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🙏 Orações

Angelus: a oração do Anjo do Senhor e das Trindades

O Angelus em português, a oração das Trindades rezada às 6h, 12h e 18h ao toque do sino: texto, origem medieval e o Regina Caeli do tempo pascal.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O texto do Angelus
  2. As três horas: 6h, 12h e 18h
  3. Origem: uma devoção medieval
  4. No tempo da Páscoa: o Regina Caeli
  5. O Angelus do Papa
  6. As Trindades na tradição popular
  7. Continue a ler
  8. Fontes

O Angelus é a oração que recorda o momento em que o anjo Gabriel anunciou a Maria que seria mãe de Jesus. O nome vem da primeira palavra latina: Angelus Domini, «O Anjo do Senhor».

Em Portugal chamou-se durante séculos as Trindades. Nas aldeias, o sino da igreja tocava de manhã, ao meio-dia e ao fim da tarde, e quem estava no campo parava para rezar.

➜ Arcanjo Gabriel: o anjo da Anunciação

O texto do Angelus

Versão portuguesa tradicional, de domínio público. V. é o versículo (quem dirige); R. a resposta (todos):

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E Ela concebeu pelo Espírito Santo.
Avé-Maria…

V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a Vossa palavra.
Avé-Maria…

V. E o Verbo Divino encarnou.
R. E habitou entre nós.
Avé-Maria…

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos. Infundi no nosso espírito a Vossa graça, ó Pai;
Vós que, na anunciação do Anjo, nos revelastes a encarnação do Vosso Filho,
pela Sua paixão e cruz, conduzi-nos à glória da ressurreição.
Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

A estrutura é simples: três versículos da Bíblia, cada um seguido de uma Avé-Maria, e uma oração final. Os versículos vêm do Evangelho de São Lucas (1,26-38) e de São João (1,14).

➜ Avé-Maria: texto e origem

As três horas: 6h, 12h e 18h

Hora Sentido tradicional
De manhã (6h) Oferecer a Deus o dia que começa
Ao meio-dia (12h) Parar a meio do trabalho
Ao fim da tarde (18h) Agradecer o dia que termina

O toque das Trindades era o conjunto de badaladas que anunciava a hora de rezar. O dicionário Priberam ainda regista «trindades» como a hora da tarde em que se rezam as ave-marias e o toque que a anuncia.

Durante séculos, estes toques também marcavam o tempo no campo: a hora de começar, de comer e de recolher. O quadro O Angelus, de Jean-François Millet (1857–1859), mostra dois camponeses parados a rezar ao ouvir o sino ao longe.

Origem: uma devoção medieval

O Angelus não foi criado de uma só vez. Formou-se aos poucos:

  • Século XI — há notícia de monges que rezavam três Avé-Marias ao toque do sino das Completas, à noite.
  • 1269 — São Boaventura recomendou aos franciscanos este costume.
  • Século XIV — o costume da tarde espalha-se; há quem atribua ao papa João XXII (1317) a sua aprovação.
  • 1456 — o papa Calisto III mandou tocar os sinos ao meio-dia e rezar pela proteção da Cristandade contra o avanço otomano.

A forma atual, com os três versículos e a oração final, é o resultado desta evolução de vários séculos.

No tempo da Páscoa: o Regina Caeli

Da Páscoa ao Pentecostes, o Angelus é substituído pelo Regina Caeli (Rainha do Céu), uma antífona latina que se conhece desde o século XII:

Rainha do Céu, alegrai-Vos. Aleluia.
Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso seio, Aleluia,
ressuscitou como disse. Aleluia.
Rogai por nós a Deus. Aleluia.
V. Alegrai-Vos e exultai, ó Virgem Maria. Aleluia.
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia.

Segue-se uma oração final pela alegria da Ressurreição.

Uma lenda registada na Legenda Áurea (século XIII) conta que, numa procissão em Roma durante uma peste, se ouviram anjos cantar as três primeiras linhas, e que o papa São Gregório Magno acrescentou a quarta. É uma lenda, sem base documental: o texto é muito posterior a São Gregório.

O Angelus do Papa

Aos domingos, ao meio-dia, o Papa reza o Angelus (ou o Regina Caeli) da janela do Palácio Apostólico, na Praça de São Pedro. A primeira transmissão rádio do Angelus papal foi feita por Pio XII em 15 de agosto de 1954. Em Portugal, algumas rádios católicas transmitem o Angelus diariamente.

As horas das Trindades, do meio-dia e da meia-noite eram, na crença popular portuguesa, horas especiais. Algumas edições antigas do Livro de São Cipriano trazem orações para estas «horas abertas».

Aqui é preciso separar as coisas: o Angelus é oração da Igreja; a crença nas «horas abertas» pertence ao folclore e à tradição mágica popular.

➜ Oração da meia-noite de São Cipriano

Continue a ler

➜ Terço completo

➜ Salve-Rainha

➜ Magnificat: o cântico de Maria

➜ Orações da manhã e da noite

Fontes

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