O alecrim é talvez a planta aromática mais presente na vida portuguesa. Cresce espontâneo nas encostas secas, está na cozinha, nos quintais e nas tradições religiosas e populares.
Nesta ficha encontra o que se sabe da planta, o que diz a tradição e, no fim, as precauções que deve conhecer antes de a usar.
Ficha rápida
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nomes populares | Alecrim, alecrim-das-hortas, rosmarinho |
| Nome científico | Salvia rosmarinus (antes Rosmarinus officinalis) |
| Família | Lamiáceas (a da salva, hortelã e alfazema) |
| Origem | Região mediterrânica, incluindo Portugal |
Em 2017, estudos genéticos levaram os botânicos a incluir o alecrim no género Salvia. Por isso encontra os dois nomes científicos: ambos se referem à mesma planta.
A planta
É um arbusto perene, de folhas estreitas como agulhas, verde-escuras por cima e esbranquiçadas por baixo. As flores são pequenas, azul-claras ou lilases, e atraem muitas abelhas.
Aguenta bem o sol, a secura e os solos pobres. Por isso é tão comum no Alentejo, no Algarve e nas serras do interior.
História e tradição
O alecrim tem uma longa ligação à memória e à fidelidade na cultura europeia. Na peça Hamlet, de Shakespeare, Ofélia oferece alecrim dizendo que é «para a lembrança». Foi também usado em casamentos e funerais, como sinal de que alguém não seria esquecido.
Em Portugal, o alecrim entra na religiosidade popular. Em muitas paróquias, no Domingo de Ramos, as pessoas levam raminhos de alecrim e de oliveira para o padre benzer. Esses ramos guardavam-se em casa, muitas vezes atrás da porta, durante o ano.
É também uma das plantas mais usadas nas defumações caseiras da tradição portuguesa, e está presente na canção popular «Alecrim, alecrim aos molhos».
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Na tradição esotérica
Na tradição popular e esotérica, o alecrim é associado sobretudo a:
- Limpeza e purificação de pessoas e casas;
- Proteção do lar;
- Clareza mental e memória;
- Alegria e ânimo.
Os usos mais comuns são o banho de alecrim, a defumação e um raminho seco guardado na carteira ou atrás da porta. Tudo isto pertence ao campo da crença e do simbolismo: não há forma de demonstrar efeitos espirituais, e nenhuma prática garante resultados.
Na cozinha e em casa
O alecrim é um tempero clássico de borrego, cabrito, batatas assadas e peixe grelhado. Usa-se fresco ou seco, em pequena quantidade, porque o sabor é intenso.
Em casa, raminhos secos em saquinhos de pano perfumam gavetas e armários.
Precauções
Como tempero, nas quantidades normais da cozinha, o alecrim é considerado seguro para a maioria das pessoas. Chás concentrados, extratos e óleo essencial são outra coisa.
- Gravidez e amamentação: a Agência Europeia do Medicamento (EMA) não recomenda o uso medicinal de alecrim nestas fases, por falta de dados de segurança.
- Crianças: a EMA não recomenda o uso medicinal em menores de 12 anos.
- Fígado e vesícula: evitar preparações medicinais se tiver cálculos na vesícula, obstrução das vias biliares ou doença do fígado.
- Óleo essencial: nunca o ingira. Na pele, use apenas diluído, e nunca em pele ferida ou irritada.
- Epilepsia: o óleo essencial contém cânfora; pessoas com epilepsia devem pedir conselho médico antes de o usar.
- Pele e alergias: pode causar dermatite de contacto em pessoas sensíveis. Faça um teste numa pequena zona antes de um banho.
- Animais: a planta não é considerada tóxica para cães e gatos, mas os óleos essenciais em difusor podem fazer mal a gatos.
- Medicamentos: se toma medicação regular, fale com o médico ou farmacêutico antes de usar alecrim como remédio.
Defumações: queime o alecrim num recipiente resistente ao calor, com a janela aberta, sem nunca o deixar sem vigilância. Evite o fumo perto de crianças, animais e pessoas com asma.
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O uso espiritual do alecrim não substitui qualquer tratamento. Em caso de problemas de saúde, consulte um médico.
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Fontes
- «Rosmarini folium», European Medicines Agency (HMPC) — ema.europa.eu
- «Salvia rosmarinus», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Oliveira, Ernesto Veiga de, Festividades Cíclicas em Portugal — edição digital, Etnográfica Press