A Chave de Salomão — em latim Clavicula Salomonis — é o grimório mais influente da magia cerimonial europeia. Muitos dos livros de magia que vieram depois copiaram a sua estrutura, as suas orações e os seus desenhos.
Diz ter sido escrita pelo rei Salomão para o filho, Roboão. Essa autoria é lendária. O texto que conhecemos formou-se na Europa do fim da Idade Média e do Renascimento.
Ficha do grimório
| Campo | Informação |
|---|---|
| Título | Chave de Salomão / Clavícula de Salomão |
| Nome original | Clavicula Salomonis (latim) |
| Período | Séc. XIV–XV; a maioria dos manuscritos é dos séc. XVII–XVIII |
| Origem | Provavelmente Itália renascentista |
| Autoria | Atribuída ao rei Salomão; autores reais desconhecidos |
| Idiomas | Latim, italiano, francês, inglês, hebraico, grego, alemão |
| Tipo | Magia cerimonial e talismânica |
A lenda de Salomão mago
Na Bíblia, Salomão é o rei sábio. Na tradição judaica, cristã e islâmica posterior, ganhou fama de mago capaz de comandar demónios através de um anel com um selo.
Foi essa fama que tornou o seu nome tão útil: atribuir um livro a Salomão dava-lhe autoridade. Já na Antiguidade circulava o Testamento de Salomão, um texto sobre demónios que não é a Clavícula.
Origem real do texto
Segundo Joseph H. Peterson, o fragmento mais antigo conhecido data de cerca de 1380–1410. Há também uma versão grega aparentada, conhecida como Hygromanteia, com manuscritos do século XV.
A maioria das cópias que sobreviveram é dos séculos XVII e XVIII, sobretudo francesas e italianas. As versões hebraicas, que alguns julgaram a fonte original, são hoje consideradas tardias.
Não existe um texto único. Cada manuscrito acrescenta, corta ou reorganiza capítulos.
O que contém
A versão mais conhecida divide-se em dois livros.
Livro I — as operações
- Orações e confissões de preparação do mago;
- Os dias e as horas planetárias próprias para cada operação;
- O círculo mágico e as conjurações;
- Os pentáculos: desenhos com nomes divinos, versículos e símbolos, associados aos sete planetas;
- «Experiências» para fins concretos: objetos roubados, invisibilidade, amor, entre outras.
Livro II — a preparação
- Jejuns, banhos e purificações;
- As vestes, a faca, a espada e outros instrumentos;
- A tinta, as penas, o pergaminho, o incenso e a água benta.
Algumas receitas históricas pediam sangue ou animais. São registos de outra época e não as reproduzimos.
Chave de Salomão e Chave Menor: não confundir
| Obra | O que é |
|---|---|
| Chave de Salomão (Clavicula) | Séc. XIV–XV; preparação, horas, pentáculos e conjurações |
| Chave Menor (Lemegeton) | Séc. XVII; inclui a Goécia, com 72 espíritos e os seus selos |
A Clavícula não traz a lista dos 72 espíritos que Salomão teria fechado num vaso de bronze. Essa lista pertence ao Lemegeton.
Edições e versões
- Mathers, 1889 — The Key of Solomon the King. A edição inglesa mais divulgada, baseada em manuscritos do Museu Britânico. Omitiu alguns capítulos e tem erros de transcrição.
- Peterson (Esoteric Archives) — revisão da edição de Mathers, com correções e os capítulos em falta.
- Skinner e Rankine, 2008 — The Veritable Key of Solomon, a partir de outros manuscritos.
- Circulam traduções portuguesas e brasileiras, quase todas feitas a partir de Mathers.
Influência
A Clavícula moldou a imagem clássica do mago: purificado, vestido de branco, dentro de um círculo, com instrumentos consagrados. Esta imagem passou para o Lemegeton, para o Grimorium Verum, para a Golden Dawn no século XIX e para o primeiro Livro das Sombras da Wicca, que foi buscar material à Clavícula.
Onde ler
A edição de Mathers (1889) está em domínio público. A versão revista por Joseph H. Peterson pode ler-se gratuitamente no site Esoteric Archives.
Continue a ler
➜ Lemegeton, a Chave Menor de Salomão
➜ Os anjos no Livro de São Cipriano
Fontes
- S. L. MacGregor Mathers (trad.), The Key of Solomon the King, 1889, ed. revista por Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
- «Key of Solomon», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Stephen Skinner e David Rankine, The Veritable Key of Solomon, Llewellyn, 2008.
- Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.