O Ás de Ouros abre o último naipe do tarot. No desenho de 1909, uma mão sai de uma nuvem e segura um grande disco dourado com uma estrela de cinco pontas. Por baixo, estende-se um jardim.
Na tradição de leitura, é a carta do começo material: uma oportunidade concreta, uma base firme, algo que se pode tocar. É a semente de tudo o que o naipe de Ouros vai desenvolver, do trabalho à casa e à família.

Ficha
| Campo | Informação |
|---|---|
| Arcano | Menor |
| Número | 1 (Ás) |
| Naipe e elemento | Ouros (Pentáculos); Terra |
| Nome em Marselha / em inglês | As de Deniers / Ace of Pentacles |
| Golden Dawn | «Raiz dos Poderes da Terra» |
| Palavras-chave (direita) | Início concreto, oportunidade, prosperidade, segurança |
| Palavras-chave (invertida) | Oportunidade perdida, apego ao dinheiro, mau uso dos bens |
O desenho
A mão que sai da nuvem é comum aos quatro ases do baralho Rider-Waite. Costuma ler-se como um dom que vem «de fora», que não se fabricou sozinho: resta a quem o recebe decidir o que fazer com ele.
O disco dourado tem gravada uma estrela de cinco pontas. Waite escolheu esse sinal para todo o naipe. No Rei de Ouros explica que o pentagrama representa a correspondência dos quatro elementos na natureza humana.
Em baixo, um jardim florido e um arco de sebe abrem para montanhas ao longe. Na leitura simbólica mais comum, o jardim é o que já está cultivado e seguro; o caminho que sai pelo arco lembra que a oportunidade ainda tem de ser trabalhada.
Na história
«Ouros» é o nome português de um naipe que, nos baralhos latinos (italianos, espanhóis e portugueses), mostra moedas. Os italianos chamam-lhe denari, os espanhóis oros, os franceses deniers.
Este sistema de naipes chegou à Europa na década de 1370, a partir de cartas vindas do Egito mameluco e de Granada. Em Portugal, mesmo depois de adotado o baralho francês, o naipe de losangos continuou a chamar-se ouros.
O nome inglês pentacles é bem mais recente. Segue uma inovação de Éliphas Lévi no século XIX, e o baralho Rider-Waite (1909) fixou a imagem do disco com pentagrama.
O significado na tradição
Direita
Waite resume a carta em poucas palavras:
«Contentamento perfeito, felicidade, êxtase; também inteligência rápida; ouro.» — A. E. Waite, 1910
E acrescenta que, em qualquer posição, a carta mostra prosperidade e condições materiais confortáveis.
Na leitura moderna mais comum, o Ás de Ouros é lido como um bom começo prático: um emprego, um projeto com pés para andar, uma base de estabilidade. É uma carta de potencial, não de resultado já garantido.
Invertida
Para Waite, a carta invertida mostra «o lado mau da riqueza, má inteligência; também grandes riquezas» — A. E. Waite, 1910. O dinheiro continua lá; o que muda é se faz bem a quem o tem.
Leituras modernas falam de oportunidade desperdiçada, de planos mal assentes ou de uma relação com o dinheiro que se tornou fonte de ansiedade.
Na leitura: amor, trabalho e conselho
Amor. Na leitura tradicional, costuma indicar uma relação com bases sólidas, ou o desejo de dar estabilidade a uma ligação. É menos uma carta de paixão do que de construção.
Trabalho. Associa-se a propostas concretas, a começos de negócio e a tudo o que envolve dinheiro, casa ou saúde do dia a dia. Não substitui aconselhamento financeiro.
Conselho. A mensagem habitual é plantar: aproveitar o que está à mão e cuidar dele com paciência, como se cuida de um jardim.
O que se diz e o que se sabe
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O Ás de Ouros anuncia dinheiro» | Na tradição indica prosperidade possível; nenhuma carta prevê ganhos certos |
| «Os pentáculos sempre foram o naipe do tarot» | O naipe original é de moedas; «pentáculos» vem do século XIX |
Continue a ler
➜ Carta anterior: Rei de Espadas
➜ Carta seguinte: Dois de Ouros
Fontes
- A. E. Waite, The Pictorial Key to the Tarot (1910), «Ace of Pentacles» — sacred-texts.com
- Wikipedia, «Suit of coins» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Latin-suited cards» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Portuguese-suited playing cards» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Pentacle» — en.wikipedia.org
- S. L. MacGregor Mathers (atrib.), Book T – The Tarot, Golden Dawn — PDF