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✨ Espiritualidade

Como abrir o terceiro olho: o que é e como se pratica

O terceiro olho no hinduísmo (ājñā) e na teosofia, o que é de facto a glândula pineal e uma prática de meditação segura, sem promessas de visões.

3 min de leitura · Revisto em
Neste artigo
  1. O terceiro olho no hinduísmo
  2. A glândula pineal: os factos
  3. Como a pineal se tornou o «terceiro olho»
  4. Mitos a evitar
  5. Uma prática segura
  6. O que esperar de forma realista
  7. Continue a ler
  8. Fontes

«Abrir o terceiro olho» é uma das expressões mais procuradas da espiritualidade moderna. Promete-se intuição, visões e até clarividência.

Antes de qualquer prática, vale a pena saber de onde vem a ideia: uma mistura de tradição hindu, filosofia do século XVII e teosofia do século XIX.

No fim encontra uma prática de meditação simples e segura. Nenhuma prática garante visões ou poderes: o que se pode esperar, de forma realista, é mais calma e atenção.

O terceiro olho no hinduísmo

Na tradição hindu, o deus Shiva é representado com um terceiro olho na testa. Nos mitos, é um olho de fogo e de conhecimento.

No sistema dos chakras, o ponto entre as sobrancelhas é o ājñā chakra. A palavra quer dizer comando ou autoridade. É descrito como um lótus de duas pétalas, associado à sílaba Om.

É também nesse ponto que muitos hindus colocam o tilaka ou o bindi, como sinal de devoção.

➜ Chakras

➜ O símbolo Om

A glândula pineal: os factos

A glândula pineal é uma pequena glândula no centro do cérebro, com a forma de uma pinha (daí o nome).

O que se sabe com segurança:

  • Produz melatonina, a hormona que ajuda a regular o sono e o ritmo dia-noite.
  • A escuridão estimula a produção de melatonina; a luz trava-a.
  • Com a idade, é comum calcificar. Isto aparece em muitos exames e, na maioria dos casos, não tem importância clínica conhecida.

Descartes e a «sede da alma»

O filósofo René Descartes, em As Paixões da Alma (1649), chamou à pineal a «sede principal da alma». Escolheu-a por ser uma estrutura única, não dividida em duas metades como quase todo o cérebro.

Era uma hipótese filosófica. A anatomia posterior mostrou que a pineal não tem esse papel.

Como a pineal se tornou o «terceiro olho»

No fim do século XIX, Helena Blavatsky, fundadora da teosofia, identificou a glândula pineal com o terceiro olho hindu. É daí que vem a associação, hoje muito popular.

Em 1956, o livro The Third Eye, de um suposto lama tibetano, «Lobsang Rampa», contava uma operação para abrir o terceiro olho. Em 1958 descobriu-se que o autor era Cyril Hoskin, um inglês de Devon que nunca tinha estado no Tibete.

➜ Teosofia

Mitos a evitar

  • «Descalcificar a pineal» com dietas, jejuns ou produtos: não há evidência de que isto traga capacidades espirituais.
  • Olhar para o Sol: pode causar lesões graves e permanentes nos olhos. Nunca o faça.
  • Substâncias psicoativas para «abrir» o terceiro olho: riscos reais para a saúde física e mental.

Uma prática segura

Na tradição do yoga, a forma clássica de trabalhar o ājñā é a meditação com atenção entre as sobrancelhas. Uma versão simples:

  1. Sente-se confortável, costas direitas, olhos fechados.
  2. Respire devagar durante um minuto.
  3. Leve a atenção, sem esforço, ao ponto entre as sobrancelhas. Não force os olhos para cima.
  4. Se quiser, repita mentalmente «Om» ao expirar.
  5. Quando a mente se distrair, volte com calma ao ponto.
  6. Comece com 5 minutos. Termine abrindo os olhos devagar.

Se sentir dor de cabeça, tensão ou ansiedade, pare. Relaxe a testa e os olhos.

Importante: se tem historial de psicose, perturbação bipolar, dissociação ou trauma, fale com o seu médico antes de práticas intensas de meditação ou visualização.

➜ Meditação: guia prático

O que esperar de forma realista

Muitos praticantes descrevem mais calma, concentração e atenção aos próprios pensamentos. Alguns chamam a isto «intuição mais desperta».

Não há evidência científica de clarividência. Se alguém lhe vender um curso que «garante» abrir o terceiro olho, desconfie.

Continue a ler

➜ Como desenvolver a intuição

➜ O olho de Hórus

➜ Sonhos lúcidos e magia

Fontes

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