O Magnificat é o cântico que o Evangelho de São Lucas põe na boca de Maria quando visita a sua prima Isabel. É um dos textos mais rezados e cantados do cristianismo.
O nome vem da primeira palavra do texto latino: Magnificat anima mea Dominum, «A minha alma glorifica o Senhor».
Ao contrário de muitas orações populares, aqui não há dúvidas de origem: é um texto bíblico, do Evangelho de Lucas, capítulo 1, versículos 46 a 55.
O contexto: a Visitação
Segundo o relato de Lucas, depois da Anunciação, Maria vai a casa de Isabel, que também espera um filho (João Batista). Isabel saúda-a: «Bendita és tu entre as mulheres». Maria responde com este cântico.
A Igreja celebra este episódio na festa da Visitação de Nossa Senhora, a 31 de maio.
➜ Avé-Maria: a saudação de Isabel
O texto em português
Versão usada na liturgia em língua portuguesa:
A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre.
Na liturgia termina com a doxologia:
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
O que diz o cântico
O Magnificat tem duas partes:
| Parte | Tema |
|---|---|
| Versículos 46–50 | Maria agradece o que Deus fez nela |
| Versículos 51–55 | Deus inverte a ordem do mundo: derruba os poderosos, eleva os humildes, sacia os famintos |
É esta segunda parte que torna o texto tão marcante. Fala de justiça e de inversão das posições, e por isso foi muito lido, ao longo dos séculos, como um cântico dos pobres.
Raízes no Antigo Testamento
O Magnificat está cheio de ecos das Escrituras judaicas. O paralelo mais forte é o cântico de Ana, mãe do profeta Samuel (1 Samuel 2,1-10). Ana também agradece um filho e também canta um Deus que humilha e exalta, que levanta o pobre do pó e sacia os famintos.
Os estudiosos notam ainda ecos dos Salmos e o estilo típico da poesia hebraica, com versos em paralelo.
Uma questão dos estudiosos
Alguns manuscritos antigos atribuem o cântico a Isabel e não a Maria. A maioria dos estudiosos modernos, e toda a tradição litúrgica, mantém Maria como a autora das palavras.
Na liturgia: as Vésperas
Na Igreja Católica, o Magnificat reza-se todos os dias nas Vésperas, a oração do fim da tarde da Liturgia das Horas. Cada uma das grandes horas tem o seu cântico do Evangelho:
| Hora | Cântico |
|---|---|
| Laudes (manhã) | Benedictus — cântico de Zacarias |
| Vésperas (tarde) | Magnificat — cântico de Maria |
| Completas (noite) | Nunc dimittis — cântico de Simeão |
O Magnificat é usado também nas Igrejas luterana e anglicana (no Evensong) e, no Oriente, nas Matinas ortodoxas.
Na música
Poucos textos foram tantas vezes musicados. Dois exemplos célebres:
- Claudio Monteverdi, Vésperas da Beata Virgem (1610), que terminam com um Magnificat;
- Johann Sebastian Bach, Magnificat (BWV 243), de 1723.
Um cântico de louvor
O Magnificat não é um pedido: é louvor e ação de graças. Por isso muitas pessoas o rezam como oração de gratidão, no fim do dia.
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Fontes
- Evangelho segundo São Lucas, 1,39-56; Primeiro Livro de Samuel, 2,1-10.
- Vatican News (português), Magnificat — vaticannews.va/pt/oracoes/magnificat.html
- Wikipedia, Magnificat (uso litúrgico, cântico de Ana, atribuição a Isabel, música) — en.wikipedia.org/wiki/Magnificat