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Tipos de amarração: o que se vende e o que é real

Com foto, com cabelo, com mel, «definitiva», «em 7 dias»: o que significam os tipos de amarração anunciados, de onde vem a ideia e porque desconfiar.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Uma ideia muito antiga
  2. A lógica dos «tipos»
  3. O que dizem os factos
  4. Os sinais de burla
  5. Uma pergunta que vale a pena fazer
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Quem procura «amarração» na internet encontra um verdadeiro catálogo: amarração com foto, com cabelo, com mel, cigana, do espelho, «definitiva», «em 7 dias». Parece que existe uma para cada caso, e cada uma promete ser a certa.

Este artigo não ensina amarrações. Explica de onde vem a ideia, a lógica que está por trás dos vários «tipos» e porque é que as promessas devem acender todos os alarmes.

➜ Como funciona uma amarração: a crença explicada

Uma ideia muito antiga

Os feitiços para «prender» alguém existem há mais de dois mil anos:

  • No mundo grego e romano, escreviam-se pedidos em placas de chumbo (katadesmoi em grego, defixiones em latim), que eram enroladas, pregadas e enterradas. Muitas eram contra rivais ou adversários; algumas eram para forçar o amor de alguém.
  • Os papiros mágicos greco-egípcios (séculos II a.C. a V d.C.) incluem fórmulas de amor para obrigar uma pessoa a vir ter com outra.
  • Em Portugal, os processos da Inquisição registaram muitos casos de feitiços amorosos, sobretudo de mulheres que procuravam prender ou recuperar um homem.

A palavra «amarração» diz tudo: atar a vontade de outra pessoa. Por isso sempre foi vista, até pelas tradições mágicas, como uma magia de controlo.

➜ Feitiçaria portuguesa

➜ O amor no Livro de São Cipriano

A lógica dos «tipos»

Quase todos os tipos anunciados seguem as duas regras que o antropólogo James Frazer descreveu em 1890 para a magia popular:

Regra Exemplos de «tipos»
Contacto: o que tocou a pessoa continua ligado a ela Com cabelo, com roupa, com foto
Semelhança: o gesto imita o efeito Com mel («adoçar»), com nós ou fitas («atar»), do espelho

Outros nomes são rótulos de venda, não tradições distintas:

  • «Cigana», «egípcia», «de São Cipriano»: nomes que dão um ar antigo ou exótico.
  • «Definitiva», «irreversível»: nenhuma prática pode garantir isto.
  • «Em 7 dias», «rápida», «urgente»: prazos que exploram a pressa de quem sofre.
  • «Sem o saber»: sublinha precisamente o problema: agir sobre alguém sem o seu consentimento.

➜ O que é uma simpatia (e a magia simpática)

O que dizem os factos

  • Não há nenhuma prova de que uma amarração mude os sentimentos de alguém.
  • Os «sintomas» de que estaria a resultar são acontecimentos normais lidos com esperança.
  • O único efeito certo é sobre quem paga: gasto de dinheiro, ansiedade e, muitas vezes, adiamento do luto pela relação.

➜ «Sintomas» de amarração: o que há de verdade

Os sinais de burla

Desconfie de quem:

  • garante resultados ou prazos;
  • recomenda um tipo «mais forte» e mais caro depois de o primeiro «não pegar»;
  • pede fotografias íntimas, dados pessoais ou pagamentos sucessivos;
  • ameaça com consequências se desistir.

Enganar alguém para obter dinheiro pode ser crime de burla (artigo 217.º do Código Penal).

➜ Como escolher um bruxo sério e evitar burlões

Uma pergunta que vale a pena fazer

Se alguém só ficasse consigo por estar «amarrado», seria isso amor? Uma relação boa precisa de duas vontades livres.

Se a dor de uma separação o está a consumir, se não consegue deixar de pensar na pessoa, isso tem nome e tem ajuda. Fale com alguém de confiança, procure um psicólogo ou ligue para o SNS 24 (808 24 24 24).

Se prefere um gesto espiritual, escolha um que não mexa na vontade de ninguém: uma oração pela sua própria paz, ou para encontrar alguém que o ame livremente.

➜ Oração para o amor

Continue a ler

➜ Amarração e livre-arbítrio

➜ Amarração tem pecado?

➜ Porque é que o amor não vem?

Fontes

  • John G. Gager (org.), Curse Tablets and Binding Spells from the Ancient World, Oxford University Press, 1992
  • Hans Dieter Betz (org.), The Greek Magical Papyri in Translation, University of Chicago Press, 1986
  • James George Frazer, The Golden Bough, cap. III, «Sympathetic Magic» — sacred-texts.com
  • Código Penal, artigo 217.º (Burla), Diário da República — diariodarepublica.pt

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