Os chakras são, na tradição do yoga e do tantra, centros de uma anatomia subtil que existiria ao longo da coluna. Hoje aparecem em aulas de yoga, livros de Nova Era e lojas de cristais, quase sempre em número de sete e com as cores do arco-íris.
Mas o sistema que a maioria das pessoas conhece é bastante recente. Esta página conta a história verdadeira, e depois explica como os chakras são usados na espiritualidade moderna, como crença.
A palavra
Chakra (em sânscrito cakra) quer dizer roda ou círculo. Nos textos védicos mais antigos, a palavra aparece com esse sentido literal ou metafórico, não como centro de energia.
A origem: o tantra medieval
Os chakras como centros do corpo subtil surgem nas tradições tântricas, hindus e budistas, da Índia medieval (aproximadamente a partir do século VIII).
Nestes textos, os chakras eram lugares de visualização: o praticante imaginava ali divindades, letras sagradas e flores de lótus, em práticas de meditação guiadas por um mestre.
Um facto que surpreende: o número variava. Há textos com quatro, cinco, seis ou mais chakras. O Kubjikāmata Tantra (séc. X) descreve cinco. Os sete não eram a única regra.
Como chegámos aos «7 chakras»
Arthur Avalon, 1919
O sistema de sete chakras chegou ao Ocidente através de Sir John Woodroffe, um juiz britânico na Índia que escrevia sob o pseudónimo Arthur Avalon.
No livro The Serpent Power (1919), traduziu o Ṣaṭ-cakra-nirūpaṇa («Descrição dos seis chakras»), escrito por Pūrṇānanda em 1577.
Repare no título: seis chakras. O sétimo, o lótus de mil pétalas no alto da cabeça, é descrito à parte, como o destino da kundalinī.
Leadbeater e a teosofia
O teósofo C. W. Leadbeater, em The Chakras (1927), juntou-lhes ideias próprias, que dizia ter observado por clarividência. A ligação às glândulas do corpo e às cores do arco-íris é uma novidade ocidental do século XX.
A Nova Era
O investigador Kurt Leland mostrou que o sistema moderno resultou de uma colaboração involuntária entre teósofos, indólogos e terapeutas. As cores do arco-íris e a lista de qualidades psicológicas de cada chakra só aparecem juntas em 1977.
➜ Teosofia
➜ Nova Era
Os sete chakras
Nomes tradicionais e localização segundo o sistema de Pūrṇānanda:
| Chakra | Localização |
|---|---|
| Mūlādhāra | Base da coluna |
| Svādhiṣṭhāna | Abaixo do umbigo |
| Maṇipūra | Umbigo |
| Anāhata | Coração |
| Viśuddha | Garganta |
| Ājñā | Entre as sobrancelhas |
| Sahasrāra | Alto da cabeça |
Nos livros modernos, cada um recebe ainda uma cor, um cristal, uma nota musical e uma emoção. Estas correspondências variam de autor para autor e não vêm dos textos tântricos.
O que diz a ciência
Não há evidência de que os chakras existam como estruturas físicas ou mensuráveis. Não aparecem em nenhum exame ao corpo.
Termos como «frequência do chakra» ou «energia quântica» são linguagem de marketing, não física.
Isto não tira valor à prática como ferramenta de meditação: concentrar a atenção em partes do corpo, respirar devagar e visualizar imagens pode ajudar a relaxar. Esse é, aliás, o uso original.
Os chakras na prática moderna
Na espiritualidade moderna, os chakras são usados como um mapa simbólico para refletir sobre a vida: segurança, criatividade, afeto, comunicação.
Há quem medite em cada um, quem use cores ou cristais, quem cante mantras. São práticas de reflexão e relaxamento. Não substituem cuidados médicos: desconfie de quem promete «desbloquear chakras» para curar doenças.
Continue a ler
➜ A aura
Fontes
- «Chakra», Wikipedia — en.wikipedia.org
- Arthur Avalon (John Woodroffe), The Serpent Power, 1919.
- C. W. Leadbeater, The Chakras, 1927.
- Kurt Leland, Rainbow Body: A History of the Western Chakra System from Blavatsky to Brennan, Ibis Press, 2016.