São Cristóvão é o santo dos condutores e viajantes. Muitos portugueses levam a sua medalha no carro, no porta-chaves ou ao pescoço.
É também um dos santos mais mal compreendidos. Há quem diga que «deixou de ser santo» em 1969, o que não é verdade.
Esta página conta a história e a lenda de São Cristóvão com mais pormenor e propõe uma oração para o condutor. Para as orações de viagem em geral, veja a página própria.
Ficha
| Nome | Cristóvão (do grego Christóphoros, «o que leva Cristo») |
| Época | Século III, segundo a tradição |
| Tipo | Mártir; figura sobretudo lendária |
| Festa | 25 de julho (em calendários locais) |
| Atributos | Gigante com um bastão, a atravessar um rio com o Menino Jesus aos ombros |
| Padroeiro de | Viajantes, condutores, barqueiros e marinheiros |
O que se sabe
Não há provas históricas da existência de São Cristóvão. O mais antigo sinal do seu culto vem de Calcedónia, na atual Turquia, por volta do ano 452.
O que chegou até nós são lendas, e há duas bem diferentes.
As duas lendas
A lenda oriental: Réprobo
Nos textos gregos mais antigos, Cristóvão chamava-se Réprobo e era um guerreiro de um povo estranho, por vezes descrito como cinocéfalo (com cabeça de cão). Convertido, recebeu o dom da fala e o nome de Cristóvão, e morreu mártir.
Por isso, em ícones ortodoxos antigos, São Cristóvão aparece com cabeça de cão. Não é uma troça: é a forma de mostrar que a fé chega até aos povos «mais distantes».
A lenda ocidental: o gigante do rio
No Ocidente, a versão que ficou foi a da Legenda Áurea, coleção de vidas de santos do século XIII. Réprobo é um gigante que só quer servir o senhor mais poderoso do mundo.
Um eremita aconselha-o a servir Cristo ajudando os outros: passar as pessoas às costas por um rio perigoso. Uma noite, leva uma criança que fica cada vez mais pesada. Do outro lado, a criança revela-se: é Cristo, e o gigante carregou às costas «o mundo inteiro e Aquele que o criou».
Ver São Cristóvão e não morrer nesse dia
Na Idade Média, espalhou-se a crença de que quem olhasse para uma imagem de São Cristóvão estaria protegido da morte súbita nesse dia.
Por isso o santo era pintado em tamanho enorme, nas portas das cidades, nas pontes e nas paredes das igrejas, muitas vezes de frente para a entrada, para que todos o vissem ao passar.
A medalha no carro é herdeira desta ideia: um sinal de fé e de lembrança, não um seguro contra acidentes.
O que mudou em 1969
Na reforma do calendário litúrgico de 1969, a Igreja retirou do calendário geral vários santos de quem não há dados históricos seguros, e São Cristóvão foi um deles.
Não deixou de ser santo. O seu culto passou a ser local: continua no Martirológio Romano a 25 de julho, e paróquias e dioceses podem celebrá-lo. É o que acontece em muitos lugares, onde nesse dia se faz a bênção dos automóveis e dos motoristas.
São Cristóvão em Lisboa
Na Mouraria, a Igreja de São Cristóvão é uma das poucas igrejas de Lisboa que sobreviveram quase intactas ao terramoto de 1755. Conserva pinturas do século XVII de Bento Coelho da Silveira, pintor régio, e tem sido recuperada nos últimos anos.
Oração do condutor a São Cristóvão
Texto redigido pelo Grimório.pt a partir das fórmulas populares:
São Cristóvão, que levastes o Menino às costas
e atravessastes o rio com prudência e força,
acompanhai-me nesta estrada.
Dai-me mão firme, olhos atentos e cabeça serena.
Livrai-me da pressa, da distração e da imprudência,
e fazei-me respeitar quem vai a pé e quem vai comigo.
Que eu chegue bem e que todos cheguem bem.
São Cristóvão, rogai por nós. Ámen.
Quando se reza
- Antes de arrancar, sobretudo em viagens longas.
- A 25 de julho, dia do santo.
- Há quem a tenha escrita num cartão no carro, junto da medalha.
Uma nota de bom senso
A melhor oração ao volante é conduzir com atenção: cinto posto, sem telemóvel, sem álcool, com pausas nas viagens longas. A fé acompanha a prudência; não a substitui.
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Fontes
- «Saint Christopher», Wikipedia (historicidade, Réprobo, Legenda Áurea, crença na morte súbita, calendário de 1969, Martirológio Romano) — en.wikipedia.org
- Jacopo de Varazze, Legenda Aurea, século XIII, capítulo «De sancto Christophoro».
- «A Igreja de São Cristóvão em Lisboa», e-cultura — e-cultura.pt
- Calendarium Romanum, Cidade do Vaticano, 1969.