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A oliveira e o ramo bento: paz, Domingo de Ramos e trovoadas

A oliveira como símbolo de paz, o ramo bento do Domingo de Ramos em Portugal e o costume popular de queimar folhas nas trovoadas. História e tradição.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. Um símbolo de paz desde a Antiguidade
  3. O Domingo de Ramos
  4. O ramo bento em Portugal
  5. A crença nas trovoadas
  6. A oliveira em Portugal
  7. Precauções
  8. Continue a ler
  9. Fontes

Poucas árvores estão tão ligadas à paisagem e à fé portuguesas como a oliveira. Dá o azeite da mesa e da lamparina, e os seus ramos entram na igreja no Domingo de Ramos.

Depois de benzido, o ramo volta para casa. Durante o ano inteiro fica atrás de uma porta, na cabeceira da cama ou junto a um santo. E, segundo a tradição popular, quando a trovoada aperta queima-se uma folha.

Esta página junta a história da oliveira como símbolo, a liturgia do Domingo de Ramos e os costumes portugueses à volta do ramo bento.

Ficha

Campo Informação
Nome comum Oliveira (o fruto é a azeitona)
Nome científico Olea europaea
Família Oleáceas
Outros nomes Zambujeiro (a oliveira brava, O. europaea var. sylvestris)
Partes na tradição Ramos, folhas, azeite
Toxicidade Não é considerada tóxica; o pólen causa alergias a muitas pessoas

Um símbolo de paz desde a Antiguidade

Facto histórico: a oliveira foi símbolo de paz muito antes do cristianismo.

  • Na Grécia, quem pedia proteção num templo ou diante de uma autoridade levava um ramo de oliveira. Segundo o mito, Atena ganhou a cidade de Atenas ao oferecer-lhe a primeira oliveira.
  • Eirene, a deusa grega da paz, aparece com um ramo de oliveira. Em Roma, os enviados usavam-no como sinal de paz, e Virgílio liga a oliveira à deusa Pax.
  • Na Bíblia, depois do dilúvio, a pomba volta à arca com uma folha de oliveira no bico (Génesis 8,11). Foi o sinal de que as águas tinham baixado.

Os cristãos juntaram as duas imagens: a pomba com o ramo de oliveira tornou-se um dos símbolos de paz mais conhecidos do mundo. Ainda hoje aparece na bandeira das Nações Unidas, rodeando o mapa do mundo.

➜ Oração para a paz

O Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre a Semana Santa. Recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, contada nos quatro evangelhos: o povo recebeu-o com ramos e mantos estendidos no chão.

Na liturgia católica, os fiéis levam ramos para serem benzidos e segue-se uma procissão. Onde não há palmeiras, usam-se as árvores da terra. Em muitas igrejas, os ramos do ano anterior são queimados para fazer as cinzas da Quarta-Feira de Cinzas.

O ramo bento em Portugal

Em Portugal, os ramos levados à bênção são sobretudo de oliveira, alecrim e loureiro, às vezes de palmeira, e chamam-se em muitas terras «palmitos». Podem ser enfeitados com fitas e flores.

Os etnógrafos registaram vários costumes:

  • Guardar o ramo o ano inteiro: atrás da porta, na cabeceira da cama, no oratório ou junto de uma imagem.
  • Queimar folhas nas trovoadas, muitas vezes enquanto se reza a Santa Bárbara, para pedir que a tempestade passe.
  • Pôr raminhos nos campos: no Alentejo, por exemplo, registou-se o costume de colocar ramos em cruz sobre as sementeiras.
  • Oferecer ramos aos padrinhos, que retribuem com o folar na Páscoa.

Estes costumes variam de aldeia para aldeia. São tradição e devoção popular, não práticas oficiais da Igreja.

➜ Oração a Santa Bárbara

➜ Alecrim

➜ Louro

A crença nas trovoadas

Para quem vivia no campo, a trovoada era um perigo real: podia matar pessoas e gado, queimar palheiros e destruir colheitas. O ramo bento, por ter sido abençoado, era visto como uma proteção da casa.

Hoje sabemos que nenhum ramo afasta os raios. Numa trovoada, a proteção real é outra:

  • Ficar dentro de casa ou de um carro fechado.
  • Afastar-se de árvores isoladas, postes e campos abertos.
  • Evitar tomar banho e usar aparelhos ligados à corrente.

Se mantiver o costume de queimar uma folha, faça-o num recipiente à prova de fogo, longe de cortinas, e nunca deixe brasas sem vigilância.

➜ Como usar velas com segurança

A oliveira em Portugal

A oliveira faz parte da paisagem portuguesa há milhares de anos. A Oliveira do Mouchão, em Mouriscas (Abrantes), é considerada a árvore mais velha de Portugal. Um estudo de 2016, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, estimou a sua idade em cerca de 3350 anos. Está classificada como árvore de interesse público.

O azeite tem também o seu lugar na devoção: foi durante séculos o combustível das lamparinas acesas aos santos e às almas.

➜ A candeia e a lamparina de azeite

Precauções

  • A oliveira não é considerada tóxica, mas o pólen é uma causa frequente de alergia na primavera.
  • Queimar folhas produz fumo: evite em casa com crianças pequenas, pessoas com asma ou animais de estimação, e mantenha a janela aberta.
  • Nunca deixe ramos ou brasas a arder sem vigilância.

Continue a ler

➜ Ervas de proteção

➜ Ervas de São João em Portugal

➜ Banho para paz interior

➜ Todas as ervas

Fontes

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