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🌑 Magia Negra

Necromancia: a história da «arte dos mortos»

A necromancia na história: a Odisseia, a necromante de Endor, a nigromancia medieval dos clérigos e o manual de Munique. História, lenda e riscos.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Na Antiguidade
  2. Na Idade Média: a «nigromancia»
  3. Em Portugal
  4. Do espiritismo aos dias de hoje
  5. Riscos reais
  6. Perguntas frequentes
  7. Continue a ler
  8. Fontes

A palavra necromancia vem do grego nekros, «morto», e manteia, «adivinhação». Na origem, significava consultar os mortos para conhecer o futuro ou segredos escondidos.

Com o tempo, a palavra mudou de sentido. Na Idade Média passou a designar a magia que invocava demónios, e deu origem à expressão «magia negra». Esta página conta essa história. Não ensina a invocar mortos.

Na Antiguidade

A Odisseia

O relato literário mais antigo está no canto XI da Odisseia, de Homero. Ulisses cava uma fossa, faz libações e oferendas, e as almas dos mortos aproximam-se. Quer falar com o adivinho Tirésias para saber como regressar a casa.

A necromante de Endor

Na Bíblia, em 1 Samuel 28, o rei Saul, desesperado antes de uma batalha, procura uma mulher em Endor capaz de chamar os mortos. Pede-lhe que faça aparecer o profeta Samuel. A lei bíblica proibia estas consultas (Deuteronómio 18), e o episódio termina com a morte de Saul.

Desde a Antiguidade se discute o que aconteceu: a tradução grega chama à mulher «ventríloqua», e muitos teólogos defenderam que não era Samuel quem aparecia.

Na Idade Média: a «nigromancia»

Os escribas latinos escreveram muitas vezes nigromantia, como se viesse de niger, «negro». A necromancia virou nigromancia, as «artes negras».

O conteúdo também mudou. A nigromancia medieval já quase não falava de mortos: era a invocação de demónios, com círculos, nomes secretos e orações. Quem a praticava eram sobretudo clérigos com instrução latina, que adaptavam as fórmulas do exorcismo.

O exemplo mais conhecido é o manual de Munique (Bayerische Staatsbibliothek, Clm 849), do século XV, estudado por Richard Kieckhefer no livro Forbidden Rites.

➜ O que é a magia negra: a origem do termo

➜ A magia na Idade Média

Em Portugal

Em português antigo, nigromante era sinónimo de feiticeiro sábio, alguém que dominava livros de magia. Os processos da Inquisição portuguesa usam a palavra, mas mostram sobretudo magia popular.

A religiosidade portuguesa tem outra relação com os mortos: rezar por eles, e não chamá-los. É o que se vê nas alminhas dos caminhos e no próprio Livro de São Cipriano.

➜ Os mortos no Livro de São Cipriano

Do espiritismo aos dias de hoje

No século XIX, o espiritismo propôs comunicar com os mortos através de médiuns, sem demónios nem círculos. Hoje, a palavra necromancia aparece sobretudo em jogos, filmes e anúncios de serviços.

➜ Mediunidade

➜ Invocação de espíritos

Riscos reais

  • Luto: quem perdeu alguém pode ficar preso à promessa de «falar com o falecido». Isso pode atrasar o luto e custar muito dinheiro.
  • Burla: «mensagens do além» obtidas por leitura fria são uma técnica antiga de fraude.
  • Lei: mexer em sepulturas ou restos mortais é crime (Código Penal, artigo 254.º).

Se a perda de alguém continua a pesar muito, fale com um psicólogo. A linha SNS 24 (808 24 24 24) tem aconselhamento psicológico.

Antes de pagar a quem promete contacto com um morto, leia:

➜ Como escolher um bruxo sério

Perguntas frequentes

Necromancia e nigromancia são a mesma coisa?
Têm a mesma origem. Na Idade Média, «nigromancia» passou a significar sobretudo invocação de demónios.

O Livro de São Cipriano ensina necromancia?
Não. O Livro português pede orações pelos mortos.

É possível falar com os mortos?
É uma crença antiga. Não existe prova científica de que aconteça.

Continue a ler

➜ Magia negra: guia da secção

➜ Trabalhos em cemitério

➜ Oração pelos mortos

Fontes

  • «Necromancy», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Witch of Endor», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Munich Manual of Demonic Magic», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Richard Kieckhefer, Forbidden Rites: A Necromancer's Manual of the Fifteenth Century, Pennsylvania State University Press, 1998
  • Homero, Odisseia, canto XI

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