna e sabão neutro, pano macio. Seque bem.
- Evite ultrassons, vapor e mudanças bruscas de temperatura.
- Guarde-a separada de pedras mais duras.
Imitações
- Vidro opalino e plásticos imitam o brilho, mas este fica «parado» e igual em todos os ângulos.
- Na pedra verdadeira, o reflexo move-se quando se inclina a pedra e aparece sobretudo numa direção.
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➜ Selenita
Fontes
- «Moonstone (gemstone)», Wikipedia — en.wikipedia.org/wiki/Moonstone_(gemstone)
- «Moonstone», GIA (Gemological Institute of America) — gia.edu/moonstone