A oração a São Miguel Arcanjo é a oração de proteção mais conhecida da Igreja Católica. Durante quase oitenta anos foi rezada no fim de todas as missas em todo o mundo, incluindo Portugal.
Nesta página encontra o texto em português e em latim, a sua história verificada, o que é lenda e quem é São Miguel na Bíblia e na tradição.
A oração a São Miguel (Leão XIII)
Esta é a versão portuguesa corrente. Há pequenas diferenças de tradução entre livros de orações:
São Miguel Arcanjo,
defendei-nos no combate;
sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demónio.
Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos;
e vós, Príncipe da milícia celeste,
pela virtude divina,
precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos
que andam pelo mundo para perder as almas.
Ámen.
O texto original em latim
Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio;
contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium.
Imperet illi Deus, supplices deprecamur:
tuque, Princeps militiae caelestis,
Satanam aliosque spiritus malignos,
qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo,
divina virtute in infernum detrude.
Amen.
A história da oração
- Em 1884, o papa Leão XIII mandou rezar algumas orações no fim das missas rezadas: são as chamadas orações leoninas.
- Em 1886, acrescentou-lhes a oração a São Miguel.
- Foi rezada assim até 1964, quando a instrução Inter oecumenici, no contexto da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, suprimiu estas orações no fim da missa.
- Em 1994, o papa João Paulo II pediu aos fiéis que não a esquecessem e a rezassem.
Hoje não é obrigatória, mas muitas paróquias e famílias voltaram a rezá-la.
A visão de Leão XIII: lenda
Conta-se muitas vezes que Leão XIII teve uma visão terrível durante uma missa, em que ouviu o demónio desafiar Deus, e que por isso escreveu a oração.
Esta história é considerada uma lenda sem prova. Já em 1935, um investigador alemão, o padre Bers, procurou a origem da narrativa e não encontrou nenhum documento que a confirmasse. As fontes da época não falam de nenhuma visão.
Quem é São Miguel
O nome hebraico Mi-ka-El significa «Quem é como Deus?». É uma pergunta, que funciona como um desafio ao orgulho do mal.
Na Bíblia, Miguel aparece:
- no Livro de Daniel (capítulos 10 e 12), como protetor do povo de Israel;
- na Carta de Judas (versículo 9), como arcanjo;
- no Apocalipse (12, 7), à frente dos anjos que combatem o dragão.
A Igreja celebra-o a 29 de setembro, juntamente com São Gabriel e São Rafael.
São Miguel na tradição portuguesa
Na arte religiosa, São Miguel aparece muitas vezes com uma balança, a pesar as almas: é a imagem do juízo. Essa figura surge também em algumas alminhas, os pequenos nichos portugueses à beira dos caminhos.
Nas aparições de Fátima, os pastorinhos falaram de um anjo que lhes apareceu em 1916 e se apresentou como «Anjo da Paz» e «Anjo de Portugal». Há quem o identifique com São Miguel, mas essa identificação não é oficial.
➜ Oração pelos mortos e as alminhas
Quando se reza
- De manhã, como oração de proteção para o dia.
- No fim do terço, costume de muitas famílias.
- Em momentos de medo, tentação ou aflição.
- A 29 de setembro, festa dos arcanjos.
Na tradição católica, é uma oração de confiança em Deus. Não é um exorcismo: os exorcismos só podem ser feitos por padres autorizados pelo bispo.
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➜ Angelologia: os anjos nas tradições
Fontes
- Wikipédia, «Oração de São Miguel Arcanjo» — pt.wikipedia.org
- Via Crucis, «Neste dia, em 1884, o Papa Leão XIII ordenava a inclusão das Orações Leoninas após a missa» — viacrucis.pt
- Conferência Episcopal Portuguesa, Bíblia Sagrada (Daniel 10 e 12; Judas 9; Apocalipse 12) — conferenciaepiscopal.pt/biblia