As orações de amor estão entre as mais procuradas em Portugal. Há quem reze para encontrar alguém, para fortalecer uma relação ou para sarar um desgosto.
Nesta página encontra orações para estas três situações, a tradição portuguesa dos santos casamenteiros e uma nota honesta sobre aquilo que uma oração de amor pode — e não deve — pedir.
Uma regra antes de rezar
Em todas as tradições religiosas sérias, não se reza para obrigar outra pessoa a amar-nos. Pede-se o amor para a nossa vida, pede-se a bênção para uma relação, pede-se a cura do coração — mas respeita-se a liberdade do outro.
O texto antigo desta página tinha orações para que alguém «não consiga viver sem mim» ou «volte por vontade própria». Retirámo-las: pedir que se domine a vontade de outra pessoa não faz parte da oração cristã.
➜ A amarração e o livre-arbítrio
Para encontrar o amor
A Santo António
Santo António de Lisboa (c. 1195–1231) é, em Portugal, o grande santo casamenteiro. Texto redigido pelo Grimório.pt a partir das fórmulas populares:
Meu glorioso Santo António,
que ajudais quem procura o que perdeu,
ajudai-me também a encontrar
uma pessoa boa, que me ame e a quem eu possa amar.
Que seja um amor sincero, livre e para a vida.
E enquanto não chega, dai-me paz e confiança.
Ámen.
➜ Oração a Santo António (outras orações e história)
A tradição portuguesa
- Noite de 12 para 13 de junho: a noite de Santo António, com os manjericos e as quadras de amor.
- Casamentos de Santo António: em Lisboa, desde 1958 (com uma longa interrupção depois de 1974), casais de poucos recursos casam-se nas festas do santo, em junho. A iniciativa começou pelo jornal Diário Popular.
- São Gonçalo de Amarante: no Norte, é o «casamenteiro das velhas», com festa no início de junho em Amarante.
- Trezena: há quem reze a Santo António durante treze dias ou treze terças-feiras.
Há também simpatias populares, como pôr o santo de cabeça para baixo. São costumes de brincadeira e de fé popular, não práticas da Igreja.
Para fortalecer uma relação
Texto redigido pelo Grimório.pt:
Senhor, abençoai o amor que existe entre mim e [nome].
Dai-nos paciência nos dias difíceis,
palavras de carinho quando falte a ternura,
e humildade para pedir perdão.
Que o nosso amor seja paciente e bondoso,
e que cada um de nós seja livre e feliz ao lado do outro.
Ámen.
A frase «paciente e bondoso» vem do conhecido hino ao amor de São Paulo (1 Coríntios 13), muito lido nos casamentos.
Para sarar um desgosto
Texto redigido pelo Grimório.pt:
Senhor, Vós conheceis a dor que trago.
Ajudai-me a deixar ir quem partiu,
sem rancor e sem vingança.
Sarai o meu coração e devolvei-me a alegria.
Que eu volte a acreditar no amor, a seu tempo.
Ámen.
Se a tristeza durar muitas semanas, tirar o sono ou o apetite, fale com o seu médico de família ou com um psicólogo. O desgosto de amor pode levar a uma depressão, que tem tratamento.
Na tradição de São Cipriano
O Livro de São Cipriano tem orações e receitas de amor, algumas delas para «prender» outra pessoa. Explicamos a sua história na secção própria, sem as ensinar como prática.
➜ Oração de amor de São Cipriano
➜ O amor no Livro de São Cipriano
Como se reza na tradição
- À noite, antes de dormir, ou diante de uma imagem do santo.
- Há quem acenda uma vela — branca ou cor-de-rosa. É um costume, não uma obrigação.
- Nenhuma oração tem prazo para «dar resultado». Quem promete isso não está a falar de oração.
Se acender uma vela: castiçal estável, longe de cortinas, nunca sem vigilância.
➜ Como usar velas com segurança
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➜ Porque é que o amor não vem?
➜ Todas as orações, por finalidade e tradição
Fontes
- NiT, «Casamentos de Santo António: como tudo começou» — nit.pt
- Descobrir Portugal, «São Gonçalo de Amarante: o casamenteiro das "encalhadas"» — descobrirportugal.pt
- Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, 13,4-7.