Sem água não há vida. Não admira que quase todas as religiões usem a água para lavar, purificar e recomeçar, do batismo cristão às abluções de outras tradições.
Em Portugal, a água sagrada está em todo o lado: na pia de água benta à entrada das igrejas, nas fontes santas de romaria e nos costumes da manhã de São João. Esta página percorre essa história e explica as correspondências esotéricas modernas.
A água na filosofia antiga
Muito antes de Empédocles, Tales de Mileto (século VI a.C.) defendeu que a água era o princípio de todas as coisas. Para Aristóteles, a água era fria e húmida, e o seu lugar natural ficava abaixo do ar e acima da terra.
Na medicina antiga, a água correspondia à fleuma e ao temperamento fleumático, tido como calmo e lento.
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A água na religião
O batismo e a água benta
No cristianismo, a água é o sinal do batismo. A água benta é água benzida por um sacerdote e usada para o sinal da cruz, para aspergir pessoas, casas e objetos. Na forma tradicional do Ritual Romano, a bênção incluía sal benzido misturado na água.
Muitas famílias portuguesas guardavam em casa uma garrafinha de água benta, trazida da igreja, para benzer a casa ou os doentes.
As fontes santas
Em Portugal há muitas fontes santas, junto a capelas e santuários, cuja água a tradição considerava protetora. O culto das fontes é anterior ao cristianismo: no século VI, São Martinho de Dume, bispo de Braga, condenou quem acendia velas junto das fontes e quem deitava pão nas fontes. A Igreja acabou por cristianizar muitos destes lugares, dedicando-os a santos.
É por isso tradição, e não facto demonstrado, que certa água «cure» ou «proteja». Por razões de saúde, não beba água de fontes não controladas.
A manhã de São João
Na tradição popular, a água e o orvalho da manhã de 24 de junho tinham virtudes especiais. Lavava-se a cara com o orvalho, ou ia-se à fonte ou ao rio antes do nascer do sol.
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A água nas correspondências esotéricas modernas
Estas associações vêm sobretudo da Golden Dawn (século XIX) e da Wicca. São convenções simbólicas, não factos:
| Correspondência | Água |
|---|---|
| Direção | Oeste |
| Instrumento | taça ou cálice |
| Naipe do tarot | copas |
| Signos | Caranguejo, Escorpião, Peixes |
| Símbolo alquímico | 🜄 triângulo com a ponta para baixo |
| Temas | emoções, intuição, sonhos, purificação |
A ligação entre a água e a Lua também é antiga, por causa das marés. Essa parte é facto: a Lua influencia as marés. Já a ideia de que a Lua «governa as emoções» é interpretação astrológica.
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Práticas simples e seguras
- Um copo de água no altar ou na mesa de oração, trocado todos os dias, é uma prática comum em várias tradições.
- Um banho calmo, com algumas ervas aromáticas conhecidas, como alecrim ou louro, como momento de pausa. Não use plantas que não conhece; teste antes numa pequena zona da pele; evite em gravidez e em crianças sem conselho.
- Lavar as mãos com intenção antes de rezar ou meditar, como gesto de «começar limpo».
Os banhos e rituais com água não substituem cuidados médicos. Se se sente em baixo há muito tempo, fale com o seu médico ou com um psicólogo.
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➜ Terra
Fontes
- «Água benta», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- Martinho de Dume (Braga), De correctione rusticorum, § 16, texto latino — thelatinlibrary.com
- «Classical element», Wikipedia — en.wikipedia.org
- «Humorism», Wikipedia — en.wikipedia.org