O Quatro de Ouros mostra uma figura coroada sentada, de costas para uma cidade. Abraça um pentáculo contra o peito, tem outro equilibrado sobre a coroa e pousa os pés em mais dois.
É a carta de quem segura o que tem. Na tradição de leitura oscila entre duas ideias: a segurança de ter bens guardados e o medo de os perder, que pode tornar-se avareza.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 4 |
| Naipe e elemento | Ouros (Pentáculos); Terra |
| Nome em Marselha / em inglês | Quatre de Deniers / Four of Pentacles |
| Golden Dawn | «Senhor do Poder Terreno»; Sol em Capricórnio |
| Palavras-chave (direita) | Segurança, poupança, posse, controlo |
| Palavras-chave (invertida) | Atraso, oposição, avareza, medo de perder |
O desenho
Waite descreve-a numa frase que resume a carta: «Ele agarra-se àquilo que tem.» (A. E. Waite, 1910)
Repare-se na postura: braços fechados, pés presos aos discos, o corpo inteiro transformado num cofre. A figura está protegida, mas também imobilizada. Não pode andar sem largar os pentáculos dos pés, nem abraçar ninguém sem largar o do peito.
A cidade atrás dele fica fora do seu olhar. Muitos leitores veem aqui alguém que se isolou do mundo para guardar o que conquistou.
Na história
Nos baralhos antigos, o quatro de moedas não tem personagem. No Tarot de Marselha, o Quatre de Deniers mostra apenas as quatro moedas e ornamentos vegetais.
A interpretação de posse e herança que Waite registou, portanto, não se tira do desenho antigo: pertence à tradição de cartomancia que ele reuniu no seu livro. A Golden Dawn, por sua vez, deu à carta um título de poder: «Senhor do Poder Terreno».
O significado na tradição
Direita
Para Waite, a carta indica «a segurança dos bens, apegar-se àquilo que se tem, dom, legado, herança» — A. E. Waite, 1910.
Na leitura moderna mais comum, a ênfase mudou: o Quatro de Ouros é muitas vezes lido como aviso contra o excesso de controlo. A poupança é boa; o medo que impede de viver, não.
Invertida
Waite dá para a invertida só três palavras: «suspense, atraso, oposição» — A. E. Waite, 1910.
Leituras modernas dividem-se: umas veem o desbloqueio (largar, gastar, partilhar), outras o agravamento do mesmo problema, com perdas por teimosia ou desconfiança.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar ciúme possessivo ou alguém que tem dificuldade em abrir-se. Também pode falar de uma relação estável, mas fechada sobre si.
Trabalho. Associa-se a posições seguras, poupança e prudência com o dinheiro. Em excesso, a carta fala de quem recusa riscos razoáveis. Para decisões financeiras concretas, deve procurar-se aconselhamento profissional.
Conselho. A pergunta que a carta costuma fazer é simples: aquilo que está a guardar protege-o ou prende-o?
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «É a carta do avarento» | É uma leitura moderna frequente; Waite fala sobretudo de posse segura e herança |
| «Anuncia uma herança» | Waite regista esse sentido tradicional; não é uma previsão |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Três de Ouros
➜ Carta seguinte: Cinco de Ouros
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Four of Pentacles» — sacred-texts.com
- S. L. MacGregor Mathers (atrib.), Book T – The Tarot, Golden Dawn — PDF
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Suit of coins» — en.wikipedia.org