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🌑 Magia Negra

Pactos espirituais: a lenda do pacto com o diabo

A história do pacto com o diabo: Teófilo de Adana, Fausto, o «pacto» de Urbain Grandier (1634) e a lenda de São Cipriano. O que é história e o que é lenda.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Teófilo de Adana: o primeiro grande pacto
  2. Fausto: o pacto na literatura
  3. Urbain Grandier: um pacto num tribunal
  4. E São Cipriano?
  5. O que ensinam estas histórias
  6. Se alguém lhe propõe um pacto
  7. Perguntas frequentes
  8. Continue a ler
  9. Fontes

A ideia de vender a alma em troca de poder, amor ou riqueza é uma das histórias mais antigas e mais repetidas da cultura europeia. Ainda hoje há quem procure «fazer um pacto» ou pagar a alguém para o «mediar».

Esta página conta a história do pacto com o diabo: de onde vem, como passou das lendas de santos para a literatura e para os tribunais, e como se ligou a São Cipriano. Não ensina a fazer pactos.

Teófilo de Adana: o primeiro grande pacto

A lenda de Teófilo, originária do século VI, conta a história de um clérigo da Cilícia (atual Turquia) afastado injustamente do cargo. Para o recuperar, assina um contrato com o diabo.

Arrependido, reza e jejua. A Virgem Maria intercede por ele e devolve-lhe o contrato. A moral é clara: o pacto pode ser quebrado pelo arrependimento.

A história foi muito copiada na Idade Média, em latim e em línguas vulgares. Aparece nas esculturas de catedrais e nos milagres marianos. É considerada uma das fontes da lenda de Fausto.

Fausto: o pacto na literatura

Houve um Johann Georg Faust real, mágico e astrólogo alemão que viveu por volta de 1480–1540. Pouco se sabe dele.

Depois da sua morte nasceu a lenda. Em 1587 saiu em Frankfurt a Historia von D. Johann Fausten, que conta como Fausto vende a alma a Mefistófeles por 24 anos de saber e prazeres. Seguiram-se a peça de Christopher Marlowe (c. 1592) e o Fausto de Goethe (1808 e 1832).

Fausto tornou-se o modelo do pacto: contrato escrito, prazo, assinatura com sangue e condenação final.

Urbain Grandier: um pacto num tribunal

Em Loudun, França, várias freiras ursulinas disseram-se possuídas e acusaram o padre Urbain Grandier. No processo foi apresentado um pacto em latim, escrito de trás para a frente e «assinado» por vários demónios.

Grandier nunca confessou, mesmo sob tortura. Foi queimado a 18 de agosto de 1634. Os historiadores veem o caso como um processo político e religioso, e o documento como prova fabricada ou obtida sob coação.

➜ Demonologia

E São Cipriano?

A lenda de Cipriano de Antioquia, dos séculos IV e V, conta que um mágico pagão tentou usar demónios para conquistar a jovem Justina. Falhou, porque ela se protegia com o sinal da cruz, e acabou por se converter.

O famoso «pacto com Lúcifer» não aparece com essa forma nas fontes antigas. Foi crescendo ao longo dos séculos, por exemplo com a peça El mágico prodigioso (1637), de Calderón de la Barca, próxima do tema de Fausto. Os livros populares de São Cipriano herdaram esta camada.

➜ A história de São Cipriano

➜ São Cipriano e Justina

O que ensinam estas histórias

Em todas elas, o pacto é uma história moral: o poder obtido é passageiro e o preço é alto. Na versão cristã, a saída é o arrependimento.

Não existe nenhum documento que prove um pacto real com um ser sobrenatural. O que existe são lendas, obras literárias e provas fabricadas em tribunais.

Se alguém lhe propõe um pacto

Há praticantes que oferecem «mediar pactos» com entidades. Desconfie de quem diz que o pacto é «vinculativo» e que haverá castigos se não pagar mais. Esse medo é, muitas vezes, a ferramenta da burla.

Sinais de alerta: garantias, prazos de resultado, pedidos sucessivos de dinheiro, ameaças. Tem direito a fatura e ao Livro de Reclamações.

➜ Como escolher um bruxo sério

Se estiver a ser ameaçado ou pressionado, a APAV (116 006) pode ajudar.

Perguntas frequentes

O pacto de Grandier existe?
Sim, o documento foi apresentado no processo e publicado em muitos livros. Não prova nenhum pacto real: foi usado para o condenar.

São Cipriano fez um pacto com o diabo?
Na lenda antiga, usou demónios e depois renunciou a eles. O pacto formal é um acrescento posterior.

Um pacto pode ser «desfeito»?
Nas próprias lendas, sim: Teófilo recupera o contrato pelo arrependimento.

Continue a ler

➜ Magia negra: guia da secção

➜ Bruxaria luciferiana

➜ Os demónios no Livro de São Cipriano

Fontes

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