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🌗 Elementos

O cemitério: culto dos mortos e tradição popular

O cemitério na história e no folclore português: dos enterros nas igrejas à Maria da Fonte, o Dia de Finados, as crenças populares e o respeito devido aos mortos.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. De onde vem a palavra
  2. Dos enterros nas igrejas aos cemitérios públicos
  3. O culto dos mortos em Portugal
  4. E a magia?
  5. Formas respeitosas de honrar os mortos
  6. Continue a ler
  7. Fontes

Muitos sites de magia apresentam o cemitério como «local de poder» para feitiços. O Grimório.pt não segue esse caminho. O cemitério é, antes de mais, um lugar de memória e de luto, onde famílias reais visitam pessoas reais.

Esta página explica o lugar do cemitério na história, na religião e no folclore português. Não ensinamos rituais em cemitérios nem nada que envolva sepulturas ou restos humanos: é desrespeitoso e, em Portugal, pode ser crime.

De onde vem a palavra

«Cemitério» vem do grego koimētērion, «dormitório», lugar onde se dorme. Os primeiros cristãos usaram a palavra para os lugares de sepultura, como as catacumbas de Roma, porque viam a morte como um sono à espera da ressurreição.

Dos enterros nas igrejas aos cemitérios públicos

Durante séculos, em Portugal como no resto da Europa, os mortos eram enterrados dentro das igrejas ou nos adros, o mais perto possível do altar e dos santos.

No século XIX, por razões de saúde pública, isso mudou. Durante a epidemia de cólera de 1833, D. Maria II mandou construir em Lisboa o cemitério que hoje se chama Alto de São João. Uma lei de 1835 proibiu os enterros nas igrejas, e as leis de saúde de Costa Cabral, em 1844, reforçaram a regra.

A mudança chocou o povo. Em 1846, no Minho, mulheres de Fontarcada (Póvoa de Lanhoso) enterraram uma vizinha na igreja, contra a lei. Foi um dos rastilhos da revolta da Maria da Fonte. Mostra bem como a ligação entre os mortos e o espaço sagrado era forte.

O culto dos mortos em Portugal

Todos os Santos e Finados

A 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, e a 2 de novembro, Dia de Finados, as famílias portuguesas enchem os cemitérios de flores e velas. É a expressão mais visível do culto dos mortos no país.

➜ Dia de Finados

As almas do Purgatório

A religiosidade popular portuguesa sempre acreditou que os mortos precisam das orações dos vivos. Daí as alminhas à beira dos caminhos, as missas pelas almas e as «encomendações das almas» que, em várias terras, se cantavam de noite na Quaresma.

➜ Os mortos no Livro de São Cipriano

➜ A encruzilhada e as alminhas

E a magia?

É verdade que alguns grimórios antigos e muitos textos de feitiçaria mencionam «terra de cemitério» e rituais junto a sepulturas. Isso é história da magia, e pode ser estudado como tal.

Mas hoje:

  • Profanar sepulturas ou retirar restos mortais é crime em Portugal (Código Penal, artigo 254.º), punido com prisão até 2 anos.
  • Entrar em cemitérios fora do horário é, em regra, proibido.
  • Deixar objetos ou «trabalhos» em campas alheias fere famílias em luto.

➜ A noite no folclore

Formas respeitosas de honrar os mortos

  • Visitar a campa dos seus, limpá-la e pôr flores.
  • Rezar pelos que partiram, em casa ou na igreja.
  • Acender uma vela em memória, em casa, num castiçal estável e sem a deixar sozinha.
  • Guardar fotografias e histórias da família: a memória é a forma mais antiga de culto dos antepassados.

➜ Oração pelos mortos

➜ Como usar velas com segurança

O luto pode ser muito pesado. Se a perda de alguém continua a afetar muito a sua vida, fale com pessoas próximas ou procure o apoio de um psicólogo.

Continue a ler

➜ Terra: o pó e o regresso

➜ Fantasmas: o que diz a tradição

➜ PortugalParanormal.pt — relatos e mistérios

Fontes

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