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🌿 Ervas

Salva comum (Salvia officinalis): a erva «que salva»

Ficha da salva comum (Salvia officinalis): a erva «que salva», o uso romano e medieval, a tradição mediterrânica, a diferença para a salva-branca e os cuidados.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Salva ou salva-branca?
  3. História
  4. Na tradição mediterrânica e portuguesa
  5. Na tradição esotérica
  6. Precauções
  7. Continue a ler
  8. Fontes

A salva é uma das ervas aromáticas mais antigas dos jardins da Europa. Em Portugal cresce em vasos, hortas e quintais, e usa-se na cozinha e em infusões populares.

O nome diz muito: salvia está ligado, em latim, à ideia de salvar e curar. Na Idade Média chegou a ser chamada salvatrix, «a salvadora».

Nesta ficha falamos da salva comum (Salvia officinalis). Não é a mesma planta que a salva-branca (Salvia apiana) dos molhos de defumação à venda nas lojas esotéricas.

➜ Salva-branca (white sage): origem, problemas e alternativas

Ficha

Campo Informação
Nome comum Salva, sálvia, salva-das-boticas
Nome científico Salvia officinalis
Família Lamiáceas (a do alecrim, da hortelã e do tomilho)
Origem Região mediterrânica
Partes usadas na tradição Folhas, frescas ou secas
Toxicidade O óleo essencial contém tujona, tóxica em doses altas

Salva ou salva-branca?

Em inglês, as duas chamam-se sage, e daí vem muita confusão.

Planta Diferença
Salva comum (S. officinalis) Mediterrânica, cultivada na Europa há séculos, usada na cozinha
Salva-branca (S. apiana) Da Califórnia, sagrada para povos indígenas, hoje sobre-explorada

Quem procura uma planta de defumação próxima da tradição europeia, e sem os problemas da colheita selvagem na Califórnia, pode cultivar a salva comum em casa.

História

Os romanos

Os romanos tinham a salva em grande consideração. Plínio, o Velho, na História Natural (séc. I), descreve vários usos da planta na medicina da época.

O nome latino salvia é geralmente ligado ao verbo salvare, «salvar», ou a salvus, «são, de boa saúde».

Idade Média

Na Idade Média a salva era cultivada nos jardins dos mosteiros. O imperador Carlos Magno recomendou o seu cultivo nas propriedades do império carolíngio (séc. VIII–IX).

O herbalista inglês John Gerard, no seu Herball de 1597, elogiou a salva como boa «para a cabeça e o cérebro». São opiniões da medicina antiga, não conhecimento médico atual.

O epíteto officinalis indica as plantas que tinham lugar na officina, a botica onde se preparavam remédios.

Na tradição mediterrânica e portuguesa

Na tradição popular do Mediterrâneo, a salva foi sempre uma erva de casa e de horta: tempero, chá, planta de jardim.

Em Portugal, é usada sobretudo:

  • na cozinha, com carnes de porco, aves e caça;
  • em infusões populares, pelo sabor;
  • como planta aromática de vaso e de quintal.

Na tradição esotérica

Na tradição esotérica moderna, a salva comum é associada a:

  • limpeza e purificação de espaços, em defumações;
  • proteção da casa;
  • sabedoria — em inglês, sage também quer dizer «sábio», um jogo de palavras que muitos autores modernos exploram.

Estas associações são crença e simbolismo. O jogo de palavras com «sábio» não é uma tradição antiga: vem da língua inglesa. Nenhum uso garante resultados.

➜ Defumação espiritual

➜ Ervas de proteção

Precauções

  • Tujona: o óleo essencial da salva contém tujona, uma substância que, em doses altas, é tóxica para o sistema nervoso e pode causar convulsões. Nunca ingira o óleo essencial.
  • Como tempero, em pequenas quantidades, a salva é de uso corrente. Chás concentrados ou tomados durante muito tempo não são recomendados sem conselho médico.
  • Gravidez, amamentação e epilepsia: evite chás e óleo essencial. Fale com o seu médico.
  • Crianças: não dê chás de salva nem óleo essencial a crianças.
  • Pele: o óleo essencial, mesmo diluído, pode irritar peles sensíveis.
  • Queimar folhas: as folhas secas ardem depressa e soltam faúlhas. Queime num recipiente de barro ou metal, com a janela aberta, longe de cortinas, nunca sem vigilância. Evite o fumo perto de crianças, animais e pessoas com asma.

Nenhuma prática espiritual substitui o médico. Se tem um problema de saúde, consulte um profissional.

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Continue a ler

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Fontes

  • «Salvia officinalis», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Plínio, o Velho, História Natural (séc. I)
  • John Gerard, The Herball, or Generall Historie of Plantes (1597)
  • Comité dos Medicamentos à Base de Plantas (HMPC), Agência Europeia de Medicamentos — avaliação de Salvia officinalis (limite de exposição à tujona)

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