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🧿 Amuletos e Talismãs

Olho turco: o amuleto azul contra o mau-olhado

O olho turco ou olho grego (nazar) é uma conta de vidro azul contra o mau-olhado. Origem, contas antigas nos museus, fabrico perto de Esmirna e cuidados.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha
  2. De onde vem o nome
  3. A crença por trás
  4. Origem histórica
  5. Porquê azul?
  6. Afirmações comuns
  7. Como se usa na tradição
  8. E em Portugal?
  9. Precauções
  10. Não confundir com o olho de Hórus
  11. Continue a ler
  12. Fontes

O olho turco — também chamado olho grego — é uma conta de vidro azul com círculos concêntricos que lembram um olho. Na Turquia chama-se nazar boncuğu; na Grécia, máti («olho»).

Tornou-se um dos amuletos mais vendidos do mundo. Em Portugal chegou sobretudo com o turismo e o comércio, e hoje aparece em pulseiras, porta-chaves e entradas de lojas. Desde 2018 tem até emoji próprio: 🧿.

Ficha

Outros nomes Olho grego, nazar, nazar boncuğu, máti
Material tradicional Vidro feito à mão
Cores Azul-escuro, branco, azul-claro e preto
Função, na crença Afastar o mau-olhado (a inveja pelo olhar)
Onde se fabrica hoje à mão Aldeias de Görece e Kurudere, perto de Esmirna (Turquia)
Antepassados Contas de vidro «com olhos» do Egito, Fenícia e Grécia antigos

De onde vem o nome

Nazar vem do árabe naẓar, que quer dizer «olhar», «vista» ou «atenção». A palavra passou ao turco, ao persa, ao grego e ao hindi-urdu.

Designa ao mesmo tempo o mau-olhado e o amuleto que o afasta.

A crença por trás

A crença no mau-olhado é muito antiga e espalhada. A Encyclopaedia Britannica define-o como um olhar a que se atribui o poder de causar dano. Encontra-se na Grécia e Roma antigas e nas tradições judaica, islâmica, budista e hindu.

Segundo a crença, os mais vulneráveis são grávidas, crianças e animais. O mal pode ser lançado de propósito, por inveja, ou sem querer.

O olho turco segue uma lógica de magia simpática: um olho que «devolve» o olhar. Segundo a tradição, a conta atrai e absorve o mau-olhado antes que chegue à pessoa.

➜ Olho gordo: o que é verdade?

Origem histórica

Facto: as contas de vidro com desenhos de «olhos» são muito antigas. O Metropolitan Museum de Nova Iorque guarda, por exemplo:

  • um fio de contas de vidro egípcias com olhos, de c. 600–200 a.C.;
  • contas de vidro com olhos fenícias ou cartaginesas, dos séculos IV–III a.C.

Estas contas circularam por todo o Mediterrâneo. Muitos estudiosos ligam-nas à proteção contra o mal, mas as fichas do museu não afirmam qual era a sua função exata.

Facto: a forma atual — o disco de vidro azul feito à mão — está ligada à tradição turca. Segundo a história local, artesãos de origem árabe fixaram-se em Esmirna no fim do Império Otomano (século XIX) e continuaram a arte. Hoje, poucos mestres ainda a fazem em fornos nas aldeias de Görece e Kurudere.

O que se pode dizer com segurança: a crença é muito mais antiga do que o objeto atual, e não há uma data de «nascimento» do olho turco.

Porquê azul?

Há várias explicações, nenhuma comprovada:

  • o azul é uma cor tradicional do vidro produzido na região;
  • segundo uma crença popular, os olhos claros, raros no Mediterrâneo, seriam os mais perigosos — e o amuleto «responderia» com a mesma cor.

Afirmações comuns

Afirmação comum O que se sabe
«O olho turco tem milhares de anos» A crença e as contas com olhos são antigas; o modelo azul atual é bem mais recente
«É o mesmo que o olho de Hórus» Não. O olho de Hórus é egípcio, com outra história
«Se parte, absorveu um mau-olhado» É a crença popular. Na prática, é vidro e parte-se com pancadas
«Protege de certeza» Nenhum amuleto garante proteção

Como se usa na tradição

  • Na roupa ou na pulseira, para proteção pessoal.
  • À entrada de casa ou da loja, pendurado.
  • Em bebés, na tradição turca e grega, é costume prendê-lo à roupa ou ao carrinho.

Segundo a crença popular, se o olho parte, cumpriu a sua função — absorveu um mau-olhado forte — e deve ser substituído.

E em Portugal?

O olho turco é recente em Portugal. Os amuletos portugueses tradicionais de proteção — contra bruxas, mau-olhado e quebranto — eram outros: a figa (muitas vezes de azeviche), a arruda, o alecrim, o signo-saimão, as medalhas e as cruzes. Muitos foram registados por Leite de Vasconcelos (1892) e por Luís de Pina (1928).

Contra o mau-olhado já «pegado», a tradição portuguesa recorria às benzeduras e às rezadeiras.

➜ Azeviche e as figas contra o mau-olhado

➜ Arruda e figa contra o mau-olhado

➜ Hamsá, a «mão de Fátima»

Precauções

  • Bebés e crianças: contas de vidro são pequenas e partem-se. Há risco de asfixia e de cortes. Nunca prenda o olho turco onde o bebé o possa pôr na boca, nem use fios ao pescoço.
  • Vidro partido: apanhe os pedaços com cuidado.

Não confundir com o olho de Hórus

O olho de Hórus é um amuleto do Egito antigo, com outra história e outro significado.

➜ Olho de Hórus

Continue a ler

➜ Desfazer mau-olhado

➜ Amuleto ou talismã: a diferença

➜ Símbolos de proteção

➜ Todos os amuletos

Fontes

  • «Evil eye», Encyclopaedia Britannica — britannica.com
  • «String of 12 Eye Beads» (Egito, c. 600–200 a.C.), The Metropolitan Museum of Art — metmuseum.org
  • «Glass eye beads» (fenícias ou cartaginesas, séc. IV–III a.C.), The Metropolitan Museum of Art — metmuseum.org
  • «Görece, Menderes», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • «Nazar (amulet)», Wikipedia — en.wikipedia.org

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