Muitos sites de magia apresentam o cemitério como «local de poder» para feitiços. O Grimório.pt não segue esse caminho. O cemitério é, antes de mais, um lugar de memória e de luto, onde famílias reais visitam pessoas reais.
Esta página explica o lugar do cemitério na história, na religião e no folclore português. Não ensinamos rituais em cemitérios nem nada que envolva sepulturas ou restos humanos: é desrespeitoso e, em Portugal, pode ser crime.
De onde vem a palavra
«Cemitério» vem do grego koimētērion, «dormitório», lugar onde se dorme. Os primeiros cristãos usaram a palavra para os lugares de sepultura, como as catacumbas de Roma, porque viam a morte como um sono à espera da ressurreição.
Dos enterros nas igrejas aos cemitérios públicos
Durante séculos, em Portugal como no resto da Europa, os mortos eram enterrados dentro das igrejas ou nos adros, o mais perto possível do altar e dos santos.
No século XIX, por razões de saúde pública, isso mudou. Durante a epidemia de cólera de 1833, D. Maria II mandou construir em Lisboa o cemitério que hoje se chama Alto de São João. Uma lei de 1835 proibiu os enterros nas igrejas, e as leis de saúde de Costa Cabral, em 1844, reforçaram a regra.
A mudança chocou o povo. Em 1846, no Minho, mulheres de Fontarcada (Póvoa de Lanhoso) enterraram uma vizinha na igreja, contra a lei. Foi um dos rastilhos da revolta da Maria da Fonte. Mostra bem como a ligação entre os mortos e o espaço sagrado era forte.
O culto dos mortos em Portugal
Todos os Santos e Finados
A 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, e a 2 de novembro, Dia de Finados, as famílias portuguesas enchem os cemitérios de flores e velas. É a expressão mais visível do culto dos mortos no país.
As almas do Purgatório
A religiosidade popular portuguesa sempre acreditou que os mortos precisam das orações dos vivos. Daí as alminhas à beira dos caminhos, as missas pelas almas e as «encomendações das almas» que, em várias terras, se cantavam de noite na Quaresma.
➜ Os mortos no Livro de São Cipriano
➜ A encruzilhada e as alminhas
E a magia?
É verdade que alguns grimórios antigos e muitos textos de feitiçaria mencionam «terra de cemitério» e rituais junto a sepulturas. Isso é história da magia, e pode ser estudado como tal.
Mas hoje:
- Profanar sepulturas ou retirar restos mortais é crime em Portugal (Código Penal, artigo 254.º), punido com prisão até 2 anos.
- Entrar em cemitérios fora do horário é, em regra, proibido.
- Deixar objetos ou «trabalhos» em campas alheias fere famílias em luto.
Formas respeitosas de honrar os mortos
- Visitar a campa dos seus, limpá-la e pôr flores.
- Rezar pelos que partiram, em casa ou na igreja.
- Acender uma vela em memória, em casa, num castiçal estável e sem a deixar sozinha.
- Guardar fotografias e histórias da família: a memória é a forma mais antiga de culto dos antepassados.
➜ Como usar velas com segurança
O luto pode ser muito pesado. Se a perda de alguém continua a afetar muito a sua vida, fale com pessoas próximas ou procure o apoio de um psicólogo.
Continue a ler
➜ Fantasmas: o que diz a tradição
➜ PortugalParanormal.pt — relatos e mistérios
Fontes
- «Revolta da Maria da Fonte», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- «Cemitério do Alto de São João», Wikipédia — pt.wikipedia.org
- Código Penal, artigo 254.º (Profanação de cadáver ou de lugar fúnebre) — pgdlisboa.pt
- «Cemetery», Wikipedia (etimologia) — en.wikipedia.org