A palavra «magia» vem do grego. Os gregos chamavam magos aos sacerdotes persas e, com o tempo, o termo passou a designar qualquer pessoa que praticava ritos secretos ou suspeitos.
A magia grega não é uma lenda. Chegou até nós através de objetos e textos reais: centenas de tabuinhas de chumbo, amuletos gravados e papiros com receitas rituais. São fontes preciosas para quem quer perceber de onde vem a tradição mágica ocidental.
Nesta página resumimos o que os historiadores sabem, separando o que está documentado do que é interpretação moderna.
As palavras gregas para magia
Os gregos tinham vários termos, com sentidos diferentes:
| Termo | Sentido |
|---|---|
| Mageia | Arte dos magoi, de origem persa |
| Goēteia | Feitiçaria «baixa», com sentido depreciativo |
| Pharmakeia | Uso de drogas, poções e venenos |
| Theourgia | «Obra divina» dos filósofos neoplatónicos |
Chamar «mago» a alguém era muitas vezes uma acusação, não um elogio. Platão, nas Leis, propõe punir quem tenta prejudicar outros com feitiços de ligação.
As tabuinhas de maldição (katadesmoi)
Os gregos chamavam katadesmoi («amarras») a pequenas folhas de chumbo onde se escrevia o nome de uma pessoa e um pedido aos deuses do mundo subterrâneo. Em latim ficaram conhecidas como defixiones, de defigere, «pregar».
- As mais antigas conhecidas vêm da Sicília grega e datam aproximadamente do século V a.C.
- Eram enroladas, por vezes perfuradas com um prego, e depositadas em túmulos, poços ou santuários.
- Conhecem-se hoje mais de mil e quinhentas, em grego e em latim.
Os motivos eram muito humanos: ganhar um processo em tribunal, vencer uma corrida de carros, travar um rival no negócio ou conquistar um amor.
Estas tabuinhas são um documento histórico, não um modelo a seguir. O Grimório.pt não ensina práticas para prejudicar ou prender a vontade de outra pessoa.
➜ Amarração das Tabuletas do Nilo — história e crença
Os Papiros Mágicos Gregos (PGM)
Os Papiros Mágicos Gregos são um conjunto de textos encontrados no Egito, escritos entre o século II a.C. e o século V d.C. Muitos chegaram à Europa no século XIX, através do comércio de antiguidades.
Contêm fórmulas para:
- invocar divindades e obter sonhos proféticos;
- proteger com amuletos;
- atrair o amor ou curar pequenos males;
- adivinhar com lâmpadas e taças de água.
O mais interessante é a mistura de tradições: deuses gregos (Hermes, Hécate, Apolo), egípcios (Tot, Ísis), nomes hebraicos de Deus e palavras sem sentido aparente, as chamadas voces magicae.
A tradução de referência em inglês foi organizada por Hans Dieter Betz e publicada em 1986.
Amuletos e pedras gravadas
Arqueólogos encontraram milhares de pedras gravadas com função claramente mágica e não apenas decorativa. Tinham imagens de deuses, animais ou símbolos e inscrições protetoras.
Muitas famílias usavam também as Ephesia grammata, palavras «de Éfeso» ditas ou escritas como proteção.
➜ Amuleto ou talismã: qual a diferença?
Hécate, a deusa das encruzilhadas
Hécate era a divindade mais associada à magia no mundo grego. Presidia às encruzilhadas, à noite e às fronteiras entre mundos. Na tragédia Medeia, de Eurípides, a feiticeira invoca-a.
➜ A encruzilhada na tradição mágica
A teurgia dos filósofos
Nos séculos III e IV d.C., filósofos neoplatónicos como Jâmblico defenderam a teurgia: ritos para aproximar a alma do divino. Distinguiam-na cuidadosamente da feitiçaria vulgar.
Esta ideia — a magia como caminho espiritual e não como simples truque — voltou a ganhar força no Renascimento.
A herança
Muito do que hoje se chama magia ocidental tem raízes neste mundo greco-egípcio: os nomes divinos, os círculos, os selos, os amuletos e a ideia de correspondências. Os grimórios medievais e renascentistas herdaram, direta ou indiretamente, parte deste vocabulário.
É uma herança histórica. Dizer que estas fórmulas têm efeito real é já uma questão de crença, não de história.
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Fontes
- Betz, Hans Dieter (ed.), The Greek Magical Papyri in Translation, University of Chicago Press, 1986 — Google Books
- Gager, John G., Curse Tablets and Binding Spells from the Ancient World, Oxford University Press, 1992
- Wikipedia, «Magic in the Greco-Roman world» — en.wikipedia.org
- Wikipedia, «Greek Magical Papyri» — en.wikipedia.org