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🕯️ Velas

A candeia e a lamparina de azeite

A candeia e a lamparina de azeite: como funcionavam, a luz das casas portuguesas, a lamparina aos santos e às almas, a lâmpada do sacrário e regras de segurança.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Candeia, candeeiro e lamparina
  2. A luz da devoção
  3. Candeias e Candelária
  4. Na tradição esotérica moderna
  5. Segurança
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Antes da eletricidade, e muito antes das velas baratas de parafina, a luz das casas portuguesas vinha do azeite. A candeia iluminava a cozinha e o serão; a lamparina ardia, pequenina, diante do santo ou pelas almas.

Nesta página contamos a história destas duas luzes, o lugar que tiveram na devoção popular e como usá-las hoje em segurança.

Candeia, candeeiro e lamparina

Nome O que é
Candeia Pequena lâmpada de azeite, de barro ou metal, com bico para a torcida
Candeeiro de azeite Lâmpada maior, de latão ou cobre, com pé e vários bicos
Lamparina Recipiente com azeite ou óleo onde flutua uma pequena torcida

Como funcionava a candeia

O princípio é muito simples. Uma candeia de barro encontrada em Tavira (séculos XV–XVIII), hoje no Museu Municipal, mostra-o bem: é uma pequena taça com um bico apertado numa ponta e uma asa na outra. A torcida ficava deitada no fundo, com a ponta apoiada no bico, e a taça enchia-se de azeite. Acendia-se a ponta, e o azeite ia subindo pela torcida.

As marcas de fogo no bico dessa peça provam que serviu mesmo para iluminar.

O candeeiro de azeite

O candeeiro de latão, de pé alto, com depósito e vários bicos, é a peça que muitas famílias ainda guardam. Tinha acessórios presos por correntinhas: o espevitador (para avivar a torcida), o apagador e outros utensílios. Feitos por funileiros, raramente eram assinados.

O Museu de Évora tem uma coleção importante destas peças, e nos Açores o Museu da Graciosa guarda uma candeia de cobre de três bicos, usada numa casa da ilha até meados do século XX.

A lamparina

A lamparina é ainda mais simples: um copo ou pequeno recipiente com azeite (ou outro óleo) sobre o qual flutua um pedaço de cortiça ou madeira com uma torcida. Dá uma luz fraca mas muito duradoura. Por isso foi a luz das devoções e das noites de vigília.

A luz da devoção

Diante dos santos

Em muitas casas portuguesas havia um oratório ou uma imagem com uma lamparina acesa. Era um sinal de oração contínua, como a vela votiva da igreja.

➜ Velas dos santos

Pelas almas

Nas alminhas de rua deixava-se, segundo registos de Ílhavo, «uma vela ou copo de azeite com lamparina», com a luz sempre acesa «para alumiar o caminho do Céu» às almas. Quem passava podia deixar azeite para que a chama não se apagasse.

Nos velórios feitos em casa, os candeeiros de azeite ladeavam o crucifixo e ficavam acesos até o defunto sair. O costume perdeu-se quando os velórios passaram para as capelas mortuárias.

➜ As alminhas

➜ A vela das almas

A lâmpada do sacrário

Na igreja, a lamparina tem um lugar oficial. O Código de Direito Canónico (cân. 940) manda que diante do sacrário onde se guarda a Eucaristia brilhe continuamente uma lâmpada especial. A Instrução Geral do Missal Romano diz que deve ser alimentada a azeite ou a cera. É a luz vermelha que se vê em quase todas as igrejas — hoje muitas vezes elétrica.

Candeias e Candelária

A palavra candeia está ligada à festa de 2 de fevereiro, a Apresentação do Senhor, em que se benzem as velas. Em Portugal esta festa chama-se também Nossa Senhora das Candeias. Curiosamente, a peça do Museu de Tavira foi doada ao município precisamente num 2 de fevereiro.

➜ Cera de abelha ou parafina

Na tradição esotérica moderna

Algumas práticas esotéricas atuais preferem a lamparina de azeite à vela, por ser um material natural ligado à oliveira, árvore de paz na Bíblia. É uma preferência simbólica, não uma regra antiga nem um efeito provado. Na tradição portuguesa, o sentido da lamparina sempre foi simples: uma luz que acompanha a oração.

Segurança

O azeite a arder é traiçoeiro: se o recipiente cair, o óleo espalha-se e continua a arder.

  • use um copo de vidro grosso e estável, com um prato por baixo;
  • encha pouco e não acrescente azeite com a chama acesa;
  • mantenha a lamparina longe de cortinas, toalhas, flores secas e prateleiras de madeira;
  • nunca a deixe acesa sem vigilância, nem durante a noite;
  • nunca apague óleo a arder com água: abafe com uma tampa;
  • fora de casa (alminhas, campas), respeite a proibição de fogo em dias de risco de incêndio.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Velas na magia: índice

➜ Oração às almas

➜ Tradição portuguesa: índice

Fontes

  • Museu Municipal de Tavira, «Candeia de azeite» — museumunicipaldetavira.cm-tavira.pt
  • Catálogo Coletivo dos Museus dos Açores, «Candeia [MG903]», Museu da Graciosa — ccmuseus.azores.gov.pt
  • Candeeiros de azeite do Museu de Évora: colecção Margiochi (Évora: IMC–Museu de Évora, 2011).
  • Câmara Municipal de Ílhavo, «Devoções populares» — cm-ilhavo.pt
  • Código de Direito Canónico, cân. 940 — vatican.va

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