No Seis de Ouros, um homem bem vestido segura uma balança numa mão e, com a outra, deixa cair moedas nas mãos de um pobre ajoelhado. Um segundo pedinte espera a sua vez. Seis pentáculos flutuam à volta da cena.
Na tradição de leitura, é a carta da generosidade e da circulação dos bens: quem tem dá, quem precisa recebe. Mas a balança lembra que dar também envolve medir, escolher e ter poder sobre o outro.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 6 |
| Naipe e elemento | Ouros (Pentáculos); Terra |
| Nome em Marselha / em inglês | Six de Deniers / Six of Pentacles |
| Golden Dawn | «Senhor do Êxito Material»; Lua em Touro |
| Palavras-chave (direita) | Generosidade, partilha, ajuda, prosperidade presente |
| Palavras-chave (invertida) | Cobiça, inveja, dívidas, ajuda com condições |
O desenho
Waite descreve «uma pessoa com ar de mercador» que «pesa dinheiro numa balança e o distribui pelos necessitados e aflitos» (A. E. Waite, 1910).
A balança é o centro simbólico da carta. Aparece também na Justiça, e aqui costuma ler-se como medida justa: dar na proporção certa, nem de menos nem de mais. Há quem leia o contrário, a caridade calculada.
As figuras estão em alturas diferentes: o doador de pé, os pedintes de joelhos. A leitura moderna chama muitas vezes a atenção para essa desigualdade. A carta pode falar de quem dá e de quem recebe, conforme a posição de quem consulta.
Na história
No Tarot de Marselha, o Six de Deniers mostra apenas seis moedas entre ornamentos vegetais. Nada ali sugere caridade.
A cena do mercador é de Pamela Colman Smith (1909). O pedinte, que aparece no Cinco de Ouros no frio, surge aqui a receber: é fácil ler as duas cartas em sequência, embora Waite não diga que são as mesmas pessoas.
O significado na tradição
Direita
Waite dá duas versões: «presentes, dádivas, gratificação»; e outra, segundo a qual a carta diz «atenção, vigilância, agora é o momento aceite, prosperidade presente» — A. E. Waite, 1910.
Na leitura moderna mais comum, o Seis de Ouros fala de ajuda que chega ou que se dá, de dívidas saldadas, de um equilíbrio entre o que se ganha e o que se partilha.
Invertida
Para Waite: «desejo, cupidez, inveja, ciúme, ilusão» — A. E. Waite, 1910.
Leituras modernas falam de generosidade com segundas intenções, empréstimos que criam dependência, ou de alguém que dá sempre e nunca recebe.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma relação em que se cuida e se é cuidado. Invertida, pode apontar para desequilíbrio: um parceiro que dá tudo, o outro que só recebe.
Trabalho. Associa-se a aumentos, bolsas, apoios, patrocínios ou ao gosto de ajudar colegas. Questões de dinheiro concretas, como empréstimos, pedem sempre aconselhamento profissional.
Conselho. A mensagem habitual é pesar bem: ser generoso sem se esvaziar, e aceitar ajuda sem perder a dignidade.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Seis de Ouros é o seguimento do Cinco» | Leitura moderna possível; Waite não o afirma |
| «A balança é igual à da Justiça» | É o mesmo objeto; o sentido depende da leitura |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Cinco de Ouros
➜ Carta seguinte: Sete de Ouros
➜ Touro
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Six of Pentacles» — sacred-texts.com
- S. L. MacGregor Mathers (atrib.), Book T – The Tarot, Golden Dawn — PDF
- Wikipedia, «Tarot of Marseilles» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Rider–Waite Tarot» — en.wikipedia.org