O olho turco — também chamado olho grego — é uma conta de vidro azul com círculos concêntricos que lembram um olho. Na Turquia chama-se nazar boncuğu; na Grécia, máti («olho»).
Tornou-se um dos amuletos mais vendidos do mundo. Em Portugal chegou sobretudo com o turismo e o comércio, e hoje aparece em pulseiras, porta-chaves e entradas de lojas. Desde 2018 tem até emoji próprio: 🧿.
Ficha
| Outros nomes | Olho grego, nazar, nazar boncuğu, máti |
| Material tradicional | Vidro feito à mão |
| Cores | Azul-escuro, branco, azul-claro e preto |
| Função, na crença | Afastar o mau-olhado (a inveja pelo olhar) |
| Onde se fabrica hoje à mão | Aldeias de Görece e Kurudere, perto de Esmirna (Turquia) |
| Antepassados | Contas de vidro «com olhos» do Egito, Fenícia e Grécia antigos |
De onde vem o nome
Nazar vem do árabe naẓar, que quer dizer «olhar», «vista» ou «atenção». A palavra passou ao turco, ao persa, ao grego e ao hindi-urdu.
Designa ao mesmo tempo o mau-olhado e o amuleto que o afasta.
A crença por trás
A crença no mau-olhado é muito antiga e espalhada. A Encyclopaedia Britannica define-o como um olhar a que se atribui o poder de causar dano. Encontra-se na Grécia e Roma antigas e nas tradições judaica, islâmica, budista e hindu.
Segundo a crença, os mais vulneráveis são grávidas, crianças e animais. O mal pode ser lançado de propósito, por inveja, ou sem querer.
O olho turco segue uma lógica de magia simpática: um olho que «devolve» o olhar. Segundo a tradição, a conta atrai e absorve o mau-olhado antes que chegue à pessoa.
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Origem histórica
Facto: as contas de vidro com desenhos de «olhos» são muito antigas. O Metropolitan Museum de Nova Iorque guarda, por exemplo:
- um fio de contas de vidro egípcias com olhos, de c. 600–200 a.C.;
- contas de vidro com olhos fenícias ou cartaginesas, dos séculos IV–III a.C.
Estas contas circularam por todo o Mediterrâneo. Muitos estudiosos ligam-nas à proteção contra o mal, mas as fichas do museu não afirmam qual era a sua função exata.
Facto: a forma atual — o disco de vidro azul feito à mão — está ligada à tradição turca. Segundo a história local, artesãos de origem árabe fixaram-se em Esmirna no fim do Império Otomano (século XIX) e continuaram a arte. Hoje, poucos mestres ainda a fazem em fornos nas aldeias de Görece e Kurudere.
O que se pode dizer com segurança: a crença é muito mais antiga do que o objeto atual, e não há uma data de «nascimento» do olho turco.
Porquê azul?
Há várias explicações, nenhuma comprovada:
- o azul é uma cor tradicional do vidro produzido na região;
- segundo uma crença popular, os olhos claros, raros no Mediterrâneo, seriam os mais perigosos — e o amuleto «responderia» com a mesma cor.
Afirmações comuns
| Afirmação comum | O que se sabe |
|---|---|
| «O olho turco tem milhares de anos» | A crença e as contas com olhos são antigas; o modelo azul atual é bem mais recente |
| «É o mesmo que o olho de Hórus» | Não. O olho de Hórus é egípcio, com outra história |
| «Se parte, absorveu um mau-olhado» | É a crença popular. Na prática, é vidro e parte-se com pancadas |
| «Protege de certeza» | Nenhum amuleto garante proteção |
Como se usa na tradição
- Na roupa ou na pulseira, para proteção pessoal.
- À entrada de casa ou da loja, pendurado.
- Em bebés, na tradição turca e grega, é costume prendê-lo à roupa ou ao carrinho.
Segundo a crença popular, se o olho parte, cumpriu a sua função — absorveu um mau-olhado forte — e deve ser substituído.
E em Portugal?
O olho turco é recente em Portugal. Os amuletos portugueses tradicionais de proteção — contra bruxas, mau-olhado e quebranto — eram outros: a figa (muitas vezes de azeviche), a arruda, o alecrim, o signo-saimão, as medalhas e as cruzes. Muitos foram registados por Leite de Vasconcelos (1892) e por Luís de Pina (1928).
Contra o mau-olhado já «pegado», a tradição portuguesa recorria às benzeduras e às rezadeiras.
➜ Azeviche e as figas contra o mau-olhado
➜ Arruda e figa contra o mau-olhado
Precauções
- Bebés e crianças: contas de vidro são pequenas e partem-se. Há risco de asfixia e de cortes. Nunca prenda o olho turco onde o bebé o possa pôr na boca, nem use fios ao pescoço.
- Vidro partido: apanhe os pedaços com cuidado.
Não confundir com o olho de Hórus
O olho de Hórus é um amuleto do Egito antigo, com outra história e outro significado.
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Fontes
- «Evil eye», Encyclopaedia Britannica — britannica.com
- «String of 12 Eye Beads» (Egito, c. 600–200 a.C.), The Metropolitan Museum of Art — metmuseum.org
- «Glass eye beads» (fenícias ou cartaginesas, séc. IV–III a.C.), The Metropolitan Museum of Art — metmuseum.org
- «Görece, Menderes», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Nazar (amulet)», Wikipedia — en.wikipedia.org