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📚 Grimórios

A Chave de Salomão (Clavícula de Salomão)

A Chave ou Clavícula de Salomão: origem real (Itália, séc. XIV–XV), o que contém, pentáculos, versões, a edição de Mathers (1889) e onde ler em domínio público.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. Ficha do grimório
  2. A lenda de Salomão mago
  3. Origem real do texto
  4. O que contém
  5. Chave de Salomão e Chave Menor: não confundir
  6. Edições e versões
  7. Influência
  8. Onde ler
  9. Continue a ler
  10. Fontes

A Chave de Salomão — em latim Clavicula Salomonis — é o grimório mais influente da magia cerimonial europeia. Muitos dos livros de magia que vieram depois copiaram a sua estrutura, as suas orações e os seus desenhos.

Diz ter sido escrita pelo rei Salomão para o filho, Roboão. Essa autoria é lendária. O texto que conhecemos formou-se na Europa do fim da Idade Média e do Renascimento.

Ficha do grimório

Campo Informação
Título Chave de Salomão / Clavícula de Salomão
Nome original Clavicula Salomonis (latim)
Período Séc. XIV–XV; a maioria dos manuscritos é dos séc. XVII–XVIII
Origem Provavelmente Itália renascentista
Autoria Atribuída ao rei Salomão; autores reais desconhecidos
Idiomas Latim, italiano, francês, inglês, hebraico, grego, alemão
Tipo Magia cerimonial e talismânica

A lenda de Salomão mago

Na Bíblia, Salomão é o rei sábio. Na tradição judaica, cristã e islâmica posterior, ganhou fama de mago capaz de comandar demónios através de um anel com um selo.

Foi essa fama que tornou o seu nome tão útil: atribuir um livro a Salomão dava-lhe autoridade. Já na Antiguidade circulava o Testamento de Salomão, um texto sobre demónios que não é a Clavícula.

Origem real do texto

Segundo Joseph H. Peterson, o fragmento mais antigo conhecido data de cerca de 1380–1410. Há também uma versão grega aparentada, conhecida como Hygromanteia, com manuscritos do século XV.

A maioria das cópias que sobreviveram é dos séculos XVII e XVIII, sobretudo francesas e italianas. As versões hebraicas, que alguns julgaram a fonte original, são hoje consideradas tardias.

Não existe um texto único. Cada manuscrito acrescenta, corta ou reorganiza capítulos.

O que contém

A versão mais conhecida divide-se em dois livros.

Livro I — as operações

  • Orações e confissões de preparação do mago;
  • Os dias e as horas planetárias próprias para cada operação;
  • O círculo mágico e as conjurações;
  • Os pentáculos: desenhos com nomes divinos, versículos e símbolos, associados aos sete planetas;
  • «Experiências» para fins concretos: objetos roubados, invisibilidade, amor, entre outras.

Livro II — a preparação

  • Jejuns, banhos e purificações;
  • As vestes, a faca, a espada e outros instrumentos;
  • A tinta, as penas, o pergaminho, o incenso e a água benta.

Algumas receitas históricas pediam sangue ou animais. São registos de outra época e não as reproduzimos.

➜ O círculo mágico

➜ O pentagrama

Chave de Salomão e Chave Menor: não confundir

Obra O que é
Chave de Salomão (Clavicula) Séc. XIV–XV; preparação, horas, pentáculos e conjurações
Chave Menor (Lemegeton) Séc. XVII; inclui a Goécia, com 72 espíritos e os seus selos

A Clavícula não traz a lista dos 72 espíritos que Salomão teria fechado num vaso de bronze. Essa lista pertence ao Lemegeton.

➜ Demonologia

Edições e versões

  • Mathers, 1889 — The Key of Solomon the King. A edição inglesa mais divulgada, baseada em manuscritos do Museu Britânico. Omitiu alguns capítulos e tem erros de transcrição.
  • Peterson (Esoteric Archives) — revisão da edição de Mathers, com correções e os capítulos em falta.
  • Skinner e Rankine, 2008 — The Veritable Key of Solomon, a partir de outros manuscritos.
  • Circulam traduções portuguesas e brasileiras, quase todas feitas a partir de Mathers.

Influência

A Clavícula moldou a imagem clássica do mago: purificado, vestido de branco, dentro de um círculo, com instrumentos consagrados. Esta imagem passou para o Lemegeton, para o Grimorium Verum, para a Golden Dawn no século XIX e para o primeiro Livro das Sombras da Wicca, que foi buscar material à Clavícula.

➜ Magia cerimonial

➜ Grimorium Verum

Onde ler

A edição de Mathers (1889) está em domínio público. A versão revista por Joseph H. Peterson pode ler-se gratuitamente no site Esoteric Archives.

Continue a ler

➜ Biblioteca de grimórios

➜ Lemegeton, a Chave Menor de Salomão

➜ Magia renascentista

➜ Os anjos no Livro de São Cipriano

Fontes

  • S. L. MacGregor Mathers (trad.), The Key of Solomon the King, 1889, ed. revista por Joseph H. Peterson — esotericarchives.com
  • «Key of Solomon», Wikipedia — en.wikipedia.org
  • Stephen Skinner e David Rankine, The Veritable Key of Solomon, Llewellyn, 2008.
  • Owen Davies, Grimoires: A History of Magic Books, Oxford University Press, 2009.

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