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🙏 Orações

Salve-Rainha: texto, origem e quando se reza

A Salve-Rainha em português e em latim, o hino medieval que termina o terço: quem terá sido o autor, como mudou o texto e quando se reza e canta.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O texto em português
  2. O texto original em latim
  3. Pequeno glossário
  4. Quem escreveu a Salve-Rainha?
  5. Como se espalhou
  6. Quando se reza
  7. Uma oração de súplica, não uma fórmula
  8. Continue a ler
  9. Fontes

A Salve-Rainha é, depois da Avé-Maria, a oração a Nossa Senhora mais rezada em Portugal. É com ela que se termina o terço, em casa, na igreja ou em Fátima.

Nasceu como um hino latino da Idade Média, a Salve Regina. Nesta página encontra o texto em português e em latim, o que se sabe (e o que não se sabe) sobre a sua origem, e os momentos em que a Igreja a reza.

➜ Terço completo: como se reza

O texto em português

Versão portuguesa tradicional, de domínio público:

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura, esperança nossa, salve!
A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva.
A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa,
esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus,
bendito fruto do Vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

No fim do terço acrescenta-se o versículo e a resposta:

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Ámen.

Há pequenas diferenças entre edições («nos mostrai» ou «mostrai-nos»; «doce Virgem» ou «doce sempre Virgem»). Todas são aceites.

O texto original em latim

Salve, Regina, Mater misericordiae,
vita, dulcedo, et spes nostra, salve.
Ad te clamamus, exsules filii Evae.
Ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle.
Eia ergo, advocata nostra,
illos tuos misericordes oculos ad nos converte.
Et Iesum, benedictum fructum ventris tui,
nobis post hoc exsilium ostende.
O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.

Pequeno glossário

Palavra Significado
Degredados Exilados, desterrados (do Paraíso)
Vale de lágrimas Imagem da vida terrena, com os seus sofrimentos
Eia Interjeição de ânimo: «vamos!», «pois bem!»
Advogada Aquela que intercede por nós
Volvei Voltai, virai
Desterro O exílio, isto é, a vida na terra

Quem escreveu a Salve-Rainha?

Não se sabe com certeza. Este é o facto principal.

Ao longo dos séculos, o hino foi atribuído a vários autores:

  • Hermano de Reichenau (Hermannus Contractus), monge alemão do século XI — a atribuição mais repetida;
  • Ademar de Monteil, bispo de Le Puy, que participou na Primeira Cruzada;
  • São Bernardo de Claraval;
  • Pedro de Mezonzo, bispo de Compostela.

A maioria dos musicólogos considera o hino anónimo. O que está documentado é que o texto foi fixado, quase na forma atual, na abadia de Cluny, no século XII.

Uma lenda: São Bernardo e as três invocações

Conta uma lenda que São Bernardo, ao ouvir cantar a Salve Rainha na catedral de Espira (Speyer), acrescentou por inspiração as três invocações finais: «Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria».

É uma lenda piedosa, sem prova documental. Serve sobretudo para mostrar como aquelas três exclamações eram amadas.

Como o texto mudou

O texto atual é quase igual ao original, com duas pequenas diferenças conhecidas:

  • a palavra «Mater» («Mãe») na primeira linha parece ter sido acrescentada no século XVI;
  • a palavra «Virgo» («Virgem») na última linha terá sido acrescentada no século XIII.

Como se espalhou

Foram as ordens religiosas que levaram a Salve-Rainha a toda a Europa:

  • os cistercienses passaram a cantá-la todos os dias a partir de 1218;
  • no século XIII, os dominicanos de Bolonha começaram a fazer, todas as noites, uma procissão cantando a Salve Regina. O costume espalhou-se por toda a ordem.

Muitos compositores lhe deram música, de Palestrina e Victoria a Vivaldi, Haendel, Schubert, Poulenc e Arvo Pärt.

Quando se reza

  • No fim do terço e do rosário. É o uso mais conhecido em Portugal.
  • Nas Completas, a oração da noite da Liturgia das Horas. É uma das quatro antífonas marianas que fecham o dia. Tradicionalmente canta-se entre o domingo da Santíssima Trindade e o Advento.
  • Em devoção pessoal, a qualquer hora, sobretudo à noite.

No tempo da Páscoa, a antífona que termina o dia é outra: o Regina Caeli (Rainha do Céu).

➜ Angelus e Regina Caeli

Uma oração de súplica, não uma fórmula

A Salve-Rainha é uma oração de confiança e de pedido de intercessão. Na doutrina católica, quem salva é Deus; Maria é invocada como «advogada», isto é, como quem pede por nós.

Não é uma fórmula mágica nem uma «oração poderosa» que garanta resultados. O seu valor, para quem a reza, está na fé e na confiança.

Continue a ler

➜ Oração a Nossa Senhora (À Vossa Proteção, Lembrai-vos)

➜ Avé-Maria: texto e origem

➜ Magnificat: o cântico de Maria

➜ Orações da manhã e da noite

Fontes

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