Um sachê é um saquinho de pano cheio de ervas secas. Há gerações que as famílias portuguesas guardam saquinhos de alfazema nas gavetas da roupa, pelo perfume e para afastar a traça.
Na tradição esotérica, o mesmo saquinho ganha outro sentido: torna-se um pequeno amuleto, preparado com uma intenção. Nesta página explicamos como o fazer, que plantas escolher e quais evitar.
Do armário ao amuleto
O saquinho de ervas tem duas vidas:
- Uso doméstico: perfumar roupa e armários, afastar a traça (a alfazema e o alecrim são os clássicos).
- Uso simbólico: um objeto que se guarda na carteira, na almofada, no carro ou atrás da porta, como lembrança de uma intenção.
A ideia de trazer consigo uma bolsinha com algo protetor é antiga. Na religiosidade católica popular, por exemplo, usam-se os escapulários ou «bentinhos», pequenos pedaços de pano bentos trazidos ao pescoço. O sachê de ervas da tradição esotérica moderna é outra coisa, mas nasce da mesma vontade de ter um sinal de proteção por perto.
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Materiais
- Um retalho de tecido natural (algodão, linho ou juta), com cerca de 10 × 15 cm, ou um saquinho de organza já feito;
- Linha ou fita para fechar;
- Ervas secas — duas a quatro chegam;
- Opcional: um papel com uma palavra ou oração escrita à mão.
Use sempre ervas bem secas. Ervas húmidas ganham bolor em poucos dias.
Passo a passo
- Escolha a intenção. Proteção da casa, calma, amor, estudo. Uma de cada vez.
- Escolha as ervas na tabela abaixo.
- Misture-as numa taça, com calma. Na tradição, este é o momento de pensar na intenção ou rezar uma oração.
- Encha o saquinho até meio, sem apertar.
- Feche bem, com um nó ou uma costura.
- Guarde-o onde fizer sentido: gaveta, carteira, almofada, porta.
- Renove quando perder o cheiro, em geral ao fim de dois ou três meses.
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Combinações tradicionais
Os significados abaixo pertencem à tradição esotérica moderna e variam de autor para autor. São simbólicos: nenhum saquinho garante resultados.
| Intenção | Ervas mais usadas |
|---|---|
| Casa e proteção | Alecrim, louro, sal grosso |
| Calma e sono | Alfazema, camomila, pétalas de rosa |
| Amor e afeto | Pétalas de rosa, manjericão seco, canela em pau |
| Prosperidade | Louro, cravinho, canela |
| Estudo e memória | Alecrim, hortelã seca |
Ervas que não deve pôr no saquinho
Alguns sites recomendam plantas que não são seguras para trazer junto ao corpo ou deixar ao alcance de crianças e animais:
- Arruda: irrita a pele e causa queimaduras com o sol. Se a usar, só num saquinho fechado e longe da pele.
- Guiné (Petiveria alliacea), estramónio, dedaleira, loendro: tóxicas.
- Plantas que não conhece: na dúvida, não use.
Precauções
- Crianças e animais: guarde os saquinhos fora do alcance. Um cão ou um bebé pode rasgar o pano e comer as ervas. A alfazema e a hortelã, por exemplo, podem causar vómitos em cães e gatos.
- Alergias: pessoas com asma ou alergia a pólenes devem evitar saquinhos na almofada, sobretudo com flores secas.
- Óleos essenciais: se quiser reforçar o perfume, uma gota basta. Os óleos puros irritam a pele e são perigosos para gatos.
- Não ingira as ervas do saquinho, nem as use depois em chá.
- Fogo: se, no fim, quiser queimar as ervas velhas, faça-o num recipiente de metal ou barro, ao ar livre ou com a janela aberta, e nunca sem vigilância. Também as pode simplesmente pôr no compostor ou na terra.
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Fontes
- «Lavender», ASPCA Animal Poison Control — aspca.org
- «Mint», ASPCA Animal Poison Control — aspca.org
- «Escapulário», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Petiveria alliacea», TRAMIL — tramil.net