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🌗 Elementos

Os 4 elementos na magia: história e correspondências

A história dos quatro elementos: Empédocles, Aristóteles, os humores de Galeno, a alquimia, a Golden Dawn e a Wicca. Filosofia antiga e convenção moderna.

4 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. 1. Empédocles e as quatro raízes (século V a.C.)
  2. 2. Platão e Aristóteles (século IV a.C.)
  3. 3. Os humores: medicina de Hipócrates a Galeno
  4. 4. A alquimia
  5. 5. A magia do Renascimento
  6. 6. A Golden Dawn (Londres, fim do século XIX)
  7. 7. A Wicca (a partir dos anos 1950)
  8. O que ficou da teoria dos elementos
  9. Uma prática simples
  10. Continue a ler
  11. Fontes

Quase todos os livros de magia modernos falam dos quatro elementos: fogo, água, ar e terra. Associam-lhes cores, direções, signos, instrumentos e estados de espírito.

Mas estas associações não nasceram todas ao mesmo tempo. Umas vêm da filosofia grega, outras da medicina antiga, outras da alquimia e muitas só foram fixadas no século XIX. Esta página conta essa história por ordem.

1. Empédocles e as quatro raízes (século V a.C.)

Empédocles de Agrigento (c. 494–434 a.C.), filósofo grego da Sicília, ensinou que tudo é feito de quatro «raízes»: fogo, ar, água e terra. Deu-lhes nomes de deuses: Zeus, Hera, Nestis e Aidoneu.

Estas raízes não nascem nem morrem. Apenas se misturam e separam, movidas por duas forças: o Amor (que une) e a Discórdia (que separa).

Conta a lenda que Empédocles se atirou para o vulcão Etna para parecer imortal, e que o vulcão devolveu uma das suas sandálias. É uma história antiga, não um facto comprovado.

2. Platão e Aristóteles (século IV a.C.)

No Timeu (c. 360 a.C.), Platão associou cada elemento a um sólido geométrico: a terra ao cubo, o ar ao octaedro, a água ao icosaedro e o fogo ao tetraedro.

Aristóteles deu a cada elemento duas qualidades:

Elemento Qualidades
Fogo quente e seco
Ar quente e húmido
Água fria e húmida
Terra fria e seca

Como partilham qualidades, os elementos podiam transformar-se uns nos outros. Aristóteles acrescentou ainda um quinto elemento, o éter, reservado aos céus.

➜ Quintessência: o quinto elemento

3. Os humores: medicina de Hipócrates a Galeno

A medicina grega, dos textos hipocráticos a Galeno (129–c. 216 d.C.), ligou os elementos a quatro humores do corpo:

Humor Elemento e temperamento
Sangue ar — sanguíneo
Bílis amarela fogo — colérico
Fleuma água — fleumático
Bílis negra terra — melancólico

A saúde seria o equilíbrio dos humores. Esta teoria dominou a medicina europeia, incluindo a portuguesa, até ao século XVII e foi definitivamente abandonada no século XIX. Hoje não tem valor médico, embora palavras como «melancolia» e «bom humor» venham dela.

4. A alquimia

Os alquimistas herdaram os quatro elementos de Aristóteles e juntaram-lhes os seus princípios: primeiro enxofre e mercúrio, e depois, com Paracelso (século XVI), também o sal. Os elementos ganharam símbolos triangulares que ainda hoje se usam: 🜂 fogo, 🜄 água, 🜁 ar, 🜃 terra.

➜ Alquimia

➜ O triângulo como símbolo

5. A magia do Renascimento

No século XVI, Cornelius Agrippa, no De occulta philosophia (1533), organizou tabelas de correspondências entre elementos, planetas, plantas e anjos. Ligou também as pontas do pentagrama aos elementos. Foi uma das bases do ocultismo posterior.

➜ Pentagrama

➜ Magia renascentista

6. A Golden Dawn (Londres, fim do século XIX)

A Ordem Hermética da Golden Dawn, fundada em Londres em 1887–1888, fixou o sistema que a maioria dos livros de magia ainda hoje repete. Os primeiros graus da ordem correspondiam aos quatro elementos. A tabela abaixo é uma convenção desta ordem, publicada por Israel Regardie entre 1937 e 1940:

Elemento Direção e instrumento
Ar Este — punhal
Fogo Sul — bastão (varinha)
Água Oeste — taça
Terra Norte — pentáculo
Infografia dos quatro elementos com os símbolos alquímicos, as qualidades de Aristóteles e as direções da Golden Dawn
Os quatro elementos: símbolos da alquimia, qualidades segundo Aristóteles e direções e instrumentos segundo a Golden Dawn.

Estes quatro instrumentos correspondem aos naipes do tarot: espadas, paus, copas e ouros.

➜ Os pontos cardeais na magia

➜ Magia cerimonial

➜ Arcanos maiores do tarot

7. A Wicca (a partir dos anos 1950)

A Wicca herdou este sistema. Muitos wiccanos «chamam» os quatro elementos aos quatro pontos cardeais quando abrem o círculo. Há diferenças entre tradições: na Wicca gardneriana o athame (punhal) é do fogo e a varinha do ar, ao contrário da Golden Dawn.

Estas diferenças mostram bem que as correspondências são convenções de escola, não factos.

➜ Wicca

➜ O círculo mágico

O que ficou da teoria dos elementos

Desde o século XVIII, a química mostrou que água, ar e terra não são elementos, mas misturas ou compostos, e o fogo é uma reação. A teoria antiga é hoje história da ciência e linguagem simbólica.

Como linguagem simbólica, continua a ser útil: ajuda a organizar um altar, a meditar e a compreender textos antigos, dos grimórios ao Livro de São Cipriano.

Uma prática simples

  • Escolha um elemento por semana e observe-o no dia a dia: o lume do fogão, a chuva, o vento, a terra do vaso.
  • Registe no seu caderno o que lhe sugere e o que aprendeu sobre a sua história.
  • Se usar uma vela, siga as regras de segurança.

➜ Como usar velas com segurança

Continue a ler

➜ Os elementos: índice da secção

➜ Fogo

➜ Água

➜ Hermetismo

Fontes

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