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🌿 Ervas

Verbena: a erva sagrada dos Romanos

Ficha da verbena: o que Plínio, o Velho, escreveu sobre a erva sagrada romana e os gauleses, a lenda do Calvário, o São João e as precauções.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. O que dizem as fontes romanas
  3. A lenda cristã
  4. Magia popular e São João
  5. Na tradição esotérica moderna
  6. Precauções
  7. Continue a ler
  8. Fontes

A verbena é uma planta discreta, de caules rijos e florinhas lilases muito pequenas. Cresce espontânea em bermas, terrenos baldios e margens de campos, também em Portugal.

Apesar do aspeto modesto, é uma das ervas com mais história escrita na Europa. Os Romanos usavam-na em cerimónias religiosas e diplomáticas, e a tradição cristã e a magia popular deram-lhe novos significados.

Nesta ficha separamos o que dizem as fontes antigas, o que é lenda e o que é crença moderna.

Ficha

Campo Informação
Nome comum Verbena, verbena-comum
Nome científico Verbena officinalis
Família Verbenáceas
Origem Europa; hoje naturalizada em muitas regiões do mundo
Outros nomes «Erva sagrada» (tradução do grego hierá botánē)
Partes usadas na tradição Partes aéreas floridas
Toxicidade Desaconselhada na gravidez; não ingerir sem conselho médico

Atenção a uma confusão frequente: a «verbena-limão» ou lúcia-lima (Aloysia citrodora) é outra planta, de outro género, usada em chás aromáticos.

O que dizem as fontes romanas

O melhor testemunho antigo é a História Natural de Plínio, o Velho (século I d.C.). Em latim, verbena designava de forma geral os ramos e ervas sagrados usados nos rituais.

Ervas dos embaixadores

No livro 22, Plínio explica que as verbenae eram ervas arrancadas com a própria terra na cidadela de Roma. Os fetiais, sacerdotes que funcionavam como embaixadores, levavam-nas quando iam exigir a um povo inimigo a devolução do que fora tomado. Um deles tinha o título de verbenarius, o portador das ervas.

A «erva sagrada»

No livro 25, Plínio fala da verbenaca, a que os Gregos chamavam hierabotane, «erva sagrada». Segundo ele, nenhuma planta era tão famosa entre os Romanos. Com ela varria-se a mesa de Júpiter e purificavam-se as casas.

Plínio acrescenta, com evidente ceticismo, que os gauleses a usavam para tirar sortes e fazer previsões, e que os magos «perdiam a cabeça» com ela. Diziam que devia ser colhida perto do nascimento da estrela Sírio, sem que o Sol ou a Lua a vissem, depois de oferecer mel à terra.

E os druidas?

Muitos textos modernos dizem que «os druidas veneravam a verbena, segundo Plínio». No passo sobre a verbena, porém, Plínio fala dos gauleses e dos magos, não dos druidas. A ligação direta aos druidas é uma interpretação moderna.

➜ Os druidas

A lenda cristã

Na Idade Média espalhou-se a lenda de que a verbena teria sido usada para estancar as feridas de Cristo depois de descido da cruz. Daí nomes como «erva santa» (holy herb, em inglês).

Não há qualquer base nos Evangelhos para esta história. É uma tradição piedosa que ajudou a manter a fama da planta.

Na Europa central, a verbena ganhou nomes ligados ao ferro (em alemão Eisenkraut, «erva do ferro»), e havia crenças sobre traçar círculos de ferro à volta da planta antes de a colher.

Nas festas de São João, a verbena aparece entre as flores que, na Toscana, se deixavam de molho em água ao relento na véspera do dia 24. De manhã, lavava-se a cara com essa «água de São João», segundo a tradição.

Em Espanha, a palavra verbena passou a designar as festas populares noturnas. A explicação mais aceite é o costume madrileno de ir ao baile com um raminho de verbena na lapela.

➜ As ervas de São João em Portugal

Na tradição esotérica moderna

Nos livros de magia dos séculos XIX e XX, e depois na Wicca, a verbena aparece associada à proteção, à purificação e ao amor. Estas associações são crença e simbolismo, construídos em parte a partir das fontes antigas. Não há efeito demonstrado, e nenhum uso garante resultados.

➜ Ervas de proteção

Precauções

  • Gravidez: a verbena não deve ser usada na gravidez, porque há registo de risco de aborto espontâneo.
  • Ingestão: não tome chás ou extratos de verbena como remédio sem falar com o médico ou farmacêutico, sobretudo se toma medicação regular.
  • Crianças e amamentação: não há dados de segurança suficientes; evite.
  • Pele: se a usar num banho ou saqueta, faça antes um teste numa pequena zona da pele.
  • Identificação: colha apenas se tiver a certeza da espécie, longe de estradas e campos tratados com pesticidas.
  • Defumações: se a queimar, use um recipiente resistente ao calor, janela aberta e nunca deixe o lume sem vigilância. Evite o fumo junto de crianças, animais e pessoas com asma.

➜ Como usar velas com segurança

O uso espiritual ou tradicional da verbena não substitui qualquer tratamento médico.

Continue a ler

➜ Magia grega

➜ Paganismo

➜ Todas as ervas

Fontes

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