O incenso é das práticas religiosas mais antigas e mais espalhadas do mundo. Das igrejas portuguesas aos templos budistas, o fumo perfumado acompanha a oração há milhares de anos.
Nesta página explicamos de onde vem o incenso, que resinas se usam, o que significa na tradição e na tradição esotérica, e os cuidados que o fumo exige dentro de casa.
O que é o incenso
A palavra vem do latim incendere, «queimar». Incenso é qualquer material aromático que liberta perfume ao arder. Há dois tipos principais:
- Resinas em grão, queimadas sobre carvão, como na igreja;
- Varetas, cones e pauzinhos, de fabrico industrial, que ardem sozinhos.
As resinas e madeiras mais usadas
| Nome | Origem |
|---|---|
| Olíbano («incenso» propriamente dito) | Resina de árvores Boswellia, da Península Arábica e do Corno de África |
| Mirra | Resina de Commiphora myrrha, da mesma região |
| Benjoim | Resina de árvores Styrax, do Sudeste Asiático |
| Sândalo | Madeira de Santalum album, da Índia |
| Copal | Resinas de várias árvores tropicais, usadas nas Américas |
História
O olíbano e a mirra foram mercadorias de luxo no mundo antigo. Viajavam por longas rotas de caravanas do sul da Arábia até ao Egito, à Grécia e a Roma.
Na Bíblia, o incenso aparece muitas vezes. O Livro do Êxodo descreve a receita do incenso do Templo, e o Salmo 141 pede: «Suba a minha oração como incenso». No Evangelho de São Mateus, os Magos oferecem ao Menino ouro, incenso e mirra.
A liturgia católica usa o incenso em missas solenes, procissões e funerais. Queima-se num turíbulo (ou incensório), balançado pelas correntes. O mais famoso é o Botafumeiro da Catedral de Santiago de Compostela, destino de muitos peregrinos portugueses.
Na tradição esotérica
Na tradição esotérica, o fumo do incenso é visto como uma ponte entre o mundo visível e o invisível. As associações mais comuns são:
- Olíbano: oração, elevação espiritual, consagração;
- Mirra: purificação e proteção, muitas vezes junto com o olíbano;
- Benjoim: limpeza e prosperidade;
- Sândalo: calma e meditação.
Estes significados são crença e tradição. Nenhum incenso garante efeitos espirituais.
Sustentabilidade
Alguns incensos têm um custo ambiental. Um estudo publicado em 2019 na revista Nature Sustainability mostrou que muitas populações de árvores de olíbano estão em declínio, por excesso de exploração, gado e falta de regeneração.
O sândalo indiano também foi muito sobre-explorado. Prefira marcas que indiquem a origem das resinas, e use-as com moderação.
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Precauções
O fumo do incenso é uma forma de poluição do ar interior. Liberta partículas finas, monóxido de carbono e outros compostos.
- Ventile sempre: janela aberta durante e depois de queimar.
- Asma, bronquite e alergias: o fumo pode provocar crises. Pessoas com doença respiratória devem evitá-lo.
- Crianças, grávidas e animais: mantenha-os afastados do fumo. As aves são especialmente sensíveis.
- Uso diário em espaço fechado: estudos associam a exposição intensa e prolongada a problemas respiratórios. Use com moderação.
- Fogo: use um incensário estável e resistente ao calor, com cinza ou areia. Carvão aceso fica quente muito tempo: nunca o deite ao lixo sem estar frio.
- Nunca deixe incenso ou carvão a arder sem vigilância, longe de cortinas, papéis e tecidos.
- Não ingira resinas nem as use em chás.
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Fontes
- Bongers, F. et al., «Frankincense in peril», Nature Sustainability, 2019 — nature.com
- «Incense», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Botafumeiro», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Bíblia: Êxodo 30,34-38; Salmo 141,2; Mateus 2,11