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Como funciona uma amarração amorosa? A crença explicada

O que é uma amarração amorosa, como a tradição diz que «funciona», de onde vem (tabuinhas gregas, Idade Média, São Cipriano) e porque nenhuma garante resultados.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O que é uma amarração
  2. Como a tradição diz que «funciona»
  3. Uma prática com milhares de anos
  4. O que diz a ética: o livre-arbítrio
  5. Porque nenhuma amarração garante resultados
  6. Alternativas respeitosas
  7. Continue a ler
  8. Fontes

«Como funciona uma amarração?» é das perguntas mais pesquisadas sobre magia em Portugal. Por trás dela há quase sempre uma dor: alguém que partiu, um amor não correspondido, um ciúme.

Este artigo explica o que a tradição diz sobre a amarração, de onde vem esta prática e o que dizem a ética e o bom senso. Não ensina a fazer nenhuma: o Grimório.pt não publica práticas para forçar a vontade de outra pessoa.

O que é uma amarração

Na linguagem popular portuguesa e brasileira, amarração é um ritual que pretende «prender» uma pessoa a outra: fazê-la voltar, ficar ou deixar de desejar outros.

A palavra diz tudo: amarrar, atar. É a mesma imagem das tabuinhas de «ligação» da Antiguidade. O objetivo não é pedir amor, é prender a vontade de alguém.

Como a tradição diz que «funciona»

Segundo a crença, uma amarração atua por três vias. Nenhuma está demonstrada; são as explicações que os praticantes dão.

1. A representação da pessoa

Um nome escrito, uma fotografia, um boneco ou um objeto pessoal (cabelo, roupa) «substituiria» a pessoa. O que se faz ao objeto, acredita-se, afeta a pessoa. Os estudiosos chamam a isto magia simpática.

2. A invocação de uma força

Muitas amarrações pedem ajuda a santos, espíritos, demónios ou «entidades». Nas tabuinhas antigas eram os deuses do mundo subterrâneo e os mortos; no Livro de São Cipriano, várias fórmulas de conjuro.

3. A repetição e os materiais

Velas, mel, nós, datas lunares, orações repetidas. Na tradição, estes elementos «reforçam» a intenção. Na prática, dão forma ritual a um desejo muito forte.

➜ O que é uma amarração amorosa (secção Amarrações)

Uma prática com milhares de anos

Tabuinhas de chumbo gregas e romanas

Os gregos chamavam katadesmos («ligação») a uma tabuinha de chumbo gravada e enterrada num túmulo ou num poço. Os romanos chamavam-lhe defixio. Conhecem-se mais de mil. Muitas visam rivais em tribunal ou no desporto; outras, o amor.

Os Papiros Mágicos Gregos, do Egito romano, contêm receitas de «feitiços de atração» muito parecidos com as amarrações atuais. No Louvre está uma figura de barro atada e trespassada por alfinetes, com uma tabuinha onde um homem pede que uma mulher não aceite mais ninguém senão ele.

➜ As tabuletas do Nilo

Feitiços de amor na Idade Média

A magia amorosa foi comum em toda a Europa medieval. A Igreja condenava-a como superstição ou pacto com o demónio. Em Portugal, os processos da Inquisição registam orações, «cartas de tocar» e outros recursos para atrair ou prender alguém.

➜ A magia na Idade Média

➜ A feitiçaria portuguesa

O Livro de São Cipriano

No século XIX, as edições populares do Livro de São Cipriano espalharam receitas de amor em Portugal e no Brasil. Hoje, a palavra «amarração» aparece sobretudo em anúncios de serviços, muitas vezes com promessas que nenhuma tradição antiga fazia.

➜ Amarrações de São Cipriano: o que diz o Livro

O que diz a ética: o livre-arbítrio

A amarração é talvez a prática mais criticada dentro do próprio mundo esotérico. O motivo é simples: procura anular a liberdade de outra pessoa.

  • No cristianismo, o livre-arbítrio é um dom de Deus que não deve ser violado.
  • Em muitas correntes da bruxaria moderna, vale a máxima de «não fazer mal a ninguém».
  • Na tradição popular, fala-se do «retorno»: o mal feito voltaria a quem o fez.

E há uma pergunta humana: quem quer ser amado por alguém que não escolheu amá-lo?

➜ Amarração e livre-arbítrio

➜ Amarração tem pecado?

Porque nenhuma amarração garante resultados

  • Não há prova de que um ritual mude os sentimentos de alguém.
  • Quando «resulta», é impossível saber se a pessoa voltaria de qualquer forma.
  • Os «sinais de que está a fazer efeito» (sonhos, mensagens, coincidências) são muitas vezes lidos à luz da esperança.
  • As promessas de «amarração definitiva» ou «em 7 dias» são argumentos de venda.

Se alguém lhe pede cada vez mais dinheiro para «reforçar» um trabalho, leia antes o nosso guia contra burlas.

➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlas

Alternativas respeitosas

Na tradição há também orações e práticas que não tentam controlar ninguém: pedir serenidade, pedir que o amor certo chegue, pedir força para seguir em frente. E há ajuda humana: uma conversa sincera, amigos, terapia. Se a dor não passa, a linha SNS 24 (808 24 24 24) tem psicólogos disponíveis.

Continue a ler

➜ Amor à distância funciona?

➜ Oração para o amor

➜ Como desfazer uma amarração (a crença)

Fontes

  • John G. Gager, Curse Tablets and Binding Spells from the Ancient World, Oxford University Press, 1992.
  • Hans Dieter Betz (ed.), The Greek Magical Papyri in Translation, University of Chicago Press, 1986.
  • Museu do Louvre, figura e tabuinha de chumbo (E 27145) — collections.louvre.fr
  • Richard Kieckhefer, Magic in the Middle Ages, Cambridge University Press, 1989.
  • Biblioteca Nacional de Portugal, O grande livro de S. Cypriano ou o thesouro do feiticeiro — purl.pt/16504

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