«Magia branca para o amor» é o nome que se dá aos rituais de amor considerados suaves: velas cor-de-rosa, banhos de rosas, orações a Santo António. Por oposição a amarrações e trabalhos «pesados».
Mas o que torna uma magia «branca»? Nesta página explicamos de onde vem a expressão, a história da magia amorosa em Portugal e onde está o limite. E deixamos um ritual simples que não mexe na vontade de ninguém.
O que é «magia branca»
A distinção entre magia branca e negra ganhou forma na Europa do Renascimento. Pensadores como Marsilio Ficino defendiam uma «magia natural», que usava as propriedades das plantas, pedras e astros sem invocar demónios. A magia «negra» seria a que recorria a espíritos malignos ou procurava fazer mal.
Hoje, a expressão serve sobretudo para dizer qual é a intenção: fazer bem, sem prejudicar.
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A magia amorosa em Portugal
A magia de amor é das mais antigas e mais documentadas. Nos processos da Inquisição portuguesa, estudados por historiadores como Francisco Bethencourt e José Pedro Paiva, a magia amorosa é um dos temas que mais aparece: feitiços para «prender» alguém ou fazê-lo voltar.
Ao lado disso, a tradição católica popular pedia o amor aos santos. Santo António tornou-se o santo casamenteiro, com as suas trezenas, os manjericos e as simpatias da noite de 12 para 13 de junho.
➜ O amor no Livro de São Cipriano
Onde está o limite
Aqui está a questão essencial. Um ritual que tenta obrigar alguém a amar-nos não é «branco», por mais suaves que sejam as velas e as flores.
Na ética de muitas correntes da magia moderna, incluindo a Wicca, a regra é não interferir no livre-arbítrio de outra pessoa. Por isso:
- Sim: pedir amor para si, abrir-se a um amor novo, curar uma mágoa, trazer harmonia a uma relação em que os dois querem estar.
- Não: fazer alguém voltar, afastar um rival, «prender» ou «adoçar» uma pessoa contra a sua vontade.
O Grimório.pt só ensina o primeiro tipo.
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Um ritual de vela para abrir o coração
Este é um ritual simples, para si, sem nome de outra pessoa.
Precisa de: uma vela cor-de-rosa ou branca num castiçal estável, um pires, algumas pétalas de rosa, um papel e uma caneta.
- Escolha um momento calmo. Muita gente prefere a sexta-feira, dia tradicionalmente associado a Vénus.
- Escreva no papel como quer amar e ser amado: com respeito, com alegria, com paz. Não escreva nomes.
- Acenda a vela e ponha as pétalas à volta do castiçal, longe da chama.
- Leia o que escreveu em voz baixa, e depois este texto, redigido pelo Grimório.pt:
Abro o meu coração ao amor que me faz bem.
Que eu saiba dar e receber,
e que o amor que vier venha livre, como eu.
- Fique uns minutos a olhar a chama. Apague-a quando terminar, sem sair de perto. Guarde o papel.
Nunca deixe a vela acesa sozinha, afaste-a de cortinas, crianças e animais.
➜ Como usar velas com segurança
O que nenhum ritual faz
Nenhum ritual garante um amor. O que mais aproxima as pessoas continua a ser concreto: sair, conhecer gente, falar com honestidade, cuidar de si. E, depois de uma separação dolorosa, dar tempo. Se a tristeza não passa, fale com um psicólogo.
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Fontes
- Francisco Bethencourt, O Imaginário da Magia: feiticeiras, adivinhos e curandeiros em Portugal no século XVI, Companhia das Letras, 2004 — Google Livros
- José Pedro Paiva, Bruxaria e superstição num país sem «caça às bruxas»: 1600–1774, Notícias Editorial, 1997
- «White magic», Wikipedia — en.wikipedia.org