A salva é uma das ervas aromáticas mais antigas dos jardins da Europa. Em Portugal cresce em vasos, hortas e quintais, e usa-se na cozinha e em infusões populares.
O nome diz muito: salvia está ligado, em latim, à ideia de salvar e curar. Na Idade Média chegou a ser chamada salvatrix, «a salvadora».
Nesta ficha falamos da salva comum (Salvia officinalis). Não é a mesma planta que a salva-branca (Salvia apiana) dos molhos de defumação à venda nas lojas esotéricas.
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Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome comum | Salva, sálvia, salva-das-boticas |
| Nome científico | Salvia officinalis |
| Família | Lamiáceas (a do alecrim, da hortelã e do tomilho) |
| Origem | Região mediterrânica |
| Partes usadas na tradição | Folhas, frescas ou secas |
| Toxicidade | O óleo essencial contém tujona, tóxica em doses altas |
Salva ou salva-branca?
Em inglês, as duas chamam-se sage, e daí vem muita confusão.
| Planta | Diferença |
|---|---|
| Salva comum (S. officinalis) | Mediterrânica, cultivada na Europa há séculos, usada na cozinha |
| Salva-branca (S. apiana) | Da Califórnia, sagrada para povos indígenas, hoje sobre-explorada |
Quem procura uma planta de defumação próxima da tradição europeia, e sem os problemas da colheita selvagem na Califórnia, pode cultivar a salva comum em casa.
História
Os romanos
Os romanos tinham a salva em grande consideração. Plínio, o Velho, na História Natural (séc. I), descreve vários usos da planta na medicina da época.
O nome latino salvia é geralmente ligado ao verbo salvare, «salvar», ou a salvus, «são, de boa saúde».
Idade Média
Na Idade Média a salva era cultivada nos jardins dos mosteiros. O imperador Carlos Magno recomendou o seu cultivo nas propriedades do império carolíngio (séc. VIII–IX).
O herbalista inglês John Gerard, no seu Herball de 1597, elogiou a salva como boa «para a cabeça e o cérebro». São opiniões da medicina antiga, não conhecimento médico atual.
O epíteto officinalis indica as plantas que tinham lugar na officina, a botica onde se preparavam remédios.
Na tradição mediterrânica e portuguesa
Na tradição popular do Mediterrâneo, a salva foi sempre uma erva de casa e de horta: tempero, chá, planta de jardim.
Em Portugal, é usada sobretudo:
- na cozinha, com carnes de porco, aves e caça;
- em infusões populares, pelo sabor;
- como planta aromática de vaso e de quintal.
Na tradição esotérica
Na tradição esotérica moderna, a salva comum é associada a:
- limpeza e purificação de espaços, em defumações;
- proteção da casa;
- sabedoria — em inglês, sage também quer dizer «sábio», um jogo de palavras que muitos autores modernos exploram.
Estas associações são crença e simbolismo. O jogo de palavras com «sábio» não é uma tradição antiga: vem da língua inglesa. Nenhum uso garante resultados.
Precauções
- Tujona: o óleo essencial da salva contém tujona, uma substância que, em doses altas, é tóxica para o sistema nervoso e pode causar convulsões. Nunca ingira o óleo essencial.
- Como tempero, em pequenas quantidades, a salva é de uso corrente. Chás concentrados ou tomados durante muito tempo não são recomendados sem conselho médico.
- Gravidez, amamentação e epilepsia: evite chás e óleo essencial. Fale com o seu médico.
- Crianças: não dê chás de salva nem óleo essencial a crianças.
- Pele: o óleo essencial, mesmo diluído, pode irritar peles sensíveis.
- Queimar folhas: as folhas secas ardem depressa e soltam faúlhas. Queime num recipiente de barro ou metal, com a janela aberta, longe de cortinas, nunca sem vigilância. Evite o fumo perto de crianças, animais e pessoas com asma.
Nenhuma prática espiritual substitui o médico. Se tem um problema de saúde, consulte um profissional.
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Fontes
- «Salvia officinalis», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Plínio, o Velho, História Natural (séc. I)
- John Gerard, The Herball, or Generall Historie of Plantes (1597)
- Comité dos Medicamentos à Base de Plantas (HMPC), Agência Europeia de Medicamentos — avaliação de Salvia officinalis (limite de exposição à tujona)