A Lua é o astro que muda de forma aos nossos olhos. Cresce, fica cheia, míngua e desaparece, num ciclo de cerca de 29,5 dias. Talvez por isso seja um dos símbolos mais antigos e mais usados da humanidade.
Esta página trata da Lua como símbolo (sobretudo o crescente ☽ ☾). Para o calendário das fases e o seu uso em rituais, veja as páginas indicadas abaixo.
Facto astronómico e interpretação
Convém separar:
- Facto: a Lua reflete a luz do Sol; as fases resultam da posição da Lua em relação à Terra e ao Sol; a Lua influencia as marés.
- Interpretação: a ideia de que cada fase «favorece» certos rituais é uma convenção das tradições esotéricas e de práticas populares, não um facto demonstrado.
O crescente na Antiguidade
- Mesopotâmia: o crescente representa o deus-Lua Sin (ou Nanna). Aparece em selos cilíndricos acádios desde cerca de 2300 a.C.
- Grécia e Roma: o crescente identifica Ártemis/Diana, deusa caçadora ligada à Lua, e é associado também a Hécate, deusa das encruzilhadas e da magia.
- A Lua é frequentemente ligada ao feminino, por oposição ao Sol masculino, embora haja culturas onde é ao contrário (em alemão e em várias mitologias, a Lua é masculina).
A Lua no cristianismo e em Portugal
No Apocalipse (12,1) fala-se de «uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés». A arte cristã aplicou esta imagem à Virgem Maria, sobretudo à Imaculada Conceição, que surge de pé sobre um crescente.
Em Portugal, esta imagem é muito familiar: Nossa Senhora da Conceição foi proclamada padroeira de Portugal por D. João IV em 1646, e a sua figura sobre o crescente está em inúmeras igrejas.
➜ Santos populares em Portugal
O crescente e o Islão
O crescente é hoje associado ao Islão, mas essa ligação é tardia. Tornou-se comum entre os séculos XIV e XV, sobretudo através das bandeiras do Império Otomano. Não é um símbolo religioso definido pelo Corão.
A Lua na astrologia e na alquimia
- Astrologia: ☽ é o símbolo da Lua, associada às emoções e à vida interior. É uma interpretação astrológica, não astronómica.
- Alquimia: a Lua representa a prata, tal como o Sol representa o ouro.
A Lua tripla
O símbolo ☽○☾ — crescente, lua cheia, minguante — é muito usado na Wicca e no neopaganismo como imagem da deusa tríplice (donzela, mãe, anciã).
Esta ideia é moderna: foi popularizada no século XX, em grande parte a partir do livro The White Goddess (1948), de Robert Graves. Não é um símbolo antigo documentado.
A Lua na tradição popular
Na tradição agrícola portuguesa, ainda há quem semeie, pode ou corte o cabelo segundo a fase da Lua. São saberes populares transmitidos oralmente; os estudos científicos não confirmam efeitos da fase lunar nas plantas.
Nas tradições esotéricas modernas, a lua crescente é associada a começar e atrair, a cheia à plenitude, a minguante a afastar e a nova a recomeçar. É uma convenção simbólica.
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Fontes
- «Crescent», Wikipedia (Sin, Ártemis, Islão, Virgem) — en.wikipedia.org
- NASA Science, Moon Phases — science.nasa.gov
- Robert Graves, The White Goddess, Faber & Faber, 1948
- Bíblia, Apocalipse 12,1