Na tradição popular, não é preciso comprar amuletos caros. Durante séculos, as pessoas fizeram os seus com o que tinham à mão: um pano, umas ervas, sal, uma oração escrita.
O que dá sentido a um amuleto, segundo a tradição, é a intenção com que é feito e a fé de quem o traz. Não há garantia de resultado. Mas pode ser um objeto de memória e de conforto.
Deixamos aqui três formas simples, com materiais seguros.
Antes de começar
- Escolha uma intenção só: proteção da casa, calma, coragem para um exame.
- Use materiais que conhece. Evite plantas tóxicas e qualquer coisa de origem animal.
- Pense em quem vai usar o amuleto. Para crianças, animais ou pessoas alérgicas, prefira objetos sem ervas.
1. Saquinho de proteção
É o amuleto caseiro mais comum na tradição portuguesa e brasileira.
Materiais: um saquinho de pano (algodão ou linho), fio ou fita, uma colher de sal grosso, uma folha de louro e um raminho de alecrim seco.
Como se faz:
- Lave as mãos e arrume a mesa.
- Coloque os ingredientes no saquinho, um a um, pensando na sua intenção.
- Feche com três nós. O número três é comum nas fórmulas populares.
- Se quiser, reze uma oração da sua devoção.
Guarde-o na carteira, na gaveta ou atrás da porta. Na tradição, troca-se o conteúdo quando as ervas perdem o cheiro, ou ao fim de alguns meses.
➜ Como fazer um saquinho de ervas
2. Oração escrita
Trazer uma oração escrita consigo é um dos amuletos mais antigos da Europa cristã. Em Portugal, muitas pessoas guardavam na carteira um papel com uma oração a um santo.
Como se faz: escreva à mão uma oração que lhe diga algo — por exemplo, o Salmo 91 ou a oração ao Anjo da Guarda. Dobre o papel em direção a si e guarde-o.
3. Uma pedra ou medalha
Uma pedra apanhada num lugar importante para si, ou uma medalha de devoção, pode servir de amuleto. Na tradição, o objeto é «consagrado» com uma oração, passando-o pelo fumo de um incenso ou salpicando-o com água benta.
Se usar incenso, faça-o com a janela aberta, num suporte estável e sem deixar nada aceso sem vigilância.
➜ Como usar velas com segurança
O que não fazer
- Não use arruda, guiné, comigo-ninguém-pode ou outras plantas tóxicas em amuletos que as crianças possam agarrar.
- Não use partes de animais, terra de cemitério ou objetos tirados de sepulturas.
- Não faça amuletos «contra» alguém. A tradição de proteção serve para cuidar, não para prejudicar.
Precauções com crianças
Saquinhos, contas e medalhas são peças pequenas. Podem ser engolidas ou causar asfixia. Nunca ponha fios ao pescoço de bebés, nem amuletos no berço. Se quiser proteger uma criança segundo a tradição, guarde o amuleto no quarto, fora do alcance.
Continue a ler
➜ Amuleto ou talismã: a diferença
➜ Amuletos na tradição de São Cipriano
Fontes
- «Amulet», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Ruta graveolens», Wikipedia — en.wikipedia.org
- José Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa (1933–1988)