No Dois de Copas, um rapaz e uma rapariga estão frente a frente e trocam as suas taças, como quem faz um brinde ou uma promessa.
É uma das cartas mais associadas ao amor a dois em todo o tarot. Mas na tradição não fala só de namoro: fala de qualquer laço de simpatia mútua, incluindo a amizade e as parcerias.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 2 |
| Naipe e elemento | Copas; água |
| Nome em Marselha / em inglês | Deux de Coupe / Two of Cups |
| Golden Dawn | «Senhor do Amor»; Vénus em Caranguejo (1.º decanato) |
| Palavras-chave (direita) | união, afinidade, amor, amizade, acordo |
| Palavras-chave (invertida) | desencontro, desequilíbrio, rutura de um acordo |
O desenho
Os dois jovens estão ao mesmo nível: nenhum domina o outro. A troca das taças é o gesto central.
Por cima das taças ergue-se um caduceu, o bastão de Hermes com duas serpentes enroladas. No topo, entre duas grandes asas, aparece uma cabeça de leão. Waite descreve-o assim, mas não explica o leão.
Ao fundo, numa colina, vê-se uma casa. Leitores modernos veem nela o «lar» que a união pode vir a construir; é uma interpretação, não uma indicação de Waite.
Na história
No Tarot de Marselha, o Dois de Copas não tem pessoas. Entre as duas taças há um motivo decorativo: um bastão com um topo em forma de flor ou chama, de onde saem duas criaturas com cabeça de dragão ou de golfinho.
Segundo o autor e ilustrador Robert M. Place, Pamela Colman Smith terá aproveitado a ideia do caduceu entre as taças, que já aparecia no baralho de Etteilla, e acrescentou o casal. Place sugere ainda que a cabeça de leão seria a sua releitura das «chamas» de Marselha. É uma hipótese do autor, não um facto documentado.
O significado na tradição
Direita
Waite dá uma lista generosa:
Amor, paixão, amizade, afinidade, união, concórdia, simpatia, a relação entre os sexos. — A. E. Waite, 1910
E acrescenta, fora do uso divinatório, uma nota mística sobre «o desejo que não está na Natureza, mas pelo qual a Natureza é santificada».
Na leitura moderna mais comum, é a carta do encontro entre iguais: uma relação equilibrada, uma reconciliação, um bom acordo.
Invertida
Waite não dá sentido invertido para esta carta no texto principal. Numa lista de significados adicionais, associa a posição invertida à paixão.
Leitores modernos costumam ler a carta invertida como desequilíbrio numa relação, falta de reciprocidade ou um acordo que se desfaz.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, é das cartas mais favoráveis para o amor: costuma indicar atração mútua e entendimento. Continua a ser uma leitura simbólica, não uma previsão.
Trabalho. Costuma ser interpretada como uma boa parceria, uma sociedade ou uma negociação em que ambas as partes saem a ganhar.
Conselho. Muitas vezes lida como um lembrete de que as relações duradouras assentam na troca: dar e receber na mesma medida.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Dois de Copas é a carta do casamento» | Waite fala de união e afinidade; o casamento não é a leitura principal |
| «O caduceu é símbolo da medicina» | Nesse uso confunde-se muitas vezes com o bastão de Asclépio; aqui remete para Hermes |
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Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Two of Cups» — sacred-texts.com
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot, «Some additional meanings of the Lesser Arcana» — sacred-texts.com
- Robert M. Place, «The Two of Cups» — robertmplacetarot.com
- David Cunliffe, correspondências da Golden Dawn — davidcunliffe.com